Fusão entre Marfrig e BRF (MBRF3) começa a negociar na B3 amanhã; quais são as expectativas para a ação?

Fusão entre Marfrig e BRF (MBRF3) começa a negociar na B3 amanhã; quais são as expectativas para a ação?

by Beatriz Fontes
0 comentários

Processo de Incorporação da BRF pela Marfrig

O processo de incorporação enfrentou uma série de contratempos, incluindo a resistência de investidores desde o anúncio do acordo, realizado em maio deste ano. Essa resistência estava centrada na relação de troca das ações, a qual, segundo os acionistas minoritários, beneficiava exclusivamente a Marfrig, que é a empresa controladora. Os detalhes dessa situação foram abordados anteriormente.

No entanto, no começo de setembro, as empresas receberam a aprovação final para a operação: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu seu aval, sem restrições, à incorporação da BRF pela Marfrig, formalizando assim a criação da MBRF.

Controle e Receita da Nova Empresa

Marcos Molina, fundador da Marfrig, permanece na liderança da nova companhia, que conta com aproximadamente 52% do capital da MBRF. A empresa tem uma receita líquida anual estimada em R$ 152 bilhões.

Avaliação de Grandes Bancos sobre a MBRF

De acordo com as projeções do BTG Pactual, a nova empresa deverá iniciar suas atividades com um valor de mercado em torno de R$ 27 bilhões e um free float (porcentagem das ações disponíveis para negociação) estimado em 46,9%. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) está projetado para atingir R$ 12,5 bilhões em 2025.

Antes da fusão, o BTG mantinha uma recomendação neutra tanto para a Marfrig quanto para a BRF. Contudo, após a concretização da operação, o banco planeja rever suas estimativas.

O Santander também adotou uma recomendação neutra para MBRF, refletindo a alta alavancagem esperada com a conclusão da fusão, apesar da diversificação trazida pela nova estrutura. O preço-alvo indicado é de R$ 20.

Por sua vez, o Goldman Sachs adotou uma recomendação de compra para a nova empresa, estabelecendo um preço-alvo de R$ 30,2. O banco atualizou essa estimativa, que anteriormente era de R$ 26,50. Segundo o Goldman, embora o desempenho da Marfrig na América do Norte no segundo trimestre de 2025 tenha ficado abaixo do esperado, a dinâmica positiva da BRF na América do Sul e no Uruguai contrabalança essa situação.

O Citi compartilha uma perspectiva otimista em relação à gigante de alimentos, afirmando que a escala e a diversificação permitirão que a MBRF se posicione competitivamente em relação a concorrentes como JBS (JBSS32) e Tyson (TSN). O banco, que recomenda a compra, tem um preço-alvo de R$ 29 e projeta sinergias anuais de R$ 805 milhões. Desse total, R$ 400 milhões a R$ 500 milhões devem ser atingidos já no primeiro ano, principalmente através da integração logística, otimização de custos corporativos e melhorias na cadeia de suprimentos. A nova companhia irá consolidar 38% de suas vendas em produtos processados, que apresentam margens mais altas, o que proporciona resiliência diante das flutuações do mercado de commodities, ressalta o Citi.

Expectativas Futuras para as Ações

Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, acredita que a joint venture na nova empresa terá o potencial de consolidar a produção e reduzir custos. No entanto, ele considera que ainda é prematuro avaliar os riscos associados à companhia. “O novo conselho, liderado pela Marfrig, poderá trazer novos nomes ou diferentes posições na gestão”, observa.

No que diz respeito à transição de MRFG3 para MBRF3, o especialista avalia que as ações podem passar por uma fase de ajuste no preço, refletindo a inclusão de novos acionistas que vêm da BRF.

Jeff Patzlaff, um planejador financeiro CFP e especialista em investimentos, concorda com essa análise. Ele afirma que o mercado irá precificar as ações da MBRF baseado nas projeções para a nova companhia. As expectativas sobre lucros e sinergias deverão impactar significativamente o valor das ações.

Segundo o especialista, a fusão pode resultar em uma maior geração de caixa, o que geralmente tende a atrair investidores. Contudo, a nova empresa é de grande porte, com uma ampla gama de produtos e operações em múltiplos países, o que pode acarretar maior complexidade e riscos adicionais, que vão desde questões fiscais até cambiais e regulatórias.

Para investidores em potencial de MBRF3, é crucial observar variáveis externas que impactam a indústria, como os custos de insumos, a cotação do dólar, regulamentações sanitárias que podem restringir ou permitir operações, e a demanda internacional.

É igualmente importante considerar o horizonte temporal do investimento. Especialistas afirmam que as chances de retorno são mais altas em médio e longo prazos, pois as sinergias e eficiências frequentemente levam tempo para se consolidar. No curto prazo, as ações podem enfrentar maior volatilidade.

João Abdouni, analista da Levante Inside Corp, sugere que os ganhos no horizonte próximo podem ser limitados, dada a cotação atual das ações. “O setor é promissor, assim como a ação, mas neste momento está bem precificada”, afirma, destacando que a análise atual da casa sobre a MBRF é neutra.

Impacto aos Acionistas

Inicialmente, entre 6 de agosto e 5 de setembro, os investidores da Marfrig e da BRF tiveram a oportunidade de exercer o chamado direito de retirada. Este direito permite que o acionista renuncie a suas ações em situações em que a companhia toma decisões que afetam seus interesses, como no caso de uma fusão.

No caso da BRF, esse mecanismo resultou na retirada de 9.981.683 ações, gerando um reembolso total de R$ 198.535.674,87. Em contrapartida, na Marfrig, foram retiradas apenas 5 ações, totalizando um reembolso de R$ 16,60.

Para aqueles que optaram por permanecer nas empresas, uma nova relação de troca foi estabelecida. Cada ação da BRF será convertida em 0,8521 ação da Marfrig, que agora será negociada sob o ticker MBRF3. Frações de ações serão agrupadas e leiloadas na B3, com os recursos sendo distribuídos proporcionalmente entre os acionistas da BRF.

Adicionalmente, as empresas aprovaram a distribuição de valores aos acionistas, cujos montantes superaram as expectativas, segundo análise do Santander. A BRF anunciou um total de R$ 3,32 bilhões, sendo R$ 2,92 bilhões em dividendos e R$ 400 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), o que representa R$ 1,83 por ação em dividends e R$ 0,25 em JCP. A Marfrig anunciou uma distribuição de R$ 2,34 bilhões em dividendos, o que equivale a R$ 2,81 por ação.

A distribuição ocorrerá para os investidores que possuíam ações das empresas até 18 de setembro de 2025. Os papéis passaram a ser negociados “ex-dividendos/JCP” (sem direito a proventos) a partir de 19 de setembro.

O pagamento dos valores será realizado em um único lote: no dia 29 de setembro para os acionistas da BRF e no dia 30 de setembro para os acionistas da Marfrig.

*Com informações do Broadcast

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy