Presidência do Banco Central
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira, 29 de outubro, que ainda há “muito esforço” a ser realizado pela autoridade monetária. Ele destacou que não existem projeções de economistas ou do setor produtivo que apontem para a inflação na meta de 3% para o ano de 2026.
Projeções de Inflação
Galípolo mencionou que tanto a pesquisa Focus quanto a Firmus não indicam inflação na meta em 2026, referindo-se às pesquisas realizadas pelo Banco Central com profissionais de instituições do mercado e de empresas não financeiras. “A meta é 3%. Estamos assistindo a uma convergência lenta para esses 3%”, declarou durante sua participação no evento Itaú Macro Day, realizado em São Paulo.
A meta contínua de inflação estabelecida pelo Banco Central é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Na pesquisa Focus mais recente, divulgada no mesmo dia, a projeção de inflação para 2026 ficou em 4,28%, que apesar de estar dentro da margem de tolerância, ainda está distante do centro da meta. Por sua vez, a Firmus indica um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,5% para o próximo ano.
Taxa Selic
Em relação à taxa Selic, que atualmente é de 15% ao ano, Galípolo reconheceu que este nível é elevado. “O Banco Central nunca afirmou algo diferente, de que 15% é uma taxa de juros alta”, comentou. Ele acrescentou que a taxa de juros brasileira se mostra comparativamente elevada em relação a outros países emergentes. Contudo, enfatizou que a orientação recebida pelo Banco Central é para controlar a inflação, visando alcançar a meta de 3%.
Desafios da Política Monetária
Galípolo ressaltou que o desafio maior não foi alcançar a Selic em um patamar que interrompesse o ciclo de alta das taxas de juros, mas sim manter essa taxa elevada por um período prolongado. O presidente do Banco Central destacou que a atual desancoragem das expectativas de inflação no Brasil preocupa bastante a instituição. Ele afirmou que o Banco Central continuará utilizando dados para buscar a convergência em relação à meta.
Ao mesmo tempo, ele ressaltou que o Banco Central não pode prever elementos que ainda não se concretizaram na economia. “Não é possível incorporar ao cenário se haverá algum tipo de resposta ou impulso adicional na economia que possa atenuar os efeitos da política monetária nos próximos meses ou anos”, explicou Galípolo. Ele completou dizendo que “ser preventivo contra algo que nem existe ainda” limita a governança do Banco Central.
Mercado de Trabalho e Desaceleração
Durante sua fala, Galípolo também destacou que o mercado de trabalho brasileiro se encontra no melhor momento das últimas três décadas. No entanto, ele observou que os dados econômicos atuais sustentam o cenário-base do Banco Central, que aponta para uma desaceleração da atividade econômica.
Fonte: www.moneytimes.com.br


