Sentença de Charlie Javice
Condenação e Detalhes do Caso
A empresária americana Charlie Javice, fundadora de uma startup adquirida pelo JPMorgan Chase em 2021 por 175 milhões de dólares, foi condenada a mais de sete anos de prisão na segunda-feira por defraudar o banco ao exagerar na quantidade de clientes da empresa de tecnologia financeira (fintech). A informação foi divulgada pela Reuters.
Em março, um júri composto por 12 pessoas considerou Javice e seu diretor de crescimento, Olivier Amar, culpados em três acusações de fraude e uma de conspiração para cometer fraude. Os promotores solicitaram uma pena de 12 anos.
Declaração Emocional
Durante a audiência de sentença, Javice, de 33 anos, se emocionou ao fazer uma declaração ao tribunal. Em pé, dirigindo-se ao juiz, expressou seu profundo pesar pelas suas ações e pediu perdão ao JPMorgan, aos funcionários da startup, acionistas e investidores.
Javice também se virou para sua família, que estava na primeira fila, para pedir desculpas e agradecer pelo apoio incondicional que recebeu. Ela afirmou: "Vou passar toda a minha vida lamentando esses erros". Em seguida, pediu “com todo o meu coração, por perdão”, e solicitou ao juiz que "tempera a justiça com misericórdia", afirmando que aceitaria o julgamento com dignidade e humildade.
Histórico da Aquisição de Frank
O JPMorgan adquiriu a startup Frank para ajudar o maior banco dos Estados Unidos, em termos de ativos, a comercializar seus produtos financeiros para estudantes. Frank era uma plataforma digital que auxiliava estudantes na aplicação para auxílio financeiro. Em setembro de 2021, o JPMorgan afirmou em uma entrevista exclusiva ao CNBC que a fintech havia atendido mais de 5 milhões de estudantes desde sua fundação por Javice.
No entanto, meses após a conclusão do negócio, o JPMorgan descobriu que Frank tinha menos de 300.000 clientes reais; o restante era composto por identidades sintéticas criadas por Javice com o auxílio de um cientista de dados.
Prisão e Atos de Fraude
Javice foi presa em 2023 sob a acusação de ter defraudado o JPMorgan durante o acordo de aquisição. Detalhes que surgiram posteriormente mostraram que funcionários da Frank expressaram incredulidade quando Javice os orientou a aumentar a quantidade de clientes antes da aquisição.
Na semana anterior à venda de sua empresa ao JPMorgan, Javice instruiu um empregado a fabricar milhões de usuários. Quando o funcionário se recusou a fazê-lo, Javice o tranquilizou, segundo o depoimento prestado anteriormente este ano. Ela teria dito: "Não se preocupe. Eu não quero acabar usando um macacão laranja", referindo-se à roupa utilizada por prisioneiros.
Argumentos da Defesa e Acusações
Defesa de Javice
Na segunda-feira, o advogado de Javice, Ronald Sullivan, argumentou a favor de uma sentença mais leve para sua cliente, defendendo que a Frank realmente ajudou clientes. Ele comparou o caso de Javice ao de Elizabeth Holmes, cujo nome está associado ao escândalo da Theranos. Sullivan destacava que a fraude de Holmes teve "consequências médicas perigosas" e que ela foi condenada a 135 meses de prisão.
Sullivan disse ao juiz: "A sentença da senhora Javice não deveria ser nem de longe semelhante à de Elizabeth Holmes".
Argumento da Promotoria
O promotor assistente dos EUA, Micah Fergenson, discordou da defesa, argumentando que o crime de Javice foi impulsionado pela ganância. Ele afirmou: "O JPMorgan não adquiriu um negócio funcional; eles adquiriram uma cena do crime".
O episódio foi embaraçoso para o JPMorgan, que é considerado um dos adquirentes corporativos mais sofisticados. Preocupado com as ameaças provenientes do setor de fintech e de grandes empresas de tecnologia, o banco, liderado pelo CEO Jamie Dimon, iniciou uma onda de aquisições de empresas menores de fintech a partir de 2020. No entanto, animado para superar concorrentes que também estavam interessados na startup, o JPMorgan falhou em confirmar se a Frank realmente tinha milhões de clientes antes de desembolsar 175 milhões de dólares pela empresa.
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Fonte: www.cnbc.com


