Ainda na agenda econômica de hoje, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de uma sessão na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O foco da discussão será o projeto que visa ampliar a isenção do Imposto de Renda (IR) no Brasil.
Paralelamente, o Tesouro Nacional está realizando um leilão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B, que são títulos públicos com rendimento vinculado à inflação) e Letra Financeira do Tesouro (LFT, um título que oferece rentabilidade atrelada à taxa de juros).
Ibovespa hoje: o que o mercado acompanha nesta terça-feira (14)
Bolsas globais recuam em meio à disputa tarifária entre EUA e China
Após uma recuperação observada ontem, os índices de ações nos mercados ocidentais estão apresentando quedas, impulsionadas por preocupações comerciais entre os Estados Unidos e a China. Isso ocorre mesmo com a postura mais conciliadora adotada pelo presidente americano, Donald Trump.
De acordo com o banco Wells Fargo, a data limite de 1º de novembro para a imposição de restrições às exportações chinesas e para o aumento das tarifas por parte dos Estados Unidos eleva a probabilidade de que os dois países entrem em um cenário de guerra comercial negativa.
Os investidores estão atentos ao discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), que ocorre em meio às expectativas de uma nova redução de 0,25 ponto percentual nas taxas de juros pelo banco central americano ainda neste mês. Nesta manhã, a BlackRock anunciou um lucro líquido de US$ 1,32 bilhão no terceiro trimestre de 2025.
Os títulos do governo dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, estão voltando após o feriado e apresentam uma ampliação nas quedas. Os desdobramentos do shutdown do governo Trump continuam a ser monitorados de perto pelos investidores.
Na Europa, a libra esterlina registrou uma valorização em relação ao dólar nesta terça-feira, após uma alta na taxa de desemprego do Reino Unido. Em um contexto de tensões comerciais, o preço do ouro atingiu níveis recordes, refletindo um aumento na aversão ao risco.
Volume de serviços deve testar estabilidade em agosto

Após apresentar seis resultados consecutivos de expansão na margem, o setor de serviços está projetando uma estabilidade (0,0%) em agosto, segundo a mediana das estimativas dos analistas consultados pelo Projeções Broadcast.
As projeções do mercado indicam que o volume de serviços prestados deve se manter estável (0,0%) em agosto, após uma alta de 0,3% registrada em julho. As expectativas variam entre uma queda de 0,6% e uma alta de 0,3%.
O economista Luís Bettoni, da Terra Investimentos, antecipa um recuo de 0,1% no volume de serviços prestados em agosto. Caso essa estimativa se confirme, essa será a primeira variação negativa do setor desde o mês de janeiro.
Esse dado, segundo Bettoni, reforça a ideia de uma perda de força da atividade econômica no segundo semestre, visto que, conforme sua análise, os serviços eram o setor que ainda oferecia algum suporte à economia.
Commodities em queda: veja o impacto nos ADRs de Vale e Petrobras
Os futuros do petróleo ampliam suas perdas observadas no dia anterior, caindo cerca de 2%. A diminuição nas expectativas de demanda e o aumento nas projeções de oferta para 2025 e 2026, conforme relatado pela Agência Internacional de Energia (AIE), estão impactando o mercado. Nesta manhã, o preço do barril do petróleo WTI para o mês de novembro caiu 2,08%, sendo cotado a US$ 58,25, enquanto o barril do Brent para dezembro recuou 1,97%, atingindo US$ 62,07.
No setor de commodities, o minério de ferro, que é negociado na bolsa de Dalian, na China, registrou uma queda de 2,07% no contrato futuro para entrega em janeiro de 2026, sendo cotado a 782 yuans, o que equivale a aproximadamente US$ 109,64 por tonelada.
Os American Depositary Receipts (ADRs), que são recibos que possibilitam a compra de ações de empresas estrangeiras nos Estados Unidos, da Vale (VALE3) estavam recuando 1,91% no pré-mercado da Bolsa de Nova York nesta manhã. Já os ADRs da Petrobras (PETR3; PETR4) caíam 1,10% neste mesmo período.
O que esperar do Ibovespa hoje
O sentimento negativo no exterior pode repercutir nos ativos brasileiros, fazendo com que o Índice Bovespa corra o risco de recuar para a faixa dos 140 mil pontos, especialmente após ter alcançado 141.783,36 na sessão anterior.
A queda nos preços do minério de ferro em Dalian e do petróleo pode exercer pressão sobre o real, da mesma forma que a valorização do dólar em relação a outras moedas fortes e emergentes. Com relação aos juros futuros, estes podem seguir a tendência de queda dos rendimentos dos Treasuries, mas os temores relacionados às questões fiscais ainda permanecem no horizonte.
Os investidores devem manter atenção à sessão no Senado, onde Haddad abordará a isenção do IR para rendas de até R$ 5 mil. No âmbito das relações comerciais, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, viajará aos Estados Unidos nesta semana para uma reunião com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a fim de avançar nas discussões sobre tarifas impostas ao Brasil.
Nos próximos dias, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, também se deslocará para a Índia, com o objetivo de ampliar o fluxo bilateral de comércio e investimentos entre os dois países.
Esses eventos e outros indicadores econômicos estarão no radar dos investidores e poderão influenciar as negociações na bolsa de valores brasileira, afetando o desempenho do Ibovespa hoje.
Fonte: einvestidor.estadao.com.br

