Valorização das Commodities e Impacto nas Moedas Emergentes
A recente valorização das commodities teve um efeito positivo sobre as moedas emergentes em relação ao dólar, em um contexto de crescente aversão ao risco por parte dos investidores, devido à escalada das tensões geopolíticas.
Desempenho do Dólar Nesta Quinta-Feira
Nesta quinta-feira, dia 23, o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão cotado a R$ 5,3861, apresentando uma queda de 0,20%. Esta movimentação contrastou com a tendência observada no mercado externo. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, que é um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis moedas globais, incluindo euro e libra, apresentava uma leve alta de 0,06%, atingindo 98,955 pontos.
Fatores que Influenciaram o Câmbio
As questões geopolíticas foram um fator importante que movimentou o câmbio nesta quinta-feira. Na quarta-feira, dia 22, o governo dos Estados Unidos impôs novas sanções a duas das maiores empresas petrolíferas da Rússia, a Rosneft e a Lukoil. O governo norte-americano citou a “falta de comprometimento sério da Rússia com um processo de paz para terminar com a guerra na Ucrânia” como justificativa para tais medidas.
Além disso, na mesma data, os países da União Europeia aprovaram o 19º pacote de sanções contra a Rússia, que inclui a proibição da importação de gás natural liquefeito (GNL) russo. Essa movimentação internacional gerou reações significativas no mercado.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, respondeu a essas sanções afirmando que não se curvará à pressão dos Estados Unidos ou de qualquer outro país. Ele qualificou as medidas implementadas pelo governo Trump como um “ato hostil” e alegou que elas trarão certas consequências, mas não afetarão de maneira significativa o bem-estar econômico da Rússia. Tal declaração foi feita em um pronunciamento na quinta-feira, dia 23.
Como resultado imediato, os contratos futuros do petróleo Brent, que é uma referência no mercado internacional, tiveram uma alta superior a 5%. Esse aumento nos preços do petróleo tende a beneficiar países emergentes e exportadores de commodities, como o Brasil, devido ao impacto positivo sobre os preços das matérias-primas, incluindo o Brent.
Cenário Fiscal e Expectativas do Mercado
No que diz respeito ao cenário fiscal, os investidores continuam aguardando novos dados relacionados à inflação e a um novo pacote fiscal que o governo pretende encaminhar. Na última terça-feira, dia 21, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que o governo enviará duas propostas distintas ao Congresso. A primeira proposta se concentrará no aumento de receitas, abrangendo a taxação das fintechs e das apostas (bets). A segunda proposta, por sua vez, estará voltada para a implementação de cortes e o controle dos gastos públicos.
Além disso, o mercado também reagiu, embora de maneira secundária, ao aumento da arrecadação fiscal em setembro. Dados da Receita Federal indicam que a arrecadação do governo federal experimentou uma alta real de 1,43% em setembro, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando R$ 216,727 bilhões.
No acumulado dos meses de janeiro a setembro, a arrecadação foi de R$ 2,105 trilhões, valores que estão 3,49% acima do registrado nos primeiros nove meses de 2024, já descontando a inflação. Os resultados referentes ao mês de setembro e ao acumulado do ano são os mais elevados já verificados na série histórica da Receita Federal, que começou em 1995, para os períodos correspondentes.
Expectativa para Dados de Inflação
Amanhã, dia 24, o mercado permanecerá atento ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é considerado a prévia da inflação. A divulgação desses dados é aguardada com expectativa e poderá influenciar o comportamento futuro do mercado financeiro.
Fonte: www.moneytimes.com.br


