Visita de Mikhail Mishustin a China
No dia 3 de novembro de 2025, o Primeiro-Ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, chegou ao aeroporto de Hangzhou, conforme registrado em uma fotografia divulgada pela agência de notícias estatal russa Sputnik.
Na segunda-feira, funcionários russos mostraram-se ansiosos para reafirmar a aliança de Moscou com a China, logo após a reunião de alto nível do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o líder chinês Xi Jinping.
Delegação Russa na China
Após as conversas entre Trump e Xi na semana passada, que o presidente americano classificou como “incríveis”, a Rússia enviou uma grande delegação ao país asiático para a realização de negociações e firmar acordos. Mishustin está em Hangzhou para um encontro de dois dias com seu homólogo chinês, Li Qiang, tendo assinado uma série de acordos, conforme noticiou a mídia estatal russa, com o objetivo de aprofundar a cooperação nas áreas de comércio, investimento, energia, transporte, agricultura e espaço.
Em suas declarações, Mishustin se referiu ao seu colega chinês como seu “querido amigo”. Segundo a agência de notícias russa Ria Novosti, ele afirmou que as relações entre a Rússia e a China estão “no seu nível mais alto na história centenária dos dois países e continuam a se desenvolver de forma dinâmica em todas as áreas, apesar de diversos obstáculos e sanções ocidentais ilegais.”
Compromisso de Li Qiang
Por sua vez, Li Qiang declarou que Pequim estava pronta para fortalecer a cooperação com a Rússia, apesar de obstáculos cuja natureza não ficou especificada. “Apesar de novos riscos e desafios externos neste processo, China e Rússia sempre se apoiam mutuamente, constroem contatos e interações estratégicas e se esforçam para superar dificuldades em conjunto”, acrescentou, segundo noticiou a TASS. Ele destacou que a parceria “demonstra que China e Rússia são bons vizinhos e parceiros confiáveis que podem sempre contar um com o outro.”
Aliança Chinês-Russa
A China é o mais importante e poderoso aliado internacional da Rússia, tendo se recusado a condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e a guerra em andamento, repetindo a retórica russa ao se referir ao conflito como uma “crise”. Antes da invasão da Ucrânia, Putin e Xi assinaram uma parceria “sem limites”, e a Rússia tem buscado aproveitar essa aliança tanto em termos de apoio geopolítico quanto em parcerias comerciais, a fim de mitigar o impacto das sanções ocidentais que impactaram seu mercado de exportação de energia.
Importância da Visita ao Oriente
Antes da viagem desta semana, o Kremlin destacou a “grande importância” das conversas, refletindo isso na delegação enviada à Ásia, com Mishustin acompanhado por uma série de altos funcionários, incluindo seus vice-ministros e ministros de finanças, agricultura, transporte, desenvolvimento econômico e comércio. Funcionários das áreas de espaço e energia nuclear também integraram a comitiva, incluindo o diretor-geral da Roscosmos e o chefe da Rosatom.
Contexto das Relações Internacionais
A visita de dois dias de oficiais russos à China ocorre poucos dias após a reunião de alto perfil entre Trump e o Presidente Xi, na qual foi declarado que os líderes chegaram a um “acordo sobre muitas questões”. No que foi amplamente interpretado como uma “trégua comercial” após meses de tensões crescentes sobre tarifas e contratações, Trump mencionou que alcançou um acordo de um ano com a China sobre fornecimentos de terras raras e também reduziu as tarifas relacionadas ao fentanil pela metade, diminuindo as taxas gerais sobre produtos chineses para 47%.
Tensões entre Rússia e EUA
A Rússia não comentou publicamente sobre a reunião e provavelmente se sentiu desconfortável ao perceber seu aliado de longa data, a China, mantendo conversas aparentemente construtivas e restaurativas com os Estados Unidos, com os quais as relações deterioraram-se rapidamente nas últimas semanas. Trump cancelou as conversas presenciais que deveriam ocorrer com o Presidente russo Vladimir Putin, declarando que não desejava “ter uma reunião sem propósito”, sinalizando sua frustração com Moscou pela falta de progresso na guerra na Ucrânia.
Trump ainda acrescentou que a cúpula foi cancelada porque “toda vez que falo com Vladimir, tenho boas conversas, e depois as coisas não vão a lugar nenhum.” A Rússia reagiu de maneira indiferente ao cancelamento, com altos funcionários russos atribuindo a responsabilidade pela suspensão das conversas à mídia ocidental e a “notícias falsas”.
Fonte: www.cnbc.com

