Rebaixamento de Recomendações para as Ações da Hapvida
Na última quinta-feira (13), o banco JP Morgan rebaixou a recomendação para as ações da Hapvida (HAPV3), alterando-a de compra para neutra. Essa decisão foi motivada por resultados que ficaram abaixo do esperado.
Alteração no Preço-Alvo
O banco reduziu o preço-alvo das ações, de R$ 52 para R$ 39. Mesmo assim, esse novo valor ainda sinaliza um potencial de valorização de 19,3% em relação ao preço de fechamento registrado no dia anterior, 12 de outubro.
Com essa atualização, os analistas do JP Morgan observam que atualmente existe um “risco-recompensa” equilibrado para os investidores.
Resultados Financeiros da Hapvida
No terceiro trimestre de 2025, a Hapvida reportou um lucro líquido de R$ 338 milhões, representando um crescimento de 4,1% em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior. No entanto, o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 746,4 milhões, o que significa uma diminuição de 2,1% se considerados apenas os efeitos recorrentes.
A operadora também registrou uma queima de fluxo de caixa livre de R$ 51,9 milhões no terceiro trimestre de 2025, resultado pressionado pela queda no Ebitda. A receita líquida, por outro lado, alcançou R$ 7,8 bilhões, com um aumento de 6,0% em relação ao mesmo período do ano anterior.
De acordo com as reações do mercado, as ações da Hapvida despencaram na B3, liderando as perdas da bolsa brasileira. Por volta de 12h30 (horário de Brasília), HAPV3 apresentava uma queda de 43,56%, com o valor ficando em R$ 18,45.
Prognóstico Incerto
Em um relatório, os analistas liderados por Joseph Giordano afirmaram que, após os resultados negativos do terceiro trimestre de 2025, o prognóstico para a operadora de saúde se tornou “incerto”. O banco chamou a atenção para a deterioração no resultado financeiro, que foi impulsionada pelo Ebitda ajustado, o qual recuou 36% em comparação ao mesmo período do ano anterior e ficou 30% abaixo do projetado pela equipe de analistas.
Os analistas observaram que “a perda no resultado final foi provocada pela operação da empresa, refletindo uma combinação de adições líquidas limitadas, valor do tíquete inferior ao esperado e sinistros per capita acima do previsto. Isso se deve ao aumento na disponibilidade de serviços, decorrente do fortalecimento da rede própria, além de uma maior sazonalidade negativa, marcada por um inverno mais rigoroso e viroses mais tardias.”
A equipe de analistas do JP Morgan também destacou uma queda de 38% na base anual do Lucro por Ação (LPA) ajustado, que totalizou R$ 0,22, um número 31% inferior à estimativa do banco e 60% abaixo do consenso da Bloomberg.
Pressões na Operação da Hapvida
O JP Morgan avaliou que “algumas das pressões observadas nos números do terceiro trimestre de 2025 tendem a persistir pelo menos na maior parte de 2026.” De acordo com os analistas, o cenário competitivo não é favorável, especialmente com a operadora Amil adotando uma postura comercial “mais agressiva” em São Paulo, o que impõe grandes obstáculos para os planos de crescimento da Hapvida e para a recuperação da alavancagem operacional, além de ofuscar a visibilidade de curto e médio prazo.
Como resultado, a instituição acredita que a recuperação da rentabilidade, que deve ser impulsionada por um aumento no volume e no tíquete médio, deverá ocorrer apenas no final do período, sugerindo uma recuperação mais lenta da margem Ebitda.
Os analistas também observaram que os investimentos estruturais necessários para resolver as restrições de capacidade, diminuir o volume de reclamações e melhorar a percepção da qualidade dos serviços estão em andamento, com a intenção de estabelecer uma trajetória de crescimento mais saudável. No entanto, até o momento, a Hapvida não está conseguindo se beneficiar desse movimento, pois as adições líquidas continuam limitadas, acompanhadas de uma alta taxa de rotatividade e preços que permanecem contidos.
Para o ano de 2026, as projeções do JP Morgan estão cerca de 31% abaixo do consenso do mercado. O banco espera um lucro líquido ajustado de R$ 1,0 bilhão para o próximo ano, em comparação a R$ 1,5 bilhão que é a estimativa do mercado.
Revisão do BTG Pactual
Os resultados do terceiro trimestre de 2025 também levaram o BTG Pactual a revisar suas estimativas para a Hapvida. O banco diminuiu o preço-alvo de R$ 67 para R$ 50, que representa um potencial de valorização de 52,9% em relação ao preço de fechamento da ação em 12 de outubro. Apesar disso, a recomendação de compra foi mantida, embora com “menor confiança” segundo a análise realizada pela equipe do banco.
Fonte: www.moneytimes.com.br

