Prisão de Jair Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, neste domingo (23), sua crença de que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro não impactará a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula pretende abordar com o líder norte-americano suas preocupações acerca do aumento da presença militar dos EUA no Mar do Caribe.
A prisão de Bolsonaro ocorreu na manhã de sábado, quando a Polícia Federal cumpriu a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O despacho de prisão preventiva foi fundamentado em “novos elementos que indicam risco concreto de fuga e ameaça à ordem pública”.
Lula evitou comentar decisões da Suprema Corte durante uma coletiva de imprensa em Joanesburgo, após uma reunião do G20. Ele afirmou: “A Justiça tomou uma decisão. Ele foi julgado, teve todo o direito à presunção de inocência. Foram praticamente dois anos e meio de investigação, de delação, de julgamento. A Justiça decidiu, ele vai cumprir a pena que a Justiça determinou e todo mundo sabe o que ele fez”.
Após a prisão, Trump expressou, em declaração feita no mesmo sábado, que “é uma pena”. O presidente dos EUA, que mantinha uma amizade com Bolsonaro durante seus mandatos, impôs sanções a Alexandre de Moraes e uma tarifa de 50% sobre as importações norte-americanas de diversos produtos do Brasil, uma medida que começou a ser desmantelada neste mês.
Quando questionado se a prisão de Bolsonaro poderia voltar a influenciar negativamente as relações com Trump, Lula respondeu: “Acho que não tem nada a ver. Trump tem que saber que somos um país soberano, que a nossa Justiça decide e o que se decide aqui está decidido”.
Preocupações com a Presença Militar dos EUA
O presidente brasileiro destacou sua intenção de discutir com Trump a preocupação em relação ao crescente aparato militar dos Estados Unidos no Caribe. Observa-se que as forças norte-americanas na região têm intensificado operações antidrogas, especialmente em meio ao agravar das relações com a Venezuela. Desde setembro, tropas norte-americanas realizaram no mínimo 21 ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas, resultando na morte de ao menos 83 pessoas, a maioria no Caribe, embora operações também tenham ocorrido no Oceano Pacífico.
Quatro autoridades norte-americanas informaram à Reuters no sábado que os EUA planejam iniciar uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela nos próximos dias.
Lula manifestou sua preocupação, afirmando: “Me preocupa muito o aparato militar que os EUA colocaram no mar do Caribe. E eu pretendo conversar com o presidente Trump sobre isso porque está me preocupando. O Brasil tem responsabilidade na América do Sul”.
G20 e COP30
Lula também comentou sobre a cúpula do G20, realizada na África do Sul, e a cúpula climática COP30, que acontecerá no Brasil. Ele enfatizou que o multilateralismo permanece robusto, apesar da ausência dos EUA em ambos os eventos.
Líderes mundiais que se reuniram em Joanesburgo adotaram, no sábado, uma declaração que aborda a crise climática e outros desafios globais, desconsiderando a participação norte-americana.
Lula observou: “Os Estados Unidos não estavam presentes, portanto não sabemos se ele concordou ou não…(Trump) está tentando fazer uma pregação prática do fim do multilateralismo, e eu acho que vai vencer o multilateralismo. Todo mundo aqui sabe que juntos nós seremos muito mais fortes, muito mais competentes e temos mais facilidade de resolver os problemas do mundo”. Ele ainda acrescentou que assinará o acordo comercial do Mercosul com a União Europeia em 20 de dezembro.
Sobre os resultados dos dois eventos, Lula expressou satisfação. Ele ressaltou a necessidade de implementação das decisões acordadas durante a cúpula do G20.
A COP30 foi concluída em Belém no sábado, com um acordo climático que promete aumentar o financiamento para países em desenvolvimento lidando com o aquecimento global. Contudo, a proposta não incluiu menções sobre combustíveis fósseis, cuja redução gradual foi defendida por Lula.
O presidente reconheceu a complexidade da situação, afirmando: “Eu sabia que era difícil…o que nós quisemos, e conseguimos, foi começar um debate sobre uma coisa que todo mundo sabe que tem que acontecer”.
Fonte: www.moneytimes.com.br

