Dólar cai para R$ 5,37 com foco nas políticas monetárias dos EUA e do Brasil

Dólar cai para R$ 5,37 com foco nas políticas monetárias dos EUA e do Brasil

by Ricardo Almeida
0 comentários

Movimentações do Dólar

A política monetária dos Estados Unidos continua influenciando as movimentações do dólar. A percepção de que um novo corte nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) está se aproximando fortalece as apostas no mercado cambial.

O dólar à vista (USDBRL) fechou a sessão cotado a R$ 5,3767, representando uma queda de 0,34%.

Esse movimento reflete uma tendência externa. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, índice que compara o dólar com uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, registrava uma baixa de 0,48%, situando-se em 99,666 pontos.

O que impactou o dólar hoje?

O mercado de câmbio permanece influenciado pela política monetária vigente.

A expectativa de um novo corte nos juros pelo Federal Reserve mantém a maioria das apostas dos investidores. Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava uma probabilidade de 84,7% de que o Fed reduzisse os juros para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Ontem (24), esse índice era de 84,4%. Em contrapartida, as chances de manutenção da taxa caíram de 15,6% para 15,3% nesta terça-feira.

A próxima reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC) está agendada para os dias 9 e 10 de dezembro.

Mais uma vez, a expectativa de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário foi reforçada por declarações de diretores do Fed e novos dados econômicos. O diretor do Fed, Stephen Miran, comentou que a deterioração do mercado de trabalho decorre da taxa de juros estabelecida pelo Banco Central.

Em uma entrevista à Fox Business, Miran disse: “Precisamos reconhecer que a taxa de desemprego está em ascensão, o que é consequência de uma política monetária excessivamente restritiva”. Ele expressou preocupação de que, se não houver redução rápida das taxas de juros, a taxa de desemprego continuará a subir e a política monetária poderá contribuir para aumentos contínuos do desemprego, o que seria prejudicial.

Na última decisão do FOMC, Miran foi um dos votos dissidentes, optando por um corte maior de 0,50 ponto percentual.

Além disso, o índice de confiança do consumidor caiu para 88,7 neste mês, comparado a 95,5 em outubro (número revisado para cima), conforme dados da Conference Board. Economistas consultados pela Reuters haviam previsto uma queda menos acentuada, para 93,4, frente ao 94,6 em outubro divulgado anteriormente.

As vendas no varejo dos Estados Unidos apresentaram um crescimento de 0,2% em setembro, após um crescimento não revisado de 0,6% em agosto, segundo o Departamento de Comércio do país, em contrariedade à expectativa de um aumento de 0,4% para o mês.

O índice de preços ao produtor (PPI) teve um aumento de 0,3%, após uma queda não revisada de 0,1% em agosto, em concordância com as projeções do mercado.

Além disso, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, informou que o processo de seleção para um novo presidente do Fed está em andamento e que existe uma “boa chance” de que o presidente Donald Trump faça o anúncio antes do Natal. O mandato do atual presidente do Fed, Jerome Powell, termina em maio.

Outro ponto que ainda chama a atenção dos investidores é um possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. Um funcionário dos EUA comunicou à CBS News que a Ucrânia “aceitou o acordo de paz”, embora ainda faltem ajustes finais antes de sua formalização.

Taxas de Juros no Brasil

Além das questões internacionais, o dólar também perdeu força frente ao real devido à expectativa no mercado relacionada ao início do ciclo de cortes na Selic.

Na manhã de hoje, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, mencionou que a elevação na taxa Selic não se encontra mais no cenário-base da autoridade monetária.

Em um evento realizado em São Paulo, promovido pela EuroFinance, David ressaltou que o nível de incerteza no ambiente econômico é significativo, o que impede o Banco Central de “baixar muito a guarda”. Contudo, ele ponderou que os dados econômicos estão se aproximando do cenário esperado pela instituição. “Basicamente, afirmamos que, mesmo que o Banco Central não hesite em aumentar os juros, se necessário, hoje, aumentar os juros não faz parte do cenário principal do Banco Central nem da sua distribuição”, declarou. “Atualmente, a expectativa é que, se tivermos sucesso, o próximo movimento seja um corte. A única dúvida é em relação ao timing desse corte.”

Novas declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também influenciaram o mercado cambial. Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, ele reiterou que o BC não deve perseguir o limite superior da meta de inflação, que é de 4,5%, mas sim o centro da meta, estabelecido em 3%. Galípolo afirmou: “A meta não é a banda superior. A banda foi criada para lidar com flutuações na inflação. Existem flutuações, e um ‘buffer’ foi estabelecido para amortecer possíveis oscilações. Mas de forma alguma a meta é de 4,5%”, e enfatizou: “Meu objetivo é perseguir uma meta de inflação de 3%”.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy