Como funciona o Miss Universo em 2025
A edição de 2025 do Miss Universo, o principal concurso de beleza do mundo, ocorreu na última sexta-feira, dia 21, e se destacou como um dos eventos mais tumultuados da sua história. A competição começou com uma polêmica: o organizador tailandês fez um comentário desairoso em relação à Miss México, Fátima Bosch, reclamando que ela não publicou conteúdo suficiente sobre a Tailândia em suas redes sociais. Ironia do destino, Fátima Bosch acabou sendo coroada campeã do concurso, levantando questionamentos sobre essa relação.
Além dessa controvérsia inicial, o concurso enfrentou outras dificuldades, como denúncias de votos ilegítimos, membros do júri que abandonaram seus postos e desistências inesperadas, que aumentaram a tensão nos bastidores do evento. Recentemente, as representantes da Miss Estônia e da Miss Costa do Marfim apresentaram suas renúncias ao título, como forma de protesto.
Outra questão que gerou polêmica envolve a petroleira mexicana Pemex. Documentos indicam relações entre o pai da vencedora, Fátima Bosch, e executivos da estatal em um contrato milionário assinado no mesmo período em que Raúl Rocha Cantú, atual presidente do Miss Universo e maior acionista da franquia, também tinha negócios com a empresa. Embora não haja provas de que Bosch tenha influenciado o resultado do concurso, essas circunstâncias levantam suspeitas sobre a integridade do evento.
Uma informação fundamental e pouco conhecida sobre o concurso é que o Miss Universo é, na essência, uma franquia global.
O modelo de negócio do Miss Universo
O concurso opera como uma marca internacional de entretenimento que se sustenta através de mídia, publicidade e royalties pagos pelos países participantes. Para exemplificar, a gestão da franquia foi, por um período de quase 20 anos, responsabilidade do empresário Donald Trump.
A marca Miss Universo funciona de maneira semelhante a redes como o McDonald’s: cada nação paga para licenciar a marca em seu território, o que lhe permite realizar seu próprio concurso nacional, enviar sua representante e utilizar oficialmente o nome do evento. Esta prática é uma das principais fontes de receita da empresa. As taxas variam de acordo com o país e sua tradição em concursos, e os contratos proíbem os franqueados de divulgar valores, evitando assim comparações entre mercados distintos.
Além dos pagamentos de franquia, o Miss Universo obtém receita das seguintes fontes:
- Direitos de transmissão para emissoras de TV e plataformas de streaming ao redor do mundo;
- Patrocínios globais;
- Venda de ingressos para eventos;
- Licenciamento da marca para produtos, roupas e cosméticos;
- Merchandising e conteúdo digital;
- Eventos paralelos relacionados à marca.
A estratégia de Donald Trump no Miss Universo
De 1996 a 2015, Donald Trump foi co-proprietário do Miss Universo, usando o concurso como um componente estratégico para a ampliação de seus negócios internacionais. Ao unir a diversão com o conhecimento de mercado, Trump utilizava o evento para fortalecer interesses comerciais em países onde possuía investimentos e, ao mesmo tempo, reforçar sua rede de contatos com empresários, políticos e celebridades.
De acordo com relatos de ex-candidatas, Trump se envolvia diretamente na seleção das finalistas, favorecendo aquelas oriundas de regiões onde pretendia expandir seus negócios ou onde o concurso detinha maior audiência. Algumas participantes da competição comentaram que Trump frequentemente visitava os bastidores, observando as concorrentes enquanto elas se trocavam, o que levantou questões sobre o uso inadequado de sua posição de poder.
Além disso, o empresário se destacou por seus comentários muitas vezes considerados ofensivos. A primeira vencedora sob sua gestão, a venezuelana Alicia Machado, recebeu apelidos depreciativos como “Miss Housekeeping” e “Miss Piggy” após ganhar peso, refletindo o desdém de Trump em relação a questões relacionadas à sua aparência.
- Notavelmente, o termo “Miss Piggy” foi novamente usado por Trump em novembro de 2021, quando respondeu a uma repórter da Bloomberg sobre documentos relacionados a Jeffrey Epstein, tratando-a de forma desrespeitosa.
No ano de 2015, Trump vendeu sua participação no Miss Universo para a IMG, uma empresa do grupo Endeavor. Em 2022, a franquia foi adquirida pela JKN Group, liderada pela empresária tailandesa trans Anne Jakrajutatip, que se tornou a primeira mulher a assumir a direção do concurso desde a sua criação, em 1952.
A relevância continua
Apesar das controvérsias constantes e da diminuição da audiência em certos países, o Miss Universo mantém sua relevância. A estrutura de franquias garante sua presença em mais de cem países, resultando em um fluxo contínuo de receitas via licenciamento, além de manter o interesse de emissoras de televisão, patrocinadores e plataformas digitais que ainda enxergam valor comercial no evento.
Para as candidatas, a manutenção dessa relevância representa oportunidades significativas. A campeã Fátima Bosch, por exemplo, garantiu um salário anual de US$ 250 mil, além de um prêmio em dinheiro que possui valor semelhante, benefícios como moradia, viagens e aparições públicas financiadas pela organização. Adicionalmente, Bosch conquistou a coroa Lumière de l’Infini, avaliada em mais de US$ 5 milhões, que é considerada a decoração mais valiosa já utilizada no Miss Universo.
Fonte: www.moneytimes.com.br

