Debate sobre Vacinação Hepatite B para Recém-Nascidos
O Secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (HHS), Robert F. Kennedy Jr., participa de uma coletiva de imprensa para discutir a reforma do seguro de saúde, realizada no Departamento de Saúde e Serviços Humanos em Washington, D.C., no dia 23 de junho de 2025.
Votação sobre a Recomendações de Vacinação
Está agendada uma votação para quinta-feira, realizada pelo comitê de vacinação escolhido por Kennedy, sobre a mudança de uma recomendação estabelecida que determina que toda criança deve receber a vacina contra a hepatite B nas primeiras 24 horas após o nascimento.
A eficácia da decisão do grupo, conhecido como Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização (ACIP), ainda é incerta, pois não está claro se haverá um adiamento significativo ou a eliminação completa da recomendação de vacinação no nascimento. Em setembro, o comitê adiou a votação sobre a vacina devido a pedidos de uma discussão mais aprofundada por parte de alguns membros.
Implicações Potenciais da Mudança
Qualquer modificação na recomendação pode ter consequências abrangentes, de acordo com especialistas em saúde pública. Muitos alertam que a redução na vacinação de recém-nascidos contra o vírus pode resultar em um aumento das infecções crônicas entre as crianças. A hepatite B, que pode ser transmitida da mãe para o bebê durante o parto, pode levar a doenças hepáticas graves e até morte prematura, sendo que não existe cura disponível para essa condição.
Neil Maniar, professor de saúde pública na Universidade Northeastern, afirmou em entrevista à CNBC que "temos uma vacina que é altamente eficaz na prevenção de uma doença incurável. Deveríamos tirar pleno proveito disso".
Histórico da Vacinação contra Hepatite B
A recomendação para a dose de nascimento foi introduzida em 1991, sendo reconhecida por reduzir as infecções em crianças em até 99% desde então. Maniar descreveu essa redução como uma "história de sucesso notável que corremos o risco de reverter" caso o comitê altere suas recomendações.
As decisões tomadas pelo ACIP não possuem caráter legalmente vinculativo, pois a responsabilidade de determinar a obrigatoriedade das imunizações cabe a cada estado. No entanto, as recomendações do comitê têm um impacto significativo na cobertura das vacinas por planos de saúde privados e programas de assistência do governo, que podem disponibilizar as vacinas sem custo para as crianças elegíveis.
Nova Composição do Comitê
A reunião do painel, que ocorrerá em Atlanta em um encontro de dois dias, se dá após Kennedy ter modificado significativamente a composição do comitê, nomeando 12 novos membros, entre os quais se encontram críticos conhecidos das vacinas. Durante a reunião de setembro, alguns conselheiros levantaram questões sobre se os benefícios da vacina superam possíveis riscos à segurança.
Segurança da Vacinação
Entretanto, Dr. Sean O’Leary, presidente do Comitê sobre Doenças Infecciosas da Academia Americana de Pediatria (AAP), afirmou em uma coletiva de imprensa na terça-feira que a vacina é "incrivelmente segura, com riscos minimais". O’Leary, que atuou como pediatra geral por oito anos e trabalhou em uma unidade neonatal, mencionou que "nunca vi um caso de febre realmente associado à vacina contra hepatite B".
A AAP, que publica seu próprio calendário de vacinação, ainda recomenda a administração universal da dose de nascimento da vacina contra hepatite B, pois "isso salva vidas", acrescentou O’Leary.
Revisão de Estudos sobre a Vacina
Uma nova revisão, publicada na terça-feira e que abrange mais de 400 estudos realizados ao longo de quatro décadas, também não encontrou evidências de que adiar a dose de nascimento da vacina contra hepatite B universal melhore a segurança ou a eficácia da imunização. A análise apontou que a dose de nascimento não causa eventos adversos graves a curto ou longo prazo, nem óbitos.
Um estudo do CDC de 2024 revelou que o atual calendário de vacinação ajudou a prevenir mais de 6 milhões de infecções por hepatite B e quase 1 milhão de hospitalizações relacionadas à enfermidade.
Fabricantes da Vacina
As vacinas contra hepatite B utilizadas desde o nascimento são fabricadas pela Merck e GSK. Apesar de sua importância para a saúde pública, nenhuma dessas vacinas representa uma fonte significativa de receita para as empresas.
Contudo, durante a reunião do painel em setembro, a Merck expressou resistência à mudança na recomendação. Dr. Richard Haupt, chefe de assuntos médicos e científicos globais da Merck para vacinas e doenças infecciosas, afirmou que a reconsideração da vacinação de recém-nascidos contra a hepatite B sob o cronograma estabelecido apresenta um grave risco à saúde das crianças e à saúde pública, podendo levar a um ressurgimento de doenças infecciosas evitáveis.
Fonte: www.cnbc.com
