A Comissão Europeia e o Mercosul: Reunião Crucial para Acordo de Livre Comércio
A Comissão Europeia realizou uma reunião importante nesta quarta-feira, 7 de junho, com o objetivo de esclarecer as preocupações de alguns países membros a respeito do acordo de livre comércio com o Mercosul, que é objeto de negociação há 25 anos.
Expectativas de Aprovação
Em entrevista ao CNN Money, Rubens Barbosa, presidente do Grupo Interesse Nacional e ex-coordenador nacional do Mercosul, expressou otimismo quanto à aprovação desse acordo, prevendo que a assinatura por Ursula von der Leyen ocorrerá na próxima segunda-feira, dia 12.
Barbosa declarou: “A Itália estaria propensa a mudar de posição. Apesar da forte oposição da França, tudo indica que o acordo deverá ser votado amanhã, 9, e que a aprovação pela União Europeia é bastante provável. Temos informações de que a presidente do Conselho Europeu deve viajar ao Paraguai para a assinatura do acordo na segunda-feira”.
Oposição da França
A França continua a se opor de maneira contundente ao acordo. Agricultores franceses estão bloqueando estradas de acesso a Paris como forma de protesto contra o tratado.
No entanto, para facilitar a aprovação, a Comissão Europeia propôs a alocação de 45 milhões de euros em fundos para os agricultores no próximo orçamento de sete anos do bloco, além de outras medidas que irão simplificar e beneficiar os viticultores.
Motivações Geopolíticas e Benefícios Comerciais
Segundo o especialista Rubens Barbosa, a União Europeia reconheceu que, por motivos geopolíticos, é do seu interesse assinar esse acordo, que se configurará como o maior tratado de livre comércio entre continentes no mundo.
Ele explicou: “O acordo abre canais de exportação, especialmente para países como Alemanha, Inglaterra e França, em direção ao Brasil e ao Mercosul em geral”.
Impactos no Brasil
Para o Brasil, esse acordo pode servir como um estímulo para melhorar as condições de competitividade dos produtos nacionais, de acordo com Barbosa.
Com a implementação do acordo, 90% dos produtos europeus poderão ingressar no Mercosul com tarifa zero, o que exigirá do Brasil uma série de medidas destinadas a reduzir o que é conhecido como “custo Brasil” e aprovar reformas que favoreçam a competitividade no mercado.
Benefícios para os Consumidores Brasileiros
Barbosa também destacou que os consumidores brasileiros poderão se beneficiar com a maior importação de alimentos e produtos industriais europeus a preços mais baixos, uma consequência direta da eliminação de tarifas, o que deverá incentivar o consumo interno.
Ele acrescentou: “Isso vai incentivar empresas europeias a investir no Brasil, estabelecendo suas operações aqui”.
Próximos Passos para o Acordo
Está previsto que o acordo entre em vigor na segunda metade deste ano, depois de passar pela aprovação dos parlamentos dos quatro países do Mercosul e do Parlamento Europeu. Apesar das cotas de exportação para produtos agrícolas serem consideradas baixas, Barbosa afirma que “o acordo funcionará e será positivo para ambos os lados”.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

