Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia
Confirmação do Acordo
A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) destacou em um comunicado, na sexta-feira (9), que considera o anúncio da confirmação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia como algo positivo. A entidade acredita que esse pacto poderá gerar oportunidades significativas para a ampliação das exportações brasileiras no setor químico.
O presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, afirmou que "o acordo representa uma oportunidade concreta de reposicionar a indústria química brasileira em cadeias globais de maior valor agregado".
Aprovação do Acordo
Na mesma data, os países da União Europeia deram sinal verde para que o bloco formalize seu maior acordo de livre comércio com o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações. Esse processo foi marcado por meses de disputas para garantir o apoio necessário.
A aprovação prevê que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o acordo com os países do Mercosul, que incluem Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, em cerimônia marcada para ocorrer em Assunção. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, essa cerimônia de assinatura está agendada para o dia 17 de janeiro.
Impacto na Indústria Química
A confirmação do acordo surge em um momento em que diversos setores da indústria química brasileira, como o petroquímico, enfrentam desafios devido ao excesso de oferta da China nos mercados globais. Essa situação tem pressionado os preços internacionais e impactado negativamente os resultados financeiros do setor.
Conforme mencionado por Cordeiro, o acordo não apenas amplia o acesso a novos mercados, como também incentiva o intercâmbio tecnológico e cria um ambiente mais previsível e moderno para investimentos. Áreas como bioeconomia, química de base renovável e energia limpa podem se beneficiar significativamente.
Balança Comercial
A balança comercial da indústria química entre Brasil e União Europeia, segundo dados da Abiquim, fechou o ano anterior com um saldo negativo de US$ 13,5 bilhões. Esse valor é um aumento em relação ao déficit de US$ 12,7 bilhões registrado em 2024.
Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente US$ 2,2 bilhões para países da União Europeia, em comparação aos US$ 2 bilhões exportados em 2024. Em contrapartida, as importações de produtos químicos da União Europeia para o Brasil somaram US$ 15,7 bilhões em 2025, em comparação aos US$ 14,7 bilhões registrados em 2024.
Categorias Comerciais
A maior categoria na troca comercial do setor químico é a farmacêutica, conforme os dados da Abiquim, onde as importações brasileiras atingiram US$ 8,7 bilhões no ano anterior. No que diz respeito às exportações, os produtos químicos orgânicos foram a categoria de maior destaque, com receitas de US$ 542,7 milhões, englobando itens como solventes, gases e cotantes.
A Abiquim esclareceu que o tratado prevê uma ampla liberalização tarifária tanto para bens industriais quanto agrícolas, respeitando as indústrias de cada mercado em prazos escalonados.
Oferta do Mercosul
A oferta do Mercosul prevê a liberalização de aproximadamente 91% dos bens e 85% do valor das importações brasileiras oriundas da União Europeia. Do lado europeu, a oferta abrange cerca de 95% dos bens e 92% do valor das importações do Brasil, conforme relatórios da Abiquim.
O acordo também inclui cláusulas sobre sustentabilidade, compras governamentais, propriedade intelectual e novas tecnologias, conforme indicado pela entidade.
Reação da FIESP
Posicionamento da FIESP
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou "entusiasmo" com a autorização para a assinatura do acordo comercial. A entidade observou que, embora o texto não seja perfeito, representou um compromisso possível para alinhar os interesses de 31 países em um contexto de mudança no comércio internacional.
Mudanças nas Relações Comerciais
A Fiesp reconhece que o acordo deve alterar substancialmente a maneira como empresas do Mercosul e da União Europeia conduzem negócios, incluindo importações, exportações e investimentos mútuos.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, comentou que agora "o trabalho de verdade começa". Ele ressaltou a importância de inovar, melhorar a produtividade e buscar excelência nas operações internas das fábricas, a fim de competir com os concorrentes europeus. Skaf também destacou a necessidade de garantir "isonomia competitiva", que possibilite ao empreendedor nacional se desenvolver e aproveitar ao máximo as oportunidades que o acordo poderá proporcionar.
Acordo em Processo de Validação
Para que o acordo entre em vigor, ainda é necessário que seja assinado e ratificado pelo Congresso do Brasil e pelo Parlamento Europeu.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


