Um Ano do Segundo Mandato de Donald Trump
O segundo mandato de Donald Trump completou um ano nesta terça-feira, 20 de fevereiro de 2026. Este período foi marcado por intensas mudanças e embates comerciais que transformaram significativamente o cenário econômico global.
Medidas Controversas e a Guerra Comercial
Durante o seu primeiro ano, Trump implementou várias medidas consideradas controversas pelo mercado. O início desse processo foi assinalado pelo anúncio de tarifas dirigidas a países como China, México e Canadá, feito em fevereiro de 2025, pouco menos de um mês após a sua posse.
As decisões levaram a um contexto de guerra comercial, especialmente com a China, embora ambos os países tenham começado a avançar nas negociações posteriormente.
Em abril de 2025, no que ficou conhecido como “Dia da Libertação”, Trump expandiu os pacotes de tarifas para incluir diversos outros países, entre os quais estavam o Brasil e nações da União Europeia. Em julho do mesmo ano, o Senado dos Estados Unidos aprovou o pacote intitulado “One Big, Beautiful Bill”, que consistiu no corte de impostos e gastos, uma das prioridades do governo.
Análise Econômica do Mandato
O economista-chefe da Nomad, Danilo Igliori, ofereceu uma análise do primeiro ano de mandato de Trump, ressaltando um paradoxo. Em suas palavras, “Temos dois elementos importantes que mostram algo pouco estranho. De um lado, quando seguimos essa lista de eventos, o nome que vem à cabeça é incerteza. Teve muita ação impactante potencialmente para a economia, principalmente relacionada às tarifas”.
No entanto, Igliori também destacou que os indicadores econômicos reais contam uma história diferente. Ele afirmou: “Quando olhamos para os indicadores econômicos, temos uma inflação que, se não convergiu para a meta, também não repicou. A taxa de desemprego subiu, mas ainda está em nível muito baixo. A taxa de juros começa a cair e o PIB tudo indica que vai crescer acima de 2%.”
Desafios Institucionais e Tensão com o Federal Reserve
Um dos aspectos mais preocupantes desse primeiro ano foi o embate de Trump com instituições norte-americanas, em particular com o Federal Reserve (Fed).
Em julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos ameaçou demitir o presidente do Fed, Jerome Powell, após meses de críticas públicas à instituição. A situação escalou ainda mais em agosto, quando Trump demitiu Lisa Cook, uma membro do conselho do Fed, gerando um embate judicial sobre a autonomia da autoridade monetária.
Outro evento marcante desse período foi o shutdown governamental que ocorreu entre outubro e novembro de 2025, sendo esse o mais longo da história americana, resultando em demissões em massa no serviço público. Em janeiro de 2026, os Estados Unidos realizaram um ataque à Venezuela que culminou na captura de Nicolás Maduro, o qual permanece detido em território americano.
Impactos Econômicos e Perspectivas Futuras
Um dos efeitos mais significativos das políticas adotadas por Trump foi a desvalorização do dólar em nível global.
De acordo com Igliori, esse fenômeno está relacionado à incerteza institucional e à maneira como os Estados Unidos têm manejado sua posição hegemônica: “Muita gente começou a tirar recursos dos Estados Unidos e diversificar geograficamente de uma forma melhor. O resultado: dólar para baixo. É bastante provável que essa dinâmica continue em 2026.”
A questão da autonomia do Federal Reserve continua a ser um ponto crítico para o futuro próximo, principalmente com o término do mandato de Jerome Powell previsto para maio de 2026.
“A pergunta agora está em cima do nome que irá substituir Powell e, mais importante do que isso, se essa pessoa irá ou não se dispor a representar a Casa Branca dentro do Banco Central”, conclui o economista.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


