Dívida pública federal sobe 18% em 2025, alcançando R$ 8,6 trilhões, e pode chegar a R$ 10,3 trilhões em 2026.

Dívida pública federal sobe 18% em 2025, alcançando R$ 8,6 trilhões, e pode chegar a R$ 10,3 trilhões em 2026.

by Ricardo Almeida
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Dívida Pública Federal de 2025

A dívida pública federal encerrou o ano de 2025 em R$ 8,635 trilhões, com um crescimento de 18% em comparação ao ano anterior. A informação foi divulgada pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira, que projetou que, ao final de 2026, o valor total da dívida poderá alcançar até R$ 10,3 trilhões, devido ao aumento dos custos financeiros decorrentes de um nível elevado dos juros.

Resultados e Expectativas

O resultado da dívida pública ficou dentro do intervalo estipulado como meta no Plano Anual de Financiamento (PAF) do Tesouro para 2025, que variava entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões, e que foi revisado em setembro. Contudo, o estoque final superou as expectativas iniciais da pasta, que considerava um total de até R$ 8,5 trilhões.

Em comparação aos dados de dezembro, a dívida pública federal teve um crescimento de 1,82% em relação ao mês anterior. Durante esse período, a dívida interna aumentou 1,76%, totalizando R$ 8,309 trilhões, enquanto a dívida externa registrou uma alta de 3,53%, somando R$ 326 bilhões.

Para o ano de 2026, o Tesouro estabeleceu uma nova meta, prevendo que a dívida pública federal deverá terminar o ano em um intervalo de R$ 9,7 trilhões a R$ 10,3 trilhões, um valor que representa um aumento considerável em relação ao ano de 2025.

Impactos dos Juros

Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, comentou sobre o impacto do nível elevado dos juros nos Estados Unidos, que influencia taxas ao redor do mundo e, consequentemente, também afeta o custo da dívida pública brasileira. Ele destacou que o efeito do nível de juros básicos definido pelo Banco Central tem um “efeito relevante” nas finanças do governo.

Ceron afirmou ainda que o Banco Central está próximo de atingir os objetivos traçados para o ciclo de restrição da política monetária. Segundo ele, a expectativa é de que essa situação resulte em um alívio significativo na gestão da dívida pública.

O secretário ressaltou a redução contínua do déficit fiscal do governo e destacou que esse fator não é determinante para a dívida pública. Ele observou que o impacto da política monetária do Banco Central sobre o endividamento é considerável.

Atualmente, o Banco Central mantém a taxa básica de juros em 15% ao ano, um patamar que não era visto há quase duas décadas. Essa medida visa controlar a atividade econômica e levar a inflação aos níveis definidos como meta. Contudo, essa estratégia também resulta em um aumento nos gastos do governo com juros da dívida, uma vez que quase metade do estoque é indexada à taxa Selic.

Prazos e Participações

De acordo com os dados apresentados pelo Tesouro, a proporção dos títulos atrelados à Selic aumentou de 46,3% no final de 2024 para 48,3% em dezembro de 2025, dentro da meta que variava de 48% a 52%, conforme o PAF. Para 2026, a previsão é que esta participação fique entre 46% e 50%.

O Tesouro adiantou que para 2026, a intenção é manter os títulos atrelados à Selic como um instrumento relevante de financiamento.

No que diz respeito aos papéis prefixados, sua participação ficou em 22,0% do total ao final de 2025, mantendo o mesmo nível observado em dezembro de 2024. Esse patamar encontra-se dentro da meta de 19% a 23% e deverá ficar entre 21% e 25% em 2026, conforme o PAF.

Os papéis indexados à inflação representaram 25,9% da dívida ao final de 2025, uma redução em relação aos 27,0% registrados no ano anterior. A meta para esses títulos era de 24% a 28%, e para 2026, a expectativa é que eles representem entre 23% e 27% do total.

Quanto aos títulos que possuem remuneração pelo câmbio, sua participação foi de 3,8% da dívida total em dezembro de 2025, abaixo dos 4,8% observados no final de 2024, mas ainda dentro da faixa de 3% a 7% estabelecida como meta. Para 2026, a previsão é que a participação se mantenha entre 3% e 7%.

Perspectivas para o Futuro

O Tesouro Nacional planeja uma ampliação gradual da atuação do Brasil nos mercados internacionais, e Ceron afirmou que a emissão externa de títulos da dívida pública deverá ser mais agressiva e frequente. De acordo com as projeções do órgão, a participação de títulos cambiais no estoque da dívida pública deverá atingir 7% a longo prazo.

Outra meta do Tesouro é que a parcela da dívida que vence em até 12 meses permaneça no intervalo de 18% a 22% em 2026, após ter fechado o ano anterior em 17,5%. Para o prazo médio da dívida, a expectativa é que fique entre 3,8 anos e 4,2 anos, considerando que a proporção fechou em 4,0 anos no final de 2025.

Colchão de Liquidez

Ao fim do ano de 2025, a reserva de liquidez, também chamada de colchão de segurança para a gestão da dívida pública, atingiu R$ 1,19 trilhão, o que é considerado suficiente para cobrir 7,3 meses de vencimentos. Esse nível é classificado como confortável pelo Tesouro Nacional. Ceron mencionou que essa atuação permitiu ao país estar preparado para eventuais volatilidades no mercado durante o ano eleitoral, além de se preparar para um volume significativo de vencimentos de títulos em 2027.

Em relação ao custo médio do estoque da dívida, verificou-se um aumento para 11,85% ao ano, em comparação a 11,80% no final do ano anterior. O custo médio das emissões da dívida interna também apresentou crescimento, subindo para 13,81%, contra 11,04% em dezembro de 2024. A participação de não residentes na dívida pública interna aumentou de 10,20% em 2024 para 10,35% ao final de 2025.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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