China e Reino Unido buscam reestabelecer sua relação — saiba como

China e Reino Unido buscam reestabelecer sua relação — saiba como

by Patrícia Moreira
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Reunião Bilateral Entre China e Reino Unido

Após anos de relações tensas, China e Reino Unido buscam desenvolver uma parceria estratégica de longo prazo, seguindo um encontro de alto nível entre o presidente chinês Xi Jinping e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer.

Starmer está em uma visita de quatro dias à China, a primeira de um primeiro-ministro britânico em oito anos, visando uma tentativa de redefinir as relações entre os dois países após um período de desconfiança e animosidade.

O Reino Unido frequentemente acusou a China de realizar espionagem em seu território, considerando-a um desafio estratégico de longo prazo. Um relatório do Financial Times, publicado na terça-feira, indicou que autoridades britânicas planejam aumentar a supervisão das atividades chinesas devido a preocupações relacionadas a riscos de segurança nacional.

Tensões Anteriores

As repressões de Pequim a protestos democráticos em Hong Kong, que foi uma antiga colônia britânica, assim como a imposição de uma ampla legislação de segurança nacional em 2020, agravaram ainda mais as relações bilaterais. Enquanto isso, empresas britânicas na China sinalizam um ambiente de negócios desafiador no país.

Em dezembro, o governo britânico tomou medidas para restringir duas empresas de tecnologia baseadas na China, alegando que estas estavam envolvidas em ciberataques que, segundo afirmaram, comprometeram a segurança e a prosperidade do Reino Unido.

Nesse contexto, os desdobramentos registrados na quinta-feira apontam para uma mudança positiva nas relações.

Cooperação e Novas Iniciativas

Os dois países anunciaram que vão ampliar a cooperação em áreas chave, como educação, saúde, finanças, pesquisa em inteligência artificial, ciências biológicas e desenvolvimento de novas energias, conforme uma declaração divulgada pela mídia estatal chinesa na quinta-feira.

Pequim também considerará a possibilidade de permitir a entrada livre de visto para cidadãos britânicos, de acordo com a declaração, enquanto pede a Londres a criação de um ambiente justo e não discriminatório para empresas chinesas que atuam no Reino Unido.

Starmer disse a Xi no início da reunião que era “vital construir uma relação mais sofisticada”, de forma que ambas as partes pudessem identificar áreas para mais colaborações e diálogo, segundo informações da Reuters.

O governo britânico planeja manter comunicações de alto nível com Pequim e aprofundar parcerias de comércio e investimento, conforme indicado pela leitura chinesa sobre o encontro.

Após a cúpula com Xi, Starmer descreveu a reunião como “positiva” e um encontro que resultou em “resultados produtivos”, acrescentando que a relação estava em um “bom e forte lugar”, segundo informações da Reuters.

Aproximações e Dinâmicas Internacionais

A viagem de Starmer ocorre em um momento em que a política externa do presidente dos EUA, Donald Trump, e as ameaças tarifárias têm desestabilizado aliados tradicionais, enquanto Pequim tem recebido diversos líderes ocidentais neste mês, entre os quais se encontram o primeiro-ministro canadense Mark Carney, o primeiro-ministro da Irlanda, Michael Martin — sendo essa a primeira visita de um líder irlandês em 14 anos — e o primeiro-ministro finlandês Petteri Orpo.

Xi disse a Starmer que “o unilateralismo, o protecionismo e a política de poder têm estado desenfreados, impactando severamente a ordem internacional”. Xi também instou as principais potências econômicas a “liderar” na implementação de leis internacionais, alertando que, “caso contrário, regredir-se-á a um mundo semelhante a uma selva”. Essa informação foi traduzida pela CNBC a partir da declaração chinesa.

A mudança diplomática de Starmer parece refletir uma postura semelhante à do Canadá, que assinou um acordo comercial com a China no início deste mês, após a visita de Carney, já que Ottawa busca diversificar seus parceiros de comércio e investimento em meio a fricções persistentes com Washington.

Na quarta-feira, Starmer pediu a dezenas de líderes empresariais britânicos que o acompanhavam que aproveitassem as oportunidades na segunda maior economia do mundo.

O governo do Reino Unido declarou em sua nota na quarta-feira que buscará uma “relação estratégica e consistente” com Pequim, visando fortalecer novos investimentos e relações comerciais, ao mesmo tempo em que permanecem vigilantes quanto a potenciais ameaças à segurança.

Na semana passada, o governo britânico aprovou planos para abrir uma nova e ampla Embaixada Chinesa em Londres, após uma proposta que havia sido adiada por anos devido a preocupações políticas e de segurança.

Empresas britânicas na China enfrentam um ambiente de negócios deteriorado há seis anos consecutivos, de acordo com a Câmara de Comércio Britânica na China. Quase 60% das mais de 300 empresas britânicas consultadas afirmaram que realizar negócios no país se tornou mais difícil do que no ano anterior, conforme um relatório publicado em dezembro. “O cenário de negócios continua complexo e muitas vezes imprevisível”, diz o documento, citando a desaceleração econômica, pressões regulatórias e riscos geopolíticos.

No entanto, não houve sinais fortes de uma ampla mudança em direção à retirada do mercado chinês, conforme indicado pelo relatório, com muitas empresas continuando a ver a China como um mercado-chave, embora pareçam mais cautelosas em relação aos planos de expansão.

O déficit comercial do Reino Unido com a China aumentou mais de 18% ano a ano, atingindo 42 bilhões de libras (equivalente a 58,1 bilhões de dólares) nos 12 meses que se encerraram em junho de 2025, conforme dados do governo britânico.

— Reportagem de Evelyn Cheng, da CNBC, colaborou para este artigo.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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