O alerta de Powell ao futuro presidente do Fed revela muito sobre a relação com Trump

O alerta de Powell ao futuro presidente do Fed revela muito sobre a relação com Trump

by Fernanda Lima
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Coletiva de Imprensa de Jerome Powell

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, optou por não responder a três perguntas consecutivas relacionadas à política durante a coletiva de imprensa realizada na quarta-feira, dia 28. Essa atitude reflete a imagem objetiva que ele construiu ao longo de sua trajetória.

Quando Matt Egan, da CNN, questionou Powell sobre quais conselhos ele daria ao sucessor que assumirá o cargo ao final de seu mandato em meados de maio, o presidente do banco central dos Estados Unidos fez uma pausa, riu e compartilhou três orientações:

  • Fique fora da política;
  • Seja responsável diante do Congresso e trabalhe diligentemente para construir relacionamentos com os supervisores do Fed;
  • Valorize os profissionais dedicados que se esforçam diariamente para promover a missão independente do Federal Reserve.

Essas respostas revelam muito sobre o legado que Powell pretende deixar na instituição na qual ele tem servido por 14 anos, sendo nove deles como presidente. Ele resumiu seu compromisso com o “bem-estar público” e a necessidade de se manter afastado da política.

No decorrer do governo de Donald Trump, a independência do Fed foi ameaçada, mas Powell enfatizou que essa autonomia é crucial para preservar a credibilidade da instituição, que é essencial para servir ao público, mantendo baixos os índices de desemprego e inflação.

Durante o último ano, Trump e seus aliados dispararam ataques incessantes ao Fed, alegando que a instituição foi lenta em reduzir as taxas de juros. O governo, inclusive, apresenta argumentos à Suprema Corte para justificar a demissão de Lisa Cook, indicada pelo presidente Joe Biden.

Powell justificou sua participação nas audiências sobre o caso, considerando-o “talvez o mais importante da história de 113 anos do banco central dos EUA”. Os ataques de Trump ao Fed, por sua vez, resultaram em um fortalecimento do apoio à independência política da instituição.

Os Ataques de Trump ao Fed

A campanha de Trump contra o Fed tomou um rumo inesperado no início deste mês, quando procuradores federais iniciaram investigações sobre uma reforma em andamento na sede do banco central em Washington, D.C., com Powell como um dos alvos.

Em um vídeo divulgado em 12 de janeiro, Powell refutou as críticas do governo, descrevendo a investigação federal como um “pretexto” para minar a independência do Fed e alertando para a criação de um cenário onde “a política monetária será orientada por pressão política ou intimidação”.

Após o Fed anunciar a manutenção das taxas de juros, Powell evitou comentários adicionais sobre a declaração contra Trump, reiterando que a independência do Fed “serviu bem ao povo”.

Como insinuou na coletiva de imprensa, vários membros do Congresso, incluindo republicanos, manifestaram apoio a Powell. De modo mais amplo, discutiram sobre como a instituição deve operar além do mandato de Powell como presidente. Autoridades atuais e ex-integrantes do Fed também se opõem às tentativas de Trump de desestabilizar a instituição.

Subadra Rajappa, chefe de pesquisa da empresa de serviços financeiros Société Générale, declarou: “Todos estão a favor da independência do Fed. Não me surpreende que tenha havido um apoio tão expressivo, e esse é exatamente o tipo de afirmação da independência que os mercados desejam”.

O Apoio dos Republicanos

Após a declaração em vídeo de Powell, diversos senadores de ambos os partidos manifestaram apoio ao presidente do Fed, algo que é essencial, uma vez que alguns deles fazem parte da Comissão Bancária do Senado, que analisará a indicação de Trump para substituir Powell.

O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte e membro da comissão, afirmou que se oporá à confirmação de qualquer indicado para o Fed — incluindo a futura vaga de líder da instituição — até que a questão legal seja totalmente solucionada.

Outros dois senadores republicanos, que não fazem parte da Comissão Bancária, também se manifestaram: Lisa Murkowski, do Alasca, e Susan Collins, do Maine, ambas ressaltando que o Fed deve permanecer independente.

No entanto, alguns republicanos, incluindo aliados próximos de Trump, não apoiam o governo e adotam uma postura mais moderada em defesa de Powell. O senador John Kennedy, da Louisiana, que faz parte da Comissão Bancária, afirmou a repórteres que “ficaria surpreso se ele tivesse feito algo errado”.

O senador Kevin Cramer, da Dakota do Norte, outro membro republicano do comitê, criticou Powell como “ruim” no trabalho, mas acrescentou que “não acredita, no entanto, que ele seja um criminoso”.

Apoio de Ex-Autoridades e Formuladores de Políticas

Autoridades do Fed sempre defenderam a capacidade de definir as taxas de juros sem interferência política, sustentando que há evidências de que um banco central independente geralmente resulta em melhores desempenhos econômicos.

Entretanto, algumas autoridades, tanto atuais quanto antigas, mantêm uma posição firme sobre a necessidade de que o banco central dos EUA administre as taxas sem se submeter às demandas do presidente.

Quando a Suprema Corte analisou os argumentos do caso histórico da Governadora do Fed, Lisa Cook, que processa o governo Trump pela tentativa de sua demissão devido a alegações não comprovadas de fraude hipotecária, estavam presentes Cook, Powell, o governador do Fed Michael Barr e o ex-presidente do Fed, Ben Bernanke.

Questionado, na coletiva de imprensa, sobre a razão de sua presença, Powell afirmou que a independência do Fed estava em risco. “Eu diria que este caso é talvez o mais importante em 113 anos de história do Fed, e, ao refletir sobre isso, achei que seria difícil justificar por que não estive presente”, destacou Powell.

Membros atuais do Fed têm evitado comentar os ataques de Trump; no entanto, vários mostraram apoio a Powell em aparições públicas, como John Williams, de Nova York, e Alberto Musalem, de St. Louis.

Pouco depois da divulgação do vídeo do chairman do Fed, uma declaração conjunta assinada por todos os ex-presidentes do Fed ainda vivos — Ben Bernanke, Janet Yellen e Alan Greenspan — manifestou apoio à posição de Powell em relação a Trump.

A carta, que também foi assinada por outros ex-funcionários de alto escalão do governo, como os ex-secretários do Tesouro Henry Paulson e Robert Rubin, afirma que a investigação federal “é uma tentativa sem precedentes de usar ataques da promotoria para minar essa independência”.

O documento enfatiza que “é assim que a política monetária é conduzida em mercados emergentes com instituições frágeis, resultando em consequências altamente negativas para a inflação e para o funcionamento das economias em geral”.

Finalizando, a carta argumenta que “isso não tem lugar nos Estados Unidos, cuja maior força é o Estado de Direito, que fundamenta nosso sucesso econômico”.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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