Desempenho do Ibovespa e Dólar
O Ibovespa (IBOV) enfrenta pressão devido à deterioração do sentimento de risco por parte dos investidores internacionais, em um movimento de aversão aos riscos que teve início na véspera, motivado por novas preocupações relacionadas a investimentos em inteligência artificial (IA).
A taxa de desemprego no Brasil, que se encontra em um nível histórico mínimo, e a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) também contribuem para a divisão de atenções no mercado financeiro.
Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira operava em queda de 0,30%, alcançando 182.719,98 pontos, o que representa um novo recorde nominal histórico.
O dólar à vista está registrado em alta em relação ao real, sob influência da Ptax, e reflete o desempenho da moeda americana no mercado internacional. No mesmo horário, a moeda norte-americana era cotada a R$ 5,2222 (+0,55%).
Radar do Mercado
1 – Taxa de desemprego
A taxa de desemprego no Brasil foi fixada em 5,1% nos três meses até dezembro, de acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alinhando-se às expectativas do mercado.
Conforme a mediana das previsões colhidas em pesquisa da Reuters, a estimativa era de que a taxa se mantivesse em 5,1% no período analisado.
Além disso, a taxa média anual de desocupação para 2025 foi registrada em 5,6%, o menor índice desde o início da série histórica, em 2012. Este resultado mostra uma redução de 1% em relação a 2024, quando este indicador estava em 6,6%.
2 – Contas públicas
Dados divulgados pelo Banco Central indicam que a dívida bruta do Brasil apresentou uma redução em dezembro em comparação ao mês anterior e fincou-se abaixo do esperado para 2025. Ao mesmo tempo, o setor público consolidado do Brasil registrou um superávit primário no último mês do ano.
A dívida pública bruta do país, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), teve um fechamento de dezembro em 78,7%, comparado aos 79,0% do mês anterior, mas ainda acima dos 76,3% do mesmo período em 2024. A dívida líquida do setor público foi de 65,3%, um leve aumento em relação aos 65,2% de novembro e aos 61,3% em dezembro do ano anterior.
As expectativas coletadas na pesquisa da Reuters indicavam que o cenário seria de 79,5% para a dívida bruta e 65,8% para a dívida líquida.
3 – Caso Master
Durante seu depoimento à Polícia Federal (PF) no dia 30 de dezembro, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que a eventual liquidação do Will Bank, pertencente ao Banco Master, poderia acarretar prejuízos ainda mais significativos ao Banco de Brasília (BRB). A liquidação do Will Bank ocorreu no último dia 21.
Segundo Aquino, “existem muitos ativos do Will dentro do balanço do BRB. A difícil situação do Will Bank – caso não se consiga resolver as pendências dentro do Raet -, resultará em prejuízos maiores para o BRB”.
4 – Novo presidente do Fed
Na sexta-feira (30), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a escolha do ex-diretor do Federal Reserve, Kevin Warsh, para liderar o banco central norte-americano.
Trump, por meio de suas redes sociais, expressou que conhece Warsh há bastante tempo e que não há dúvidas de que ele será lembrado como um dos grandes líderes do Fed.
Warsh assumirá a posição de Jerome Powell, que se despedirá do cargo em maio. Em suas declarações, Trump tem pressionado Powell por cortes mais agressivos nas taxas de juros, em um cenário no qual a inflação se mantém elevada e o mercado de trabalho apresenta sinais de enfraquecimento.
5 – Sem ‘shutdown’
No dia anterior (29), Trump anunciou um acordo de gastos, visando facilitar as negociações entre os partidos republicano e democrata no Senado e assim evitar uma nova paralisação do governo.
Ainda não há clareza sobre se a Câmara dos Deputados, que também precisa avaliar a proposta, aceitará o acordo e quando isso poderá ser votado.
Além disso, na véspera, o presidente da Câmara, Mike Johnson, indicou que pode ser desafiador fazer com que os membros, que estão em um recesso programado, retornem a Washington antes do retorno das atividades regulares na segunda-feira (2).
Esse cenário significa que uma parte do governo federal pode encerrar suas atividades, pelo menos durante o fim de semana. A vigência do financiamento atual expira à meia-noite desta sexta-feira (30).
Os democratas do Senado têm exigido a implementação de novas restrições aos agentes federais de imigração, incluindo a suspensão de patrulhas móveis, a proibição do uso de máscaras faciais e a obrigatoriedade de uso de câmeras corporais.
Fonte: www.moneytimes.com.br

