Saídas de Chefes do Regulador e da Bolsa da Indonésia
Os chefes do regulador financeiro e da bolsa de valores da Indonésia renunciaram repentinamente na sexta-feira, 30 de setembro, em uma reformulação que ocorreu após uma queda de 80 bilhões de dólares no mercado de ações durante aquela semana, além de crescentes preocupações sobre a transparência e a governança.
Alerta da MSCI
As renúncias seguiram um alerta da MSCI, que indicou que poderia reclassificar as ações indonésias para o status de "mercado de fronteira". Essa medida contribuiu para a maior queda em dois dias das ações de Jacarta desde abril deste ano, aumentando a pressão sobre as autoridades para restaurar a confiança dos investidores.
A Autoridade Reguladora de Serviços Financeiros (OJK) informou que seu presidente, Mahendra Siregar, renunciou ao cargo, junto com três outros altos funcionários, que incluíam o vice-presidente e o chefe do mercado de capitais.
Respostas das Autoridades
Poucas horas antes das demissões, as autoridades haviam declarado a jornalistas que liderariam um esforço para abordar as preocupações levantadas pela MSCI e pediram aos investidores que mantivessem a calma. O presidente da Bolsa de Valores da Indonésia, Iman Rachman, também pediu demissão na mesma sexta-feira. A OJK destacou que as saídas não afetariam as operações do órgão regulador.
Reformas de Mercado Prometidas pelo Governo
O ministro-chefe da Economia da Indonésia, Airlangga Hartarto, assegurou que as autoridades estão comprometidas com reformas no mercado de ações e afirmou que os fundamentos econômicos do país permanecem sólidos.
Airlangga enfatizou: "O governo garante a proteção de todos os investidores, mantendo a boa governança e a transparência". As demissões na OJK, além da saída de Siregar, englobaram o vice-chefe Mirza Adityaswara, Inarno Djajadi, diretor executivo para mercados de capitais, e o vice-comissário do IB, Aditya Jayaantara, que eram responsáveis pela supervisão de emissores e transações.
Inarno havia anteriormente comunicado aos repórteres que a renúncia de Rachman não interromperia as operações da Bolsa de Valores da Indonésia (IDX) e que a OJK tinha a intenção de resolver as preocupações da MSCI até o mês de maio. Ele também lembrou a todos os investidores a importância de manter a calma e a racionalidade ao decidirem sobre seus investimentos.
Reações do Mercado
Após o fechamento dos mercados na sexta-feira, ele renunciou juntamente com o presidente da OJK. O índice de referência Jakarta Composite Index (JKSE) perdeu mais de 8% nas quarta e quinta-feiras anteriores, mas registrou uma alta de 1,18% na sexta-feira, após as autoridades anunciarem medidas propostas para atender às preocupações da MSCI e acalmar os investidores.
Em relação à taxa de câmbio, a rupia (IDR) estava cotada a 16.790 por dólar americano, próximo de sua mínima histórica de 16.985, que havia sido registrada na semana anterior.
Mirpuri comentou: "O panorama geral é uma reformulação e uma oportunidade para a bolsa emergir mais forte, com padrões e governança mais claros."
Saída de Capital Estrangeiro e Preocupações Fiscais
A saída de capital estrangeiro aumentou em função da preocupação com o crescente déficit fiscal sob a administração do presidente Prabowo Subianto e à expansão da intervenção estatal nos mercados financeiros.
A confiança dos investidores também foi abaladona após a nomeação do sobrinho de Prabowo, Thomas Djiwandono, para o banco central, além da demissão da respeitada ministra das Finanças, Sri Mulyani Indrawati, no ano passado.
Os reguladores relataram que a comunicação com a MSCI foi positiva e aguardavam uma resposta sobre as medidas propostas, que esperavam implementar em breve. A MSCI, provedora global de índices de mercado financeiro, deu à Indonésia um prazo até maio para demonstrar sinais de progresso, reavaliando sua situação nesse período.
Consequências da Reavaliação
Essa reavaliação poderia resultar em uma ponderação menor do país no índice de referência para mercados emergentes ou, até mesmo, um rebaixamento ao status de mercado de fronteira. Durante a onda de vendas de dois dias, investidores estrangeiros venderam cerca de 645 milhões de dólares em ações, conforme dados da bolsa. O total em ações vendidas por estrangeiros chegou a 1 bilhão de dólares para 2025.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


