CVM inicia dois novos inquéritos para investigar fraudes; saiba mais.

CVM inicia dois novos inquéritos para investigar fraudes; saiba mais.

by Ricardo Almeida
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CVM inicia novos inquéritos sobre Americanas

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou, na última sexta-feira (30), a abertura de dois novos inquéritos administrativos com o intuito de aprofundar as investigações relacionadas à fraude contábil da Americanas (AMER3).

Contexto da crise na varejista

O problema na varejista surgiu em janeiro de 2023, quando a direção da empresa revelou a existência de inconsistências bilionárias em seus balanços financeiros. Essas inconsistências estavam ligadas, principalmente, a operações de risco sacado que foram contabilizadas inadequadamente ao longo de vários anos.

A investigação da autarquia faz parte de uma força-tarefa dedicada a identificar responsabilidades e apurar possíveis irregularidades que envolvem a companhia, a qual está em processo de recuperação judicial. Os dois novos inquéritos foram instaurados no dia 15 de janeiro de 2026.

Detalhes dos inquéritos

O primeiro inquérito concentra-se na atuação de bancos e administradores que mantinham relações comerciais com a Americanas, além das antigas B2W e Lojas Americanas. Este inquérito também investiga intermediários e responsáveis por emissões de valores mobiliários que foram realizadas com base em uma norma da CVM destinada ao mercado de capitais.

O segundo inquérito tem como objetivo verificar se os membros dos conselhos de administração e fiscal, bem como integrantes de comitês de assessoramento, cumpriram suas obrigações durante o processo de divulgação das informações financeiras da empresa.

Fraude contábil identificada

A CVM concluiu uma investigação, que teve início em 2023, na qual se constatou que as inconsistências contábeis na Americanas eram, na verdade, parte de uma fraude complexa, cujo propósito era distorcer os resultados financeiros.

Segundo a autarquia, o objetivo era apresentar demonstrações financeiras que não refletissem com precisão a realidade econômica da companhia, sustentando artificialmente melhores preços para as ações ao longo do tempo.

Para a condução dessa investigação, foram analisados documentos, e-mails e mensagens de aplicativos. Inspeções na empresa também foram realizadas, contando com o apoio de ferramentas de análise de grandes volumes de dados, além de assistência das áreas técnicas especializadas da CVM.

Após a conclusão desse inquérito, a autarquia deu início a um processo administrativo sancionador, no qual a Americanas, assim como ex-executivos, administradores e conselheiros, passaram a responder formalmente por possíveis infrações no mercado de capitais.

Acusações e defesa

As acusações contra os envolvidos incluem a divulgação de informações que foram consideradas falsas ou insuficientes para os investidores, manipulação de preços das ações e descumprimento de deveres legais, como aqueles de diligência e lealdade na administração da companhia.

De acordo com os procedimentos da CVM, agora os acusados terão a oportunidade de apresentar suas defesas antes que o colegiado da autarquia realize o julgamento.

Histórico do caso Americanas

Em 2023, a Americanas protagonizou um dos casos mais significativos observados no mercado de capitais brasileiro. O rombo financeiro, inicialmente estimado em R$ 25,2 bilhões, rapidamente derrubou uma das histórias mais tradicionais do varejo no Brasil, resultando na saída imediata da antiga diretoria, na queda acentuada das ações na bolsa de valores e, posteriormente, em um pedido de recuperação judicial.

Esse episódio trouxe à tona fragilidades profundas na governança corporativa da empresa e levantou questionamentos sobre o papel de auditores, bancos e órgãos de fiscalização.

Investigações adicionais

Além dos novos inquéritos instaurados, a CVM informou que continuam em andamento investigações sobre o possível uso de informação privilegiada envolvendo ações e derivativos da Americanas, tanto por pessoas ligadas à empresa quanto por terceiros. Também estão em curso processos administrativos sancionadores relacionados à divulgação de informações ao mercado, além de um procedimento específico que investiga a atuação da PwC, auditora da Americanas, durante o exercício de 2021.

*Com informações do Seu Dinheiro

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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