Críticas do CEO do Itaú aos CDBs do Banco Master e COEs da Ambipar
O CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, manifestou críticas a bancos e corretoras que comercializaram Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master e Certificados de Operações Estruturadas (COEs) da Ambipar. As declarações foram feitas na quinta-feira, dia 5, em resposta a questionamentos sobre o caso do Banco Master e ao possível acordo entre agentes do setor financeiro para a recuperação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Maluhy Filho afirmou: “Algumas plataformas ganharam bilhões colocando esses produtos nas prateleiras. Nós nunca distribuímos CDBs do Master nem COEs da Ambipar; nunca colocamos nossos interesses acima dos clientes.” O executivo destacou que, em sua visão, os objetivos do FGC foram distorcidos no contexto do Banco Master, tanto pelo próprio banco quanto pelas instituições que distribuíram os produtos.
Instituições Envolvidas
As declarações de Maluhy Filho, embora indiretas, direcionam implicações ao Nubank, XP Investimentos e BTG Pactual, que estiveram envolvidos na distribuição dos CDBs do Master. A XP também se encontra envolvida na questão dos COEs da Ambipar, junto com o BTG. Ao serem contatadas pela coluna, XP Investimentos e BTG Pactual não se manifestaram sobre o tema.
Por sua vez, o Nubank emitiu uma nota esclarecendo que a oferta de novos CDBs do Banco Master foi encerrada em 2024. “Reforçamos que o Nubank não utiliza o modelo de assessores de investimento, garantindo que os clientes tenham total autonomia para escolherem seus produtos diretamente no aplicativo”, declaram. A fintech também observou que todas as suas atividades estão rigorosamente de acordo com as normas regulatórias em vigor.
A Necessidade de Proteção ao Investidor
Durante a coletiva, Maluhy Filho fez uma reflexão sobre o FGC, criado na década de 1990 com a finalidade de proteger investidores em um contexto de liquidações bancárias. O CEO do Itaú considera justificável o uso do FGC em situações onde um banco enfrenta dificuldades devido a modelos de negócios ultrapassados ou má administração. No entanto, no caso do Banco Master, ele argumenta que o fundo foi utilizado como parte da estratégia de negócios para atrair recursos com alta rentabilidade.
O Impacto Financeiro no FGC
O executivo apontou que o caso do Banco Master gerou um ônus de 55 bilhões de reais para o FGC, enfatizando a urgência na recomposição do fundo. “Entendemos que é importante transmitir a mensagem de que o fundo tem patrimônio”, ressaltou. Ele também mencionou que as instituições financeiras e associações de bancos estão em diálogo com o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional sobre a questão.
Maluhy Filho destacou que o principal objetivo é encontrar formas de reduzir os custos associados, dado que isso gera impactos para a sociedade. “Essa conta será paga e precisamos encontrar mecanismos inteligentes para recapitalizar o fundo”, afirmou.
Propostas para Mudança no Financiamento do FGC
Nos bastidores do setor, os grandes bancos estão defendendo mudanças na forma de contribuição ao FGC. Atualmente, as instituições financeiras fazem suas contribuições de maneira proporcional ao tamanho de suas carteiras de crédito, o que significa que o financiamento do fundo recai de forma desproporcional sobre os grandes bancos. Enquanto isso, as fintechs utilizam o FGC como um argumento de segurança para captar recursos de pessoas físicas por meio de seus CDBs. Essa estratégia foi semelhante à adotada pelo Banco Master, o que gera incômodo entre os grandes bancos, uma vez que eles são os principais responsáveis pelo financiamento do fundo.
Considerações Finais
A situação envolvendo os CDBs do Banco Master e os COEs da Ambipar lança luz sobre as complexidades do mercado financeiro e as responsabilidades das instituições envolvidas. A discussão sobre a sustentabilidade do FGC e sua função protetiva será um tema central nas próximas fases de diálogo entre os agentes do setor e os reguladores.
Fonte: veja.abril.com.br


