Encontro Entre Trump e Epstein
No dia 12 de fevereiro de 2000, o então empresário Donald Trump posou para uma foto com sua namorada Melania Knauss, o financista Jeffrey Epstein e a socialite britânica Ghislaine Maxwell, no clube Mar-a-Lago, localizado em Palm Beach, Florida.
Declarações do Ex-Chefe de Polícia
De acordo com um documento divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump, em uma conversa há duas décadas com o chefe de polícia de Palm Beach, criticou seu ex-amigo Jeffrey Epstein e descreveu Ghislaine Maxwell como “maubwa”, segundo o relato de um policial aposentado ao FBI em 2019.
Trump entrou em contato com o então chefe de polícia de Palm Beach, Michael Reiter, para expressar seu alívio pelas ações da polícia no caso Epstein. “Agradeço que vocês estejam parando [Epstein], todo mundo sabia o que ele estava fazendo”, contou Reiter durante a entrevista ao FBI, conforme o documento do FBI, conhecido como 302.
Embora o nome de Reiter esteja redigido no 302, o documento identifica o entrevistado como o chefe de polícia de Palm Beach na época da investigação contra Epstein, que era, de fato, Reiter.
Em entrevista ao Miami Herald, primeiro veículo a noticiar a existência do documento, Reiter revelou que Trump o contatou em 2006, após a investigação do departamento policial sobre Epstein se tornar pública.
Pedido de Clemência para Maxwell
O documento mencionado foi revelado algumas horas após o advogado de Maxwell solicitar que Trump lhe concedesse clemência executiva, de maneira que pudesse falar “honestamente” sobre o que sabe. Naquele mesmo dia, Maxwell havia se recusado a testemunhar diante de um comitê da Câmara.
Informações Sobre o Comportamento de Epstein
Trump informou a Reiter que havia expulsado Epstein de seu clube Mar-a-Lago, localizado em Palm Beach, segundo o resumo. “Trump disse que as pessoas em Nova York sabiam que Epstein era repugnante”, conforme o relato do FBI sobre a entrevista com Reiter.
Além disso, “Trump afirmou que Maxwell era operativa de Epstein, ‘ela é má e devemos nos concentrar nela’, de acordo com o documento do FBI”, declarou o relatório.
Condenação de Epstein e Consequências
Em 2008, Epstein se declarou culpado de acusações estaduais na Flórida, envolvendo solicitação de prostituição de uma menor de idade, como parte de um acordo que o poupou de processos federais. A entrevista de Reiter com o FBI ocorreu em outubro de 2019, dois meses depois da morte de Epstein em uma prisão federal de Nova York, onde estava detido por acusações de tráfico sexual de crianças.
No telefonema de 2006, “Trump informou a Reiter que esteve com Epstein uma vez na presença de adolescentes e que imediatamente saiu de lá”, conforme mencionado no relatório. “Trump foi uma das primeiras pessoas a ligar quando outros souberam que haviam iniciado a investigação contra Epstein”, revelou o resumo.
Em um e-mail de abril de 2019, divulgado no ano anterior por democratas da Câmara, Epstein escreveu ao autor Michael Wolff que Trump “sabia sobre as meninas”, de acordo com uma cópia da mensagem supostamente entre os dois homens. O significado exato da frase “sabia sobre as meninas” permanece incerto.
Resposta da Casa Branca e do Departamento de Justiça
Trump não foi acusado de qualquer irregularidade relacionada a Epstein. Em novembro, a Casa Branca afirmou: “O fato é que o presidente Trump expulsou Jeffrey Epstein de seu clube décadas atrás por ser inapropriado com suas funcionárias.”
Quando questionada sobre o resumo do FBI na noite de segunda-feira, a Casa Branca encaminhou as perguntas ao Departamento de Justiça. O DOJ respondeu: “Não temos conhecimento de qualquer evidência corroborativa que comprove que o presidente contatou a polícia há 20 anos.”
O resumo mencionado faz parte de milhões de documentos liberados pelo DOJ no final de janeiro, relacionados tanto a Epstein quanto a Maxwell, que atualmente cumpre uma pena de 20 anos de prisão por crimes ligados à ajuda na prostituição de meninas menores de idade para Epstein.
Testemunho de Maxwell Diante do Comitê da Câmara
Na segunda-feira, Maxwell participou virtualmente da audiência do Comitê de Supervisão da Câmara, que investiga o caso Epstein, mas se recusou a responder perguntas, invocando o direito da Quinta Emenda contra a autoincriminação.
O advogado de Maxwell, David Oscar Marcus, declarou que ela está disposta a “falar completamente e honestamente” caso Trump lhe conceda clemência executiva. Essa clemência pode incluir um perdão, que anularia a condenação de Maxwell, ou a comutação de sua pena para sua liberação antes do previsto.
Marcus afirmou: “Apenas ela pode fornecer um relato completo. Alguns podem não gostar do que ouvirão, mas a verdade importa”. Ele também destacou que tanto o presidente Trump quanto o ex-presidente Bill Clinton são inocentes de qualquer irregularidade. “A Sra. Maxwell é a única que pode explicar por quê, e o público merece essa explicação”.
Bill Clinton e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, foram convocados a depor no Comitê de Supervisão sobre Epstein, com depoimentos agendados para o final de fevereiro.
Fonte: www.cnbc.com

