Allos: Foco em Dividendos Elevados
Uma das principais operadoras de shopping centers na América Latina, a Allos (ALOS3) tem atraído a atenção dos investidores devido aos dividendos altos que promete para 2026. Contudo, as atividades internas da empresa vão além dos números financeiros.
A Allos tem apostado em uma série de iniciativas, incluindo o redesenvolvimento de ativos, a criação de projetos multiuso, parcerias com construtoras e a otimização financeira. Essas estratégias visam garantir uma geração de caixa consistente mesmo em um cenário econômico com juros ainda elevados.
Essas estratégias são lideradas, em grande parte, por Daniella Guanabara, que atua como diretora financeira (CFO) e de relações com investidores (RI) da empresa. Em recente entrevista ao Money Times, ela falou sobre as diretrizes que estão moldando a operação da Allos.
Allos: Mudanças Estratégicas na Carteira
Num esforço para tornar a carteira de ativos mais simples e homogênea, a Allos optou pela venda de alguns ativos, resultando na redução da área bruta locável (ABL) para aproximadamente 1,9 milhão de m², distribuídos por 53 shoppings. De acordo com Guanabara, a companhia agora está priorizando projetos de execução rápida, que possibilitam uma melhor rentabilidade do capital investido e exigem um menor capex.
Guanabara afirmou: “Estamos em um momento macroeconômico com juros muito altos. Sabemos que existe uma perspectiva de baixa, mas, se as projeções seguirem, a taxa Selic pode chegar a 12%, 12,5% no final de 2026. Isso ainda representa um patamar elevado. Portanto, decidimos focar em projetos que possam ser executados rapidamente e que tragam retorno eficiente para a empresa”.
Ela ainda exemplificou: “Pego uma área, por exemplo, de uma loja-âncora que saiu, reformulo aquele espaço no shopping e divido essa unidade em três lojas menores. Isso melhora a circulação, traz novidades para o shopping e maximiza a rentabilidade daquele espaço, utilizando um capex menor”.
Segundo a diretora, essa abordagem, aliada à redução da alavancagem, abriu espaço para uma política mais agressiva de remuneração aos acionistas.
Dividendo Projetado para 2026
Para 2026, a Allos tem a expectativa de distribuir entre R$ 1,7 bilhão e R$ 1,8 bilhão em dividendos, com valores estimados (guidance) entre R$ 0,28 e R$ 0,30 por ação, mensalmente. Em comparação, entre 2023 e 2025, a empresa já distribuiu surpreendentes R$ 3,3 bilhões em proventos.
Recentemente, o BTG Pactual destacou as ações da Allos como uma das principais recomendações do setor de shoppings, ressaltando o comprometimento da operadora em gerar valor para os acionistas.
Gestão de Passivos e Alavancagem
A executiva também mencionou a implementação de uma gestão estratégica de passivos como um movimento importante, que inclui o pré-pagamento de dívidas com custos elevados e a emissão de novas com custos reduzidos e prazos mais longos. Ela observa: “Isso alivia um pouco o resultado financeiro, mesmo com a taxa de juros ainda alta”.
A alavancagem da empresa é considerada saudável, com uma relação próxima de duas vezes entre a dívida líquida e o Ebitda, considerada ideal para o setor. Guanabara explicou: “É uma alavancagem baixa, que nos permite realavancar a empresa enquanto distribuímos proventos. Podemos pagar dividendos mesmo que eles superem levemente a geração de caixa, já que a alavancagem está em um nível saudável”.
Foco na Experiência do Consumidor
Além dos rendimentos, Guanabara observou que a Allos está se concentrando em projetos multiuso, transformando áreas e criando ambientes que funcionam em sinergia com os shoppings. A empresa tem mantido parcerias com projetos residenciais com o intuito de conectar crescimento, consumo e a experiência do cliente.
Ela destacou: “O objetivo é claro: atrair mais pessoas para residir próximas aos shoppings, aumentando a densidade demográfica e, assim, assegurando um perfil de ‘consumidores qualificados’”.
Outra inovação é a maneira como a empresa estrutura essas parcerias: “A alocação de capital no multiuso é atraente porque colaboramos com construtoras. Combinamos com elas que queremos um prédio de determinado padrão, para que as novas pessoas que se mudarem para lá possam consumir em meu shopping”, explicou a executiva.
A Allos possui hoje 69 torres residenciais em construção, planejadas em 14 shoppings e espalhadas por 8 estados. A meta é aumentar em aproximadamente 30 mil pessoas a população residente nas áreas principais dos ativos, garantindo que os futuros moradores possam acessar o shopping em um intervalo de até cinco minutos a pé.
Presença Nacional da Allos
Guanabara ressaltou que a companhia não se limita à região Sudeste do Brasil. Com operações no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a empresa possui um market-share expressivo nessas áreas, com alguns empreendimentos individuais reportando vendas superiores a R$ 1 bilhão.
“Quem reside no eixo Rio-São Paulo pode não ter ideia da renda disponível em outras regiões do Brasil. O Shopping Recife, onde temos 30% de participação, é um ativo robusto. O Dom Pedro, em Campinas, onde temos 51% de fração, também se destaca”, comentou.
Guanabara indicou que a Allos possui 43% de market-share na região Norte. Por exemplo, dos quatro shoppings que operam nesta localidade, três estão vendendo mais de R$ 1 bilhão.
Público-Alvo da Allos
Quando questionada sobre o público-alvo da empresa, a diretora destacou que os shoppings da Allos são projetados, em sua maioria, para atender à classe média, o que, segundo ela, garante a sustentabilidade a longo prazo dos negócios.
“Quando se constrói um shopping, ele deve ser projetado para a classe média e média-alta. A classe mais baixa pode frequentar, consumir e se entreter, mas não sustenta o ativo no longo prazo”, disse.
A expectativa é que a nova isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, em vigor desde o início de 2026, estimule o consumo nos ativos, mesmo que de forma não transformacional.
“O brasileiro, historicamente, tem um baixo índice de poupança. Esse alívio no bolso, mesmo que modesto, de R$ 300 ou R$ 500 a mais por mês, pode se traduzir em pequenas experiências de consumo. Acredito que isso será benéfico. Não é uma mudança radical, mas, certamente, é uma notícia positiva”, concluiu.
Desempenho das Ações da Allos
Desde o início de janeiro, as ações da Allos (ALOS3) acumulam uma alta de aproximadamente 10% na B3. No recorte de 12 meses, a valorização é ainda mais notável, com um aumento aproximado de 63%. Os papéis saíram de R$ 19,26, em fevereiro de 2025, para os atuais R$ 31,48.
Conforme informações obtidas de oito bancos e instituições de análise consultadas pelo TradeMap, sete delas recomendam a compra das ações, enquanto uma apresenta uma recomendação neutra para a operadora de shopping.
Fonte: www.moneytimes.com.br
