A recuperação judicial da Azul e perspectivas futuras
O Ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que a Azul (AZUL53) deverá concluir sua recuperação judicial nos Estados Unidos, pelo processo conhecido como Chapter 11, nos próximos 30 dias. Esta declaração foi feita durante o CEO Conference Brasil 2026, um evento realizado pelo BTG Pactual.
O ministro expressou otimismo em relação ao setor de aviação, que concluiu o ano de 2025 com um total de 130 milhões de passageiros no Brasil. Costa Filho enfatizou que, após enfrentar muitos desafios, as expectativas são voltadas para um crescimento no segmento. Ele também mencionou a saída e entrada de outras companhias, como a Latam e a Gol, no Chapter 11, reiterando que a previsão é que a Azul finalize esse processo nos próximos trinta dias.
A Azul protocolou sua recuperação judicial em maio do ano anterior, e o cronograma original previa o encerramento para o início deste ano. No entanto, um obstáculo no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) pode estar influenciando o andamento desse processo.
As ações da companhia aérea se destacaram entre os resultados negativos da B3 no pregão realizado nesta terça-feira (10), apresentando uma queda superior a 30%. Os investidores acompanham a situação em tempo real.
Implicações da saída do Chapter 11
Conforme informações divulgadas pelo Broadcast, a Azul informou ao Cade que um atraso na sua saída do Chapter 11 representa riscos significativos à sua saúde financeira e à continuidade das operações da companhia aérea.
Fontes consultadas pelo Money Times indicaram que a resolução desse processo depende da aprovação da transação com a United Airlines, que é o principal entrave atualmente no Cade.
No início de janeiro, o presidente do Cade decidiu adiar a conclusão do ato de concentração entre as duas companhias aéreas. Essa decisão de não liberar a certidão de trânsito em julgado, que encerraria formalmente o processo, resulta em um atraso burocrático, mesmo após a Superintendência-Geral do Cade ter aprovada a operação sem restrições no final de dezembro.
A operação envolve a aquisição de uma participação minoritária do capital social da Azul pela United Airlines, parte de um esforço de reestruturação societária nos Estados Unidos, visando a diminuição do endividamento da companhia aérea brasileira.
A situação se agravou pois, após a aprovação pela área técnica do Cade, o Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo) solicitou ser considerado terceiro interessado no processo.
Na quarta-feira (11), o plenário do Cade deve analisar o recurso apresentado em relação à operação. Segundo o Broadcast, decisões recentes têm adiado a deliberação do caso pelo órgão. O conselheiro-relator, Diogo Thomson, decidiu habilitar o IPSConsumo como terceiro interessado, citando a complexidade do caso e a existência de questões estruturais pendentes, especialmente aquelas ligadas à governança e aos incentivos concorrenciais decorrentes da operação.
*Com informações da Broadcast
Fonte: www.moneytimes.com.br

