Balança comercial em alta em janeiro com aumento das exportações para a China; déficit com os Estados Unidos se amplia.

Balança comercial em alta em janeiro com aumento das exportações para a China; déficit com os Estados Unidos se amplia.

by Fernanda Lima
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Superávit da Balança Comercial Brasileira em Janeiro de 2026

O superávit da balança comercial brasileira alcançou US$ 4,3 bilhões em janeiro de 2026. Esse resultado representa um aumento de US$ 2 bilhões em comparação ao mesmo mês de 2025. O principal fator que impulsionou essa melhora foi a reversão do saldo comercial com a China, que passou de um déficit de US$ 536,6 milhões em janeiro de 2025 para um superávit de US$ 717,7 milhões no mesmo mês de 2026.

Contribuições da União Europeia e Estados Unidos

A União Europeia também desempenhou um papel importante nesse desempenho positivo, elevando seu superávit de US$ 98,5 milhões para US$ 308,4 milhões durante o período analisado. Em contrapartida, os Estados Unidos ampliaram seu déficit, que aumentou de US$ 221,6 milhões para US$ 668,4 milhões. Na América do Sul, houve uma redução do superávit, principalmente em decorrência da queda no saldo com a Argentina, mesmo com o restante da região registrando um aumento no resultado positivo, que subiu de US$ 448 milhões para US$ 521 milhões.

Retração das Importações e Impacto nas Exportações

A melhora no saldo comercial foi atribuída, em grande parte, à redução das importações, que apresentaram uma queda de 9,8% em valor na comparação anual. Em termos de volume, as exportações apresentaram uma variação negativa de 0,7%, enquanto as importações caíram 12,0%. Os preços das importações aumentaram 2,6%, enquanto os preços das exportações enfrentaram uma leve queda de 0,2%. Espera-se uma desaceleração nas importações no início do ano, mesmo com a valorização da moeda, além de uma previsão de crescimento menor em 2026 em comparação a 2025.

Aumento nas Exportações para China e América do Sul

Analisando as exportações por parceiros, observou-se um aumento nas vendas para a China e para os demais países da América do Sul, com variações de volume de 14,1% e 15,2%, respectivamente, e em valor, de 17,4% e 14,3%. Nas demais regiões analisadas, todas apresentaram queda tanto no volume quanto no valor das exportações. Para os Estados Unidos, os decréscimos foram de 22,4% em volume e de 25,5% em valor. Excluindo-se os demais países da América do Sul, as importações diminuíram com relação a todos os mercados. Em termos de variação no volume, as maiores quedas foram observadas na União Europeia e nos Estados Unidos. Para a China, os recuos foram de 2,6% em volume e 4,9% em valor, sendo o aumento do superávit com esse país puxado, principalmente, pelo crescimento das exportações.

Commodities e Setores em Destaque

As exportações de commodities mantiveram-se praticamente estáveis em volume, mas recuaram 4,2% em valor, pressionadas pela queda nos preços. Por outro lado, as exportações de produtos não commodities avançaram 5,6% em valor, mesmo apresentando uma retração de 2,5% no volume, sustentadas por um aumento de 8,3% nos preços. O destaque ficou por conta do ouro não monetário, que registrou uma variação de 102,9% em valor, com um crescimento de 15,4% em volume e uma alta de 75,8% nos preços. As aeronaves também se destacaram entre os principais itens exportados, com um aumento de 63,6% em valor.

Desempenho por Setor

No que diz respeito aos setores, a agropecuária foi a que mais se destacou em valor, com um crescimento de 9,8%, impulsionada por um aumento nos preços e na quantidade exportada. O café, que representa 26,2% das exportações do setor, teve um aumento de 32,6% em valor, apesar de apresentar uma queda significativa no volume. O milho e a soja também ampliaram suas exportações de maneira considerável.

A indústria extrativa mostrou um incremento no volume, mas enfrentou uma queda nos preços, resultando em uma redução de 3,5% no valor das exportações. O petróleo bruto teve uma retração nos preços, mas uma expansão no volume, enquanto o minério de ferro experimentou queda em ambos os aspectos. Na indústria de transformação, houve uma diminuição de 1,9% no valor, com redução no volume e um ligeiro aumento nos preços. A carne bovina destacou-se como o principal item exportado desse segmento, apresentando crescimento tanto em volume quanto em preço.

Importações e Tendências Econômicas

As importações de bens de capital e intermediários apresentaram queda tanto na indústria de transformação quanto na agropecuária. Embora não seja possível afirmar ainda se este movimento se consolidará como uma tendência, ele pode indicar uma desaceleração da economia doméstica.

Fatores que Influenciam os Fluxos de Comércio

Os fluxos de comércio são afetados por variáveis como renda interna, demanda externa e câmbio real. O impacto das políticas do ex-presidente Trump tornou-se evidente após a queda do câmbio em 2025, que ocorreu após um período de desvalorização. O anúncio de tarifas em abril provocou uma grande diminuição, e, embora uma recuperação tenha sido observada, o índice ainda não voltou aos níveis de janeiro de 2023. Vale ressaltar que o cálculo do câmbio efetivo apenas revela tendências de valorização ou desvalorização em relação a um determinado período, e não representa um câmbio de equilíbrio.

Imprevisibilidade no Cenário Mundial

Atualmente, além das variáveis tradicionais que se usa para avaliar possíveis tendências nos fluxos de comércio, fatores geopolíticos diversos e o unilateralismo das políticas de Trump tornam tais tendências mais imprevisíveis e incertas. Estamos iniciando 2026 cientes de que a imprevisibilidade e a incerteza continuarão a ser características do cenário mundial. No curto prazo, um encontro potencial entre Trump e o presidente Lula, agendado para março, pode ou não resultar na revogação das tarifas sobre produtos, em especial manufaturas, que ainda enfrentam uma taxa de 50%. Além disso, espera-se a aprovação da parte comercial do acordo entre Mercosul e União Europeia pelo Conselho Europeu.

(fgv)

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Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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