Estreito de Ormuz: Importância Histórica e Geológica
Do ponto de vista geológico, o Estreito de Ormuz é bastante jovem. Após o término do último período glacial, o nível do mar aumentou e inundou a região do Golfo Pérsico. Somente há cerca de 7 a 6 mil anos, as águas alcançaram níveis similares aos atuais, permitindo o estabelecimento de rotas de navegação na área.
Em termos de navegação organizada, os registros históricos indicam que esse caminho começou a ser utilizado aproximadamente há 5 mil anos. Com a estabilização do mar, o estreito tornou-se um atalho comercial vital entre o Golfo Pérsico, a Índia e a África Oriental.
Durante a Idade Média, a Ilha de Ormuz desenvolveu-se como um importante entreposto, cobrando pedágios e controlando o tráfego de embarcações. No século XVI, Portugal ocupou a ilha, utilizando sua posição estratégica para arbitrar rotas e tributos por mais de um século, até ser expulso por uma aliança entre persas e britânicos em 1622.
A história demonstra repetidamente que quem controla Ormuz controla os fluxos globais.
Quando o Irã assumiu o Controle de Ormuz
A centralidade do controle migrou da Ilha de Ormuz para o continente durante o Império Safávida, que unificou a região atualmente conhecida como Irã.
No decorrer dos séculos XX e XXI, o país firmou seu controle sobre o estreito por meio de presença militar e apreensões seletivas de navios. Teerã transformou Ormuz em uma ferramenta de dissuasão geopolítica. Em momentos de tensão, é suficiente sinalizar restrições à passagem para pressionar rivais e negociar benefícios.
O Papel Atual de Ormuz na Economia Global
Atualmente, Ormuz é reconhecido como o maior gargalo de escoamento de petróleo do mundo. Aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo transitam pelo estreito diariamente, representando cerca de 20% do consumo global, além de uma parte significativa de gás natural proveniente do Qatar.
Não existem rotas marítimas equivalentes: dutos alternativos na Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos aliviariam apenas parcialmente esse fluxo.
Controlar Ormuz implica controlar uma fração significativa da economia global. O petróleo e seus derivados são a principal matéria-prima tanto para combustíveis quanto para componentes plásticos, constituindo essencialmente a base de quase tudo que existe atualmente.
Quando a oferta global de petróleo é ameaçada, o preço nas bolsas internacionais tende a aumentar, resultando em um efeito dominó na inflação ao redor do mundo. Em 2024, 84% do petróleo que atravessou o estreito tinha como destino mercados asiáticos. Por essa razão, países como China, Índia, Japão e Coreia são os primeiros a sentir os efeitos, embora o aumento de preços reverberem no custo do combustível e nos preços de artigos em todo o mundo.
2026: O Início de uma Nova Tempestade
A crise atual teve início em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados contra o Irã, resultando na morte do líder supremo Ali Khamenei.
Em resposta, Teerã lançou mísseis contra Israel e bases norte-americanas localizadas no Golfo, além de começar a restringir e intimidar a navegação no estreito de Ormuz.
Como consequência, houve uma paralisação significativa do tráfego, levando à suspensão de navegações por grandes companhias e a um aumento de mais de 15% no preço do petróleo Brent, que é considerada a principal referência para a cotação da commodity.
Até aquele momento do conflito, analistas do mercado financeiro previam que a tendência para 2026 era de queda nos preços globais do petróleo. Os países exportadores que fazem parte da OPEP planejavam aumentar a produção, e a fraqueza do dólar parecia favorecer a maioria das nações.
Contudo, com o início da guerra, até o dia 4 de março, agências internacionais informavam uma queda de até 80% no movimento através do estreito de Ormuz, com previsões indicando que o preço do petróleo poderia chegar a US$ 100 por barril se a interrupção na navegação continuasse. Antes do início dos ataques, a cotação estava em torno de US$ 70.
Fonte: www.moneytimes.com.br

