CPMI do INSS Aprova Convites para Depoimentos
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, em sua reunião realizada na quinta-feira, 19, aprovou convites para que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-chefe da instituição, Roberto Campos Neto, compareçam à comissão. O objetivo é que eles prestem esclarecimentos sobre irregularidades relacionadas a empréstimos consignados realizados por instituições financeiras.
Pressão sobre Galípolo e Campos Neto
Além das questões referentes aos empréstimos consignados, Campos Neto, sob a mira do governo, e Galípolo, que enfrenta a oposição, serão questionados sobre a atuação da autoridade monetária em relação ao Banco Master. A investigação conduzida pela Polícia Federal revelou que, durante o período em que ambos ocuparam seus cargos—Campos Neto entre 2019 e 2024 e Galípolo a partir de 2025—, alguns servidores do Banco Central mantinham ligações com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Suspeitas e Investigação
Um dos suspeitos destacados na investigação é Paulo Sérgio Neves de Souza, que atuou como diretor de Fiscalização do Banco Central entre 2017 e 2023. Ele é apontado como "consultor informal" do Banco Master e foi responsável pela venda de uma fazenda de café no valor de R$3 milhões a um fundo de investimento ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Outro indivíduo sob suspeita é Belline Santana, que liderou o Departamento de Supervisão Bancária em 2025. A Polícia Federal também o acusa de ter recebido pagamentos de Vorcaro para atuar “de modo informal e reiterado em favor dos interesses” do Banco Master.
Conforme a Polícia Federal, ambos ofereceram diretrizes sobre processos administrativos relacionados ao Banco Master, além de terem revisado documentos que deveriam ser enviados ao regulador e tentado influenciar a análise de diversos processos administrativos.
Os dois foram afastados de suas funções no Banco Central em janeiro, no início de uma investigação interna que visa esclarecer as atividades relacionadas ao Banco Master.
Compartilhamento de Provas
A CPMI também aprovou o compartilhamento de provas provenientes da CPMI do Crime Organizado, especialmente no que diz respeito às quebras de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático de Fabiano Zettel, que é cunhado de Daniel Vorcaro.
Suspeita de Câmera Escondida
O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), informou que recebeu alertas sobre uma possível tentativa de uma pessoa entrar na sala-cofre com uma "câmera escondida". Este espaço contém informações sigilosas obtidas pela Polícia Federal por meio do celular de Vorcaro. Viana afirmou que, se a suspeita for confirmada, será iniciada uma investigação sobre o caso.
A declaração de Viana surgiu em resposta à nota divulgada pela Polícia Federal na noite de quarta-feira (18). Nesse comunicado, a corporação afirmou que a CPMI reinseriu dados de Vorcaro no sistema, após uma exclusão determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Viana considerou a nota da Polícia Federal como “despropositada” e anunciou que protocolou um pedido para que o ministro do STF, André Mendonça, possa devolver as informações contidas no celular do banqueiro, em um esforço para identificar quais dados são utilizáveis na investigação, sem comprometer o andamento do inquérito que já está em curso na Corte.
Fonte: www.moneytimes.com.br


