Aumento nos preços de passagens aéreas é inevitável, afirmam especialistas

Aumento nos preços de passagens aéreas é inevitável, afirmam especialistas

by Fernanda Lima
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Reajuste no Preço do QAV

Os preços já elevados das passagens aéreas devem enfrentar um novo aumento nos próximos meses devido ao reajuste do preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras. A estatal confirmou um aumento de 55% no preço do combustível em decorrência do choque no valor do petróleo, influenciado pelo conflito no Oriente Médio.

Aumento dos Preços e Impacto ao Consumidor

De acordo com especialistas consultados pela CNN Money, o aumento do QAV é um fator que reforça uma tendência observada nas leituras mais recentes da inflação dos preços das passagens aéreas. O efeito desse reajuste deverá ser repassado de forma quase imediata aos consumidores.

Daniel Borges, CEO da Route Investimentos, destaca que a elevação dos custos será sentida diretamente pelos consumidores, não apenas no valor da tarifa, mas também em uma redução na quantidade de voos oferecidos para destinos menos rentáveis. Essa diminuição na concorrência tende a encarecer ainda mais as passagens. Segundo ele, as companhias aéreas não têm margem para absorver esses aumentos, sendo obrigadas a transferir os custos finais aos clientes.

Mecanismos de Mitigação

Em resposta ao reajuste, a Petrobras anunciou um mecanismo para minimizar os efeitos do aumento do QAV sobre as companhias aéreas. As empresas poderão parcelar a diferença no preço em seis vezes, com o início dos pagamentos programados para julho. Essa medida foi tomada em um momento em que os preços dos combustíveis estão em alta, impactados pela tensão entre Estados Unidos e Irã.

Em nota, a Petrobras explicou que “a iniciativa busca mitigar os impactos imediatos sobre as companhias e preservar a demanda por voos”. Com essa ação, as distribuidoras que atendem à aviação comercial terão um reajuste efetivo de 18% no preço do QAV a partir de abril.

Se a proposta de parcelamento for amplamente aderida pelas distribuidoras, a consultora econômica e pesquisadora Tatiana Pinheiro, da FGV-EESP (Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), observa que o repasse dos preços ao consumidor terá um efeito prolongado nas próximas semanas. Ela ressalta que a influência desse aumento dependerá do comportamento da demanda pelo transporte aéreo.

Participação dos Custos Operacionais

A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) alertou que, somando os aumentos de 9,4% observados em março e de quase 55% em abril, o querosene de aviação passa a representá-los 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. A entidade enfatiza que essa situação poderá ter consequências severas na abertura de novas rotas e na oferta de serviços, o que restringirá a conectividade no país e dificultará a democratização do transporte aéreo.

Representantes do Grupo Abra, controlador das companhias aéreas Azul, Latam e Gol, informaram que irão se posicionar através da Abear sobre essa situação.

Expectativas para o Setor Aéreo

Ainda que a Petrobras tenha feito o anúncio do reajuste, a alta nos preços das passagens já estava em evidência no mercado. A prévia da inflação de março registrou um aumento de 5,94%, sendo este o maior impacto individual no IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15), que teve uma variação de 0,44%.

Tatiana Pinheiro indica que a demanda aquecida no setor aéreo é um campo de pressão para os preços. “Os consumidores já estão percebendo o aumento no valor das passagens aéreas, mesmo antes do anúncio do reajuste por parte da Petrobras”, afirma.

Alterações Estratégicas e Oferta de Voos

Fontes do setor aéreo afirmam que as empresas estão ativamente buscando novas estratégias, o que pode resultar em um impacto direto no consumidor, incluindo a possibilidade de que algumas cidades fiquem sem atendimento aéreo. Dada a situação de choque na oferta, este impacto pode chegar a 50%. Uma fonte do setor recorda os efeitos após a invasão da Ucrânia pela Rússia como um exemplo.

No ano de 2022, o preço do QAV da Petrobras fechou em R$ 5,08 por litro, valor que já foi ultrapassado pela média de R$ 5,55 após o recente reajuste desta quarta-feira.

Na época do conflito, as passagens aéreas chegaram a acumular uma alta superior a 100%, segundo informações do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Vitor Sousa, analista de ações da Genial, destaca que a aviação civil será a mais afetada, resultando em passagens mais caras e na possível redução da oferta de rotas menos lucrativas.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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