Recuo Parcial da Petrobras Em Relação ao Preço do Gás de Cozinha
A Petrobras (PETR4) anunciou um recuo parcial em relação ao aumento nos preços dos volumes de gás de cozinha que foram leiloados em 31 de março. A informação foi divulgada nesta sexta-feira pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás), em resposta ao anúncio feito pela estatal na quinta-feira.
Neutralização dos Efeitos de Preço
No comunicado, a Petrobras afirmou que tomou a decisão de “neutralizar” os efeitos de preço advindos do leilão. A declaração ocorre após o presidente Lula ter mencionado que poderia cancelar o certame dois dias após sua realização, alegando que os altos preços seriam um ônus para a população, que não teria condições financeiras para arcar com esse custo.
Impacto da Importação e Preocupações Governamentais
Parte da demanda por gás de cozinha no Brasil é suprida por importações, cujos preços aumentaram em função dos desdobramentos da guerra no Irã. Este fator gera preocupação ao governo federal, principalmente em relação ao impacto que esses custos têm sobre o custo de vida da população, especialmente para as famílias de baixa renda, que são assistidas por um programa subsidiado.
Ajuste Parcial nos Valores
O Sindigás ressaltou que o movimento anunciado pela Petrobras não se trata da anulação dos leilões, nem da eliminação total dos efeitos de preço observados. De acordo com o sindicato, foi realizado um ajuste parcial nos valores praticados.
Recentemente, os preços médios do botijão de 13 kg de gás de cozinha apresentaram um aumento de 1,7% em relação ao período anterior, atingindo R$ 112,42. Essa alta representa um crescimento de 2,32% em comparação ao valor registrado antes do início da guerra, que se iniciou no final de fevereiro.
Indicação de Devolução de Valores
No mesmo comunicado da quinta-feira, a Petrobras indicou que devolveria valores que excedem o limite da paridade de importação (PPI), o que sugere a manutenção de um ágio significativo nos preços praticados nas operações. Além disso, a empresa informou que, caso confirme sua adesão a um programa de subsídio ao GLP importado, anunciado pela administração federal após o leilão, também haverá devolução aos clientes dos valores suportados pela subvenção.
Detalhes Sobre o Ressarcimento
Ao ser procurada nesta sexta-feira, a Petrobras afirmou que o ressarcimento dos valores pagos no leilão será realizado por meio de ajustes nas próximas faturas, embora não tenha detalhado como se dará esse mecanismo. O leilão foi realizado com o objetivo principal de garantir o atendimento à crescente demanda por GLP destinado ao uso industrial.
Isenção de Controle sobre Preços Finais
A estatal salientou que não exerce controle sobre a destinação final do GLP que é comercializado, nem sobre os preços praticados para o consumidor final. A Petrobras afirmou que “eventuais efeitos comerciais decorrentes dessa operação inserem-se na dinâmica de mercado e são definidos exclusivamente pelos agentes de distribuição e revenda”.
Leilões de Gás de Cozinha
A Petrobras tem promovido leilões de gás de cozinha a distribuidores como forma de completar a oferta no mercado. É importante observar que os contratos tradicionais não têm sofrido reajustes desde o final de 2024. Especialistas e agentes do setor indicam que essa estratégia tem possibilitado à companhia a recuperação dos investimentos feitos para importar parte de sua oferta de gás, visto que o Brasil não é autossuficiente na produção de GLP, precisando importar cerca de 20% do seu consumo.
Resultados do Leilão e Reações Governamentais
O leilão realizado no final de março seguiu a lógica de garantir o abastecimento. No entanto, os resultados não foram bem recebidos pelo governo em virtude do aumento expressivo dos preços, que foi exacerbado pela guerra no Irã, elevando os custos dos derivados de petróleo. Após as declarações de Lula sobre o possível cancelamento do leilão, o conselho de administração da Petrobras, que possui maioria governamental, autorizou, na segunda-feira, o encerramento antecipado do mandato do diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser.
Posição do Sindigás
O Sindigás reiterou que não comenta preços, projeções ou estimativas de mercado, e que não tem acesso a informações além daquelas que são divulgadas publicamente. Além disso, a entidade enfatizou que não interfere nas estratégias comerciais ou políticas de preços das empresas associadas.
Fonte: www.moneytimes.com.br


