Corte de Despesas é Essencial para Ajuste Fiscal, Afirma Economista

Corte de Despesas é Essencial para Ajuste Fiscal, Afirma Economista

by Fernanda Lima
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Cenário Fiscal Brasileiro

Embora tenha perdido protagonismo nas discussões econômicas atuais, o cenário fiscal brasileiro continua sendo uma fonte de preocupação. Essa é a avaliação do economista Aod Cunha, colunista da CNN Money.

Em entrevista ao canal, Cunha ressaltou que um ajuste duradouro das contas públicas só será alcançado por meio de um efetivo corte de despesas.

Ao comentar as recentes declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante sua visita a Washington, Cunha observa que o discurso oficial do governo permanece na linha de que as metas fiscais estão sendo cumpridas dentro do arcabouço estabelecido.

Na análise do economista, tanto ao final da gestão do ministro Haddad quanto na atual gestão de Durigan, o governo e seus representantes têm se posicionado como se estivessem cumprindo com as metas fiscais que foram traçadas dentro do arcabouço fiscal.

No entanto, segundo a visão do economista, a realidade é mais complexa que a apresentada oficialmente.

A preocupação que permeia o mercado e os analistas em relação à sustentação da atual trajetória fiscal parece não ser compartilhada pelo governo. Isso porque o governo declarou que ainda está operando dentro do limite inferior do arcabouço fiscal.

Ele destaca que existem despesas em setores como saúde e educação que não estão consideradas na verificação do método de superávit primário, o que torna a situação fiscal mais fragilizada do que o governo parece reconhecer.

Impacto do Câmbio

Segundo Cunha, a valorização do real aparece como um dos principais fatores pelos quais o tema fiscal parece ter perdido urgência nas discussões econômicas.

A moeda brasileira, assim como uma série de outras moedas de mercados emergentes, apresentou um substancial ganho em relação ao dólar desde 2025.

Esse impulso foi influenciado por dois fatores: um movimento de carry trade — uma estratégia no qual investidores tomam empréstimos em países com taxas de juros mais baixas e investem em países com taxas mais altas, como o Brasil — e o enfraquecimento global da divisa norte-americana.

Na perspectiva do colunista, ambos os fenômenos têm ajudado a acalmar preocupações imediatas, ainda que a trajetória da dívida pública permaneça “preocupante”.

Essa preocupação, segundo ele, deve retornar ao foco nas discussões sobre a redução da taxa Selic. “O governo tem uma missão de gerar um esforço primário entre 2% e 3% do PIB (Produto Interno Bruto), e terá que decidir se fará isso com um aumento na carga tributária ou com cortes de despesas”, declarou.

Debate Eleitoral

No que diz respeito às eleições deste ano, Cunha expressou ceticismo em relação à possibilidade de que os candidatos abordem a questão fiscal de maneira coerente durante a campanha.

Ele prevê que, caso a situação permaneça como está, com o dólar sob controle e o real valorizado, os candidatos irão mencionar a importância de realizar ajustes, mas sem entrar em detalhes sobre como isso será feito.

Para ele, um ajuste fiscal mais duradouro demandaria medidas impopulares, tais como cortes no crescimento das despesas, revisão de indexadores como o reajuste real do salário mínimo, ou até mesmo uma nova reforma da Previdência.

“Trata-se de um debate difícil do ponto de vista popular, e não vejo nenhum dos candidatos com interesse em aprofundar essa discussão durante o período eleitoral”, concluiu.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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