Intervenção de Vivian Balakrishnan na Assembleia Geral da ONU
Vivian Balakrishnan, ministro das Relações Exteriores de Singapura, participou da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorreu em Nova Iorque no dia 27 de setembro de 2025. A Assembleia Geral da ONU, aberta na terça-feira anterior, conta com a presença de mais de 150 líderes mundiais e seus acompanhantes, uma convergência que tem sido comparada à realização de um Super Bowl diariamente por uma semana em um único bairro. O evento foi registrado pelo fotógrafo David Dee Delgado, da Bloomberg.
Possíveis Consequências de Um Conflito entre China e EUA
Durante um evento da CNBC intitulado CONVERGE LIVE, realizado em Singapura, Balakrishnan comentou sobre a possibilidade de um conflito militar entre China e Estados Unidos no Pacífico. Ele afirmou que, caso essa situação se concretize, o que está ocorrendo no Estreito de Hormuz seria apenas um "treinamento".
Balakrishnan fez essas observações em resposta a uma pergunta sobre se Singapura estaria sofrendo pressão de Washington e Pequim para escolher um dos lados. O ministro ressaltou que Singapura mantém relações robustas com ambos os países, posicionando-se de maneira única para aproveitar as dinâmicas entre EUA e China.
A Postura Neutral de Singapura
O ministro enfatizou que Singapura "recusará escolher" um lado em detrimento do outro. "A forma como conduzimos nossos assuntos é avaliando o que está nos interesses nacionais de longo prazo de Singapura, e se for necessário dizer não a Washington ou a Pequim ou a qualquer outra parte, não hesitaremos", disse Balakrishnan.
Ele destacou que a naçãoasiática atua em função de seus próprios interesses de longo prazo. "Sermos úteis, mas não sermos utilizados" foi uma das frases que ele usou para definir a postura de Singapura nesse cenário.
Importância dos Pontos de Estrangulamento
Em uma análise separada, Balakrishnan comentou que os conflitos no Oriente Médio demonstraram a relevância dos pontos de estrangulamento, mencionando que Singapura está situada em uma das artérias comerciais críticas do mundo, o Estreito de Malaca.
O ponto mais estreito do Estreito de Malaca possui apenas duas milhas náuticas, em contraste com as 21 milhas náuticas do Estreito de Hormuz. Durante a sua fala, o ministro foi indagado sobre as ações do Irã em tentar cobrar pedágios de navios que transitam pelo Estreito de Hormuz e se essa prática poderia levar outros países a considerar a imposição de pedágios em pontos de estrangulamento, como o Estreito de Malaca.
Balakrishnan reconheceu que essa seria uma possibilidade de risco, mas ressaltou que os Estados que estão localizados ao longo do Estreito de Malaca — Singapura, Malásia e Indonésia — possuem interesses estratégicos em mantê-lo aberto e em não implementar a cobrança de pedágios.
Compromisso com o Direito Internacional
"Com relação tanto à América quanto à China, informamos a ambos que operamos com base na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS)", afirmou Balakrishnan, referindo-se ao direito de passagem em trânsito, que é garantido a todos. Ele destacou que Singapura não participará de quaisquer tentativas de fechamento, interdição ou imposição de pedágios em sua região de jurisdição.
Essa declaração reforça o compromisso de Singapura com as normas do direito internacional e a manutenção da liberdade de navegação, um aspecto fundamental nas relações comerciais e diplomáticas da região.
Fonte: www.cnbc.com


