Ações da Ambev apresentam valorização após resultado do primeiro trimestre de 2026
As ações da Ambev registraram um aumento significativo, atingindo máxima de 15,30% e alcançando o valor de R$ 15,65 nesta terça-feira, 5, após a divulgação dos resultados referentes ao primeiro trimestre de 2026 (1T26), que surpreenderam positivamente os analistas do mercado. O papel da empresa se destacou na ponta positiva do Ibovespa e na B3.
Resultados financeiros do 1T26
No primeiro trimestre de 2026, a Ambev apresentou um lucro líquido de R$ 3,89 bilhões, representando um crescimento de 2,1% se comparado ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida também demonstrou um crescimento orgânico de 8,1%, totalizando R$ 22,46 bilhões, enquanto o volume de vendas avançou moderadamente, com um aumento de 0,1%.
O resultado operacional, medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, atingiu R$ 7,56 bilhões, o que representa uma alta de 1,5% em relação ao último trimestre de 2025. Houve uma ligeira melhora na margem, que passou de 33,1% para 33,6%.
De acordo com os analistas, a divisão de Cerveja Brasil foi o principal fator que contribuiu de forma positiva para os resultados do primeiro trimestre de 2026. Em contraste, os segmentos do Canadá e América do Sul continuam a apresentar desafios para a empresa.
Pagamentos de juros sobre capital próprio
Ainda assim, os especialistas acreditam que o desempenho no 1T26 pode beneficiar a ação ABEV3. Além disso, a Ambev anunciou o segundo pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) aos acionistas referente a 2025, no valor de R$ 0,0642 por ação, assim como uma distribuição para 2026 equivalente a R$ 0,037 por ação, que será paga no dia 31 de dezembro.
Por volta das 11h46, no horário de Brasília, as ações da Ambev apresentavam um avanço de 15,03%, sendo comercializadas a R$ 16,61. Neste mesmo horário, o Ibovespa registrava uma alta de 0,45%, atingindo 186.527,83 pontos.
Projeções e desafios a longo prazo
O Banco Safra analisou que, apesar do resultado otimista da Ambev no primeiro trimestre de 2026, permanecem inalterados os desafios estruturais da indústria ao longo prazo. No entanto, esse momento positivo poderá contribuir para o desempenho da ação no curto prazo.
Segundo o banco, a Cerveja Brasil foi a principal surpresa positiva, com um crescimento de volume de 1,2% em relação ao ano anterior, superando tanto a Heineken quanto a indústria de forma geral. As outras divisões também apresentaram resultados melhores do que o esperado, exceto na área da América Central e Caribe, mesmo com volumes mais fracos, o que resultou em um resultado sólido para o trimestre.
No acumulado do ano, o resultado operacional da empresa teve um crescimento de 3% na comparação anual, sustentado pela expansão da margem bruta e menores despesas de vendas, administrativas e gerais (SG&A).
No entanto, essa possibilidade de desempenho positivo pode não ser replicada nos próximos trimestres devido aos eventos da Copa do Mundo e os pagamentos de bônus, considera o Banco Safra.
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Desempenho financeiro e recomendações de analistas
O resultado financeiro líquido da Ambev piorou em 23% no comparativo ano a ano, impactado por maiores efeitos de câmbio (FX) e pelo método de marcação a mercado (MTM). Apesar disso, o lucro líquido ajustado superou as expectativas, vindo 4% acima do esperado e 1% acima do consenso do mercado.
O Banco Safra manteve sua recomendação de venda para as ações, considerando a avaliação de preço baixa em comparação aos pares de mercado, estabelecendo um preço-alvo de R$ 16, o que implica um potencial de valorização de 11% em relação ao último fechamento.
Revisões de estimativas e ações da Ambev
Na visão do JP Morgan, as estimativas para o Ebitda consolidado devem ser revisadas para cima no mercado após a divulgação dos resultados acima do esperado, especialmente devido ao forte crescimento orgânico de mais de 10% na comparação anual, bem como à expansão da margem e à projeção positiva do custo dos produtos vendidos (CPV) por hectolitro da Cerveja Brasil.
A manutenção das projeções de custos pela empresa e seu contínuo impulso comercial suportam essa análise. De acordo com o banco, “os resultados demonstram a execução eficaz das estratégias de crescimento aliadas à disciplina de custos, o que deve ser bem recebido pelo mercado”.
O JP Morgan mantém sua recomendação neutra para as ações da ABEV3.
Contribuições do segmento de não alcoólicos e desafios enfrentados
Para a XP Investimentos, a divisão de Cerveja Brasil teve um papel crucial nos resultados positivos da Ambev, especialmente em base relativa, compensando de forma eficaz as performances mais fracas em outras operações. A corretora também observa que a divisão de não alcoólicos da companhia (NAB) registrou margens bem superiores ao esperado, e o segmento da América Central e Caribe apresentou um crescimento orgânico de 7,7% em volumes na comparação anual, além de um crescimento de 13,6% em Ebitda.
Apesar das operações que continuam a enfrentar desafios significativos no setor, como no Canadá e América do Sul, a XP Investimentos identificou elementos positivos, como a expansão de margens nessas áreas e a expectativa de que a Copa do Mundo traga benefícios no curto prazo.
A lembrança de tempos passados e resultados significativos
O BTG Pactual destaca que o crescimento na divisão de Cerveja Brasil traz um “gostinho de velhos tempos”, ressaltando que este segmento foi responsável por 80% da surpresa positiva do Ebitda nos primeiros três meses do ano. O banco acredita que as vendas para distribuidores foram mais robustas do que as vendas ao consumidor final, que apresentam leves quedas, mas isso não altera um ponto-chave: as condições estão se preparando para um 2026 possivelmente mais robusto em termos de volume.
Além disso, o banco enfatiza que, durante o período, a combinação de volume e preço foi a mais forte observada nos últimos anos. A geração de caixa também se mostrou robusta para um primeiro trimestre, e a análise sugere que a Ambev pode estar acelerando a distribuição de recursos a seus acionistas, planejando uma remuneração superior a 100% do lucro no ano.
Por fim, o BTG Pactual manteve sua recomendação neutra para as ações da Ambev, com um preço-alvo de R$ 17, o que implica um potencial de valorização de 17,7% em relação ao fechamento anterior.
Fonte: www.moneytimes.com.br


