Silêncio da Naskar e Resposta ao Jorna
Por quase duas semanas, os controladores da Naskar mantiveram-se em total silêncio. Não foram emitidos comunicados, não houve entrevistas e, tampouco, respostas à imprensa. Na noite do domingo (17), a fintech finalmente se manifestou em resposta a perguntas de um veículo de comunicação. O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC encaminhou 16 perguntas e obteve respostas assinadas pela empresa. Nelas, a Naskar abandonou a versão de “perda na base de dados” e apresentou uma narrativa completamente nova, afirmando que o problema deveria ser atribuído aos próprios investidores.
Auditoria e Saques Indevidos
De acordo com a nova versão apresentada pela Naskar, uma auditoria interna revelou que os clientes realizaram saques que totalizaram aproximadamente R$ 67 milhões além do que lhes era devido, incluindo investidores que já haviam quitado suas posições. A empresa explicou que esses saques indevidos foram a razão pela qual os pagamentos foram interrompidos e o aplicativo deixou de funcionar no início de maio. A Naskar ressalta que “os valores estão sujeitos a alteração até o término do processo de auditoria”.
Questões Não Respondidas
Quando questionada sobre detalhes adicionais, como o período em que os saques ocorreram, o mecanismo utilizado, quem conduz a auditoria e se a empresa está preparando uma representação criminal, a Naskar declarou que não iria responder.
Dados da Naskar
Naskar é uma fintech que captava recursos de pessoas físicas mediante contrato de mútuo, prometendo rendimento mensal fixo entre 1,5% e 2%, equivalente a até 175% do CDI. A empresa não possuía registro no Banco Central nem na Comissão de Valores Mobiliários. Em 4 de maio de 2026, deixou de pagar os rendimentos contratados a cerca de 3.000 clientes. O aplicativo saiu do ar no dia seguinte.
Divergência de Informações
No dia 7 de maio, a Naskar havia enviado uma nota corporativa aos clientes informando sobre “perda na base de dados” e prometendo um posicionamento institucional na semana seguinte. Esse posicionamento, no entanto, nunca se concretizou.
Agora, nas respostas ao Times Brasil | CNBC, a empresa descarta essa explicação. Segundo a Naskar, o que a auditoria interna revelou não foi perda de dados, mas sim uma inconsistência nos saques realizados pelos investidores.
A empresa não apresentou documentação, laudo de auditoria independente ou nome do responsável que sustente esta nova versão dos fatos.
Motivo do Atraso na Comunicação
Sobre o atraso no posicionamento prometido, a empresa justificou que “a auditoria ainda não foi finalizada” e que a falta de comunicação se deu, também, pela negociação de venda do grupo a uma “gestora americana”, que estaria disposta a aportar ativos como garantia e reestabelecer o relacionamento com o mercado.
Carta de Circularização
A nova versão da Naskar conecta dois episódios que geraram dúvidas entre os investidores. No sábado (9) de maio, a empresa enviou uma Carta de Circularização, solicitando documentos pessoais de cada cliente em um prazo de dez dias, com cláusula expressa de não reconhecimento automático de saldo, novação ou quitação.
Nas respostas ao Times Brasil | CNBC, a Naskar confirmou que essa cláusula foi inserida devido aos supostos saques indevidos. O advogado Vinícius Barboza, doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e sócio fundador do BMS Advocacia, apontou que o documento configura um mecanismo de gestão processual. O envio dos documentos sem as devidas precauções pode resultar em prejuízos adicionais à posição jurídica dos investidores.
Carta de Circularização é um instrumento formal utilizado por empresas para coletar informações e documentos de contrapartes. A inclusão de cláusula de não reconhecimento de saldo indica que o simples envio dos documentos não implica confirmação de débito pela empresa emissora.
Paradeiro dos Recursos
A Naskar também se pronunciou sobre o destino dos recursos dos investidores. Segundo a empresa, os valores “estão em uma corretora de valores, custodiados em ações“. Esta afirmação contradiz a estrutura operacional documentada previamente, que indicava que toda a captação de clientes era processada pela 7Trust Finance e custodiada na CelCoin Instituição de Pagamento S.A. A empresa não revelou qual corretora detém os recursos e não apresentou extrato ou comprovante.
Em relação à 7Trust Finance, parceira que realizava as operações da Naskar sem ter obtido autorização final do Banco Central, a companhia limitou-se a informar que a instituição “estava tramitando as licenças necessárias junto ao Banco Central”.
Controvérsia sobre o Volume de Captação
Em relação ao volume total captado, a Naskar contestou as estimativas que circularam na imprensa e nos processos judiciais. A empresa alega que o processo de auditoria interna aponta valores inferiores a R$ 400 milhões, “mas os números ainda não estão totalmente fechados”.
Ações judiciais em andamento e estimativas de veículos de comunicação indicam que o montante pode variar entre R$ 850 milhões e R$ 1 bilhão, afetando aproximadamente 3.000 clientes.
Alterações Societárias
Em resposta a perguntas sobre as alterações nas estruturas societárias realizadas nos 60 dias anteriores ao colapso, que incluem mudança de razão social, retirada de CNAEs financeiros e a criação das empresas Voga e Spy, a Naskar alegou que os atos foram resultado de “reorganizações societárias e administrativas”, sem fornecer detalhes sobre as mudanças ou um cronograma que as motivou.
Sobre a fundação de Voga e Spy, a companhia acrescentou que Marcelo Liranço Arantes e José Maurício Volpato constituíram essas sociedades “devido à possível venda do grupo“, com o intuito de atuarem como consultores ou prestadores de serviços após a transação.
Vínculo com a Hagar Gestão Financeira
A Naskar confirmou seu vínculo com a Hagar Gestão Financeira, que opera fisicamente na antiga sede da empresa, localizada na Vila Olímpia, em São Paulo. Conforme a resposta enviada à reportagem, a Hagar “representa comercialmente a Naskar” e se instalou no endereço “por conta de políticas de planejamento comercial”, junto a outros parceiros que também ocupavam o local.
Essa confirmação é uma novidade em relação ao que os registros públicos indicavam, visto que até a elaboração da matéria anterior, o vínculo entre as duas organizações não havia sido formalmente reconhecido.
Relativamente à Family Office Daytona, registrada com o e-mail pessoal de Rogério Vieira, mas com Ana Elisa Laporta de Abreu como sócia formal, a Naskar afirmou que a sociedade “não possui nenhum vínculo com o Grupo Naskar”.
Sobre a possível reestruturação ou pedido de recuperação judicial, a Naskar declarou que não iria responder.
Fonte: timesbrasil.com.br

