O Fed divulga ata do FOMC e revela divisão interna
O Federal Reserve (Fed) divulgou, na quarta-feira (20), a ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), um documento que apresenta uma análise detalhada do estado da economia dos Estados Unidos e o posicionamento dos diretores sobre a política monetária do país.
Divisão entre os diretores e incertezas econômicas
Segundo Will Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a ata reflete "um Fed dividido", que apresenta muitas incertezas relacionadas ao impacto inflacionário do conflito no Oriente Médio sobre a economia americana nos próximos meses.
Ao analisar o documento, é importante ressaltar que ele se refere a uma decisão tomada em abril, antes da divulgação de dados recentes sobre inflação. "Essa definição por parte dos diretores do Fed ocorreu antes da divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor) e do PPI (índice de preços ao produtor) que foram divulgados na semana passada e mostraram resultados elevados", afirmou Castro Alves. Os índices de inflação ao consumidor e ao produtor recentemente divulgados superaram as expectativas do mercado.
Divergência entre diretores e o viés de afrouxamento
A ata revelou que vários dirigentes do Fed expressaram a vontade de remover do comunicado oficial a menção ao "easing bias", isto é, o viés de afrouxamento monetário. Will Castro Alves comentou que "alguns diretores indicaram que não devem ter nenhum viés, e que precisam manter a porta aberta para um eventual aumento das taxas de juros". A questão do viés de afrouxamento gerou divergências entre três diretores com direito a voto: Hammack, Kashkari e Logan.
Castro Alves ainda destacou a influência da guerra no contexto inflacionário, afirmando que o conflito afeta diretamente os preços do petróleo, cujo efeito não é imediato. "A guerra impacta o preço do petróleo, e esse impacto não ocorre de forma instantânea; leva de três a seis meses, pelo menos, até que sintamos esse efeito integral na economia", explicou. Ele mencionou que uma elevação de 10% no preço do petróleo corresponde a aproximadamente 0,1 ponto percentual a mais no índice de preços ao consumidor (CPI), e que, considerando que o petróleo já teve um aumento superior a 50%, isso poderia representar mais de 0,5 ponto percentual a mais de impacto na inflação.
Inteligência artificial e suas implicações para a deflação a longo prazo
Outro ponto relevante da análise foi a inserção de argumentos sobre os investimentos em inteligência artificial na ata. Will Castro Alves esclareceu que, no curto prazo, a inteligência artificial tende a ser inflacionária, em virtude do aumento dos custos de energia, da demanda por chips e da necessidade de investimentos em data centers. Entretanto, no longo prazo, a tecnologia historicamente proporciona ganhos de produtividade, resultando em efeitos deflacionários na economia.
Em relação às perspectivas para as próximas reuniões do FOMC, Castro Alves avaliou que é "extremamente improvável" que se mantenha o viés de corte de juros. Embora não anteveja alteração na taxa de juros na próxima decisão do Fed, ele acredita que a próxima ata deve mostrar uma postura "consideravelmente mais aberta" para a possibilidade de um eventual aumento das taxas. O especialista concluiu que, com a inflação ainda superior à meta e a economia dos Estados Unidos mostrando resiliência, o espaço para argumentar em favor de cortes nas taxas de juros está bastante limitado.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


