A Polícia Federal avançou, na última terça-feira (19), para a sétima fase da Operação Compliance Zero, com uma nova direcionamento voltado para a própria corporação.
A investigação, que recebeu autorização do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal, investiga as suspeitas de vazamentos de informações sigilosas da operação para um jornalista.
Um perito criminal federal foi suspenso de suas funções e sua residência foi alvo de buscas, após a PF identificar possíveis repasses indevidos de dados internos relacionados ao caso do Banco Master.
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Deflagrada originalmente em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero começou a investigar supostas irregularidades financeiras associadas a carteiras de crédito. Ao longo dos meses, o inquérito se diversificou, incorporando novas linhas de investigação relacionadas à corrupção, lavagem de dinheiro, espionagem clandestina, violação de sistemas e intimidação de opositores.
As investigações colocaram em foco o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, associados a ele, além de estruturas que a PF classifica como responsáveis pela ocultação de patrimônio e pela proteção de interesses privados.
1ª fase da Operação Compliance Zero
A primeira fase da operação foi realizada em 18 de novembro de 2025. Nesse momento, a Polícia Federal estava investigando a emissão de títulos de crédito que não possuíam lastro considerado regular pelos órgãos fiscalizadores. Mandados foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. Daniel Vorcaro, identificado como o controlador do Banco Master, foi preso preventivamente, mas foi liberado poucos dias depois, com a imposição de medidas cautelares.
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As investigações levantaram suspeitas de que carteiras de crédito inconsistentes eram comercializadas entre instituições financeiras e substituídas após fiscalizações realizadas pelo Banco Central. Os crimes investigados incluíam gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
2ª fase: bloqueios bilionários
No mês de janeiro de 2026, a segunda fase da operação ampliou o alcance patrimonial das investigações. A Polícia Federal solicitou o bloqueio de bens e valores que ultrapassavam R$ 5,7 bilhões.
As suspeitas nas investigações passaram a envolver a lavagem de dinheiro, a manipulação de mercado e a utilização de estruturas financeiras para mascarar patrimônios.
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Foi nesse intervalo que o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal. O ministro André Mendonça ficou encarregado da relatoria, após surgirem elementos que sugeriam uma possível proximidade entre Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli.
3ª fase: suspeitas de ameaças e invasão de dispositivos
A terceira fase foi desencadeada em março de 2026, evidenciando uma mudança significativa no foco da investigação. Além das questões financeiras, a Polícia Federal começou a apurar práticas relacionadas à intimidação e espionagem.
Daniel Vorcaro foi novamente preso. A investigação mencionou um grupo denominado “A Turma”, apontado como responsável por ameaças, corrupção e invasão de dispositivos eletrônicos.
Dois servidores associados ao Banco Central foram afastados por determinação do STF, sendo submetidos a medidas cautelares que incluíam o uso de tornozeleiras eletrônicas. Os valores dos bloqueios patrimoniais autorizados pela Justiça atingiram até R$ 22 bilhões.
4ª fase: relação entre BRB e Banco Master
Em abril de 2026, a quarta fase centralizou as investigações nas transações financeiras entre o BRB e o Banco Master.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso sob a acusação de pagamento de propinas por meio de imóveis de alto padrão localizados em Brasília e São Paulo.
Leia também: Segundo a Polícia Federal, imóveis avaliados em aproximadamente R$ 146 milhões teriam sido utilizados para ocultar vantagens indevidas. A investigação também passou a considerar grandes investimentos relacionados à aquisição de carteiras de crédito consignado.
5ª fase: apuração sobre pagamentos
A quinta etapa ocorreu em 7 de maio de 2026, intensificando investigações sobre operadores do setor financeiro e pagamentos questionáveis associados ao senador Ciro Nogueira.
Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente. A Polícia Federal alega que ele atuava como operador financeiro dentro do esquema em questão.
Durante a investigação, foram localizadas mensagens mencionando pagamentos mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil relacionados a uma parceria denominada “BRGD/CNLF”.
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Além disso, operações societárias consideradas incomuns em relação ao valor de mercado começaram a ser examinadas, incluindo a compra de uma participação na Green Investimentos S.A.
6ª fase: grupo suspeito
A sexta fase foi deflagrada em 14 de maio de 2026, abrangendo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A PF afirmou haver identificado uma estrutura clandestina dedicada à proteção dos interesses associados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.
De acordo com os investigadores, esse grupo monitorava adversários, acessava informações sigilosas e tentava suprimir conteúdos negativos da internet.
Dentre os crimes em investigação estão a organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, ameaças, violação de sigilo funcional e invasão de dispositivos eletrônicos.
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Um dos detidos foi Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro e fundador do Grupo Multipar. A investigação sugere que ele teria ligações com a estrutura identificada como “A Turma”.
A operação também atingiu uma delegada da Polícia Federal, suspeita de ser parte do esquema e de utilizar acessos privilegiados para obter informações sigilosas.
As apurações revelaram mensagens que indicavam possíveis ameaças ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
7ª fase: PF investiga vazamento de informações
A sétima fase da Compliance Zero representou a primeira vez em que a investigação enredou diretamente um membro da própria Polícia Federal.
Na terça-feira (19), um perito criminal federal foi alvo de mandados de busca e apreensão e acabou sendo afastado de suas funções por decisão do STF.
De acordo com a investigação, ele teria repassado informações sigilosas obtidas a partir da análise de materiais apreendidos nas fases anteriores da operação.
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A Polícia Federal sustenta que o propósito das medidas é assegurar a continuidade das investigações, prevenir novos vazamentos e coletar provas que ainda são necessárias.
O Supremo Tribunal Federal enfatizou que a apuração não visa jornalistas ou veículos de imprensa, destacando a importância da preservação do sigilo de fontes e da liberdade de atuação jornalística.
Investigação segue em andamento
Com sete fases executadas em pouco mais de seis meses, a Operação Compliance Zero se consolidou como uma das mais significativas investigações financeiras em curso no país.
A Polícia Federal continua a busca por patrimônio, movimentações financeiras e potenciais conexões entre agentes públicos, operadores financeiros e membros do grupo em investigação.
Os advogados dos indivíduos implicados na operação Compliance Zero afirmam que contestarão as acusações e apresentarão esclarecimentos no processo. Medidas adicionais não estão descartadas pelas autoridades envolvidas no caso.
Fonte: timesbrasil.com.br

