Custos em Alta e Atividade Resiliente na Construção Civil
O setor de construção civil apresenta um panorama de sinais divergentes. Enquanto os custos voltaram a subir, especialmente em relação às matérias-primas, a atividade permanece resiliente. Esse comportamento é impulsionado principalmente por um nicho econômico específico e por condições ainda favoráveis de crédito habitacional, segundo um relatório elaborado pelo BB Investimentos (BB-BI).
O analista Felipe Mesquita, responsável pela análise, informa que o principal índice do segmento imobiliário, conhecido como IMOB, apresentou uma queda de 3,8% em abril, seguindo a trajetória de baixa iniciada em março, que acumulou uma desvalorização de 9,4%.
Em contrapartida, durante o mesmo período, o Ibovespa registrou uma estabilidade, com uma leve desvalorização de 0,1%. Esse fato evidencia que o setor imobiliário teve um desempenho inferior ao do mercado em geral.
Pressão de Materiais e Alertas sobre Custos
Um dos principais destaques do mês passado, que afetou negativamente a performance das ações das construtoras, foi a elevação do INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado), que apresentou uma alta de 1,04%, acumulando um crescimento de 6,28% em um período de 12 meses.
De acordo com o analista, a principal pressão sobre os custos provém dos materiais de construção, cuja elevação foi de 1,35%, representando a maior alta mensal desde o ano de 2022. Essa tendência é influenciada por tensões geopolíticas e pelos impactos na cadeia global de insumos.
O relatório do BB-BI também destaca que o custo de mão de obra continua a pressionar o índice, apresentando uma alta de 8,71% no acumulado dos últimos 12 meses, embora tenha sido observada uma leve desaceleração recentemente.
Além disso, a taxa de juros elevada voltou a ser apontada como um dos principais problemas enfrentados pela indústria da construção, de acordo com um levantamento realizado pela CNI. Essa situação reflete a percepção de que o ciclo de afrouxamento monetário ocorrerá de forma mais lenta do que o esperado.
Segmento Econômico Sustenta o Setor
Apesar do cenário desafiador e da recente queda dos papéis na bolsa, o BB-BI reforça que o setor de construção continua sustentado pelo segmento de baixa renda, que mantém um ritmo robusto de lançamentos e vendas.
Na avaliação da instituição, o avanço de programas habitacionais e a disponibilidade de condições de financiamento se mantêm como os principais vetores de demanda no setor.
O relatório observa: “Mesmo nesse ambiente, o setor tem ampliado sua participação na geração de empregos formais no Brasil. O forte ritmo de lançamentos e vendas de imóveis é impulsionado pelas condições favoráveis do Minha Casa, Minha Vida.”
Além disso, embora as incorporadoras que focam em empreendimentos de médio e alto padrão tenham reduzido o ritmo de lançamentos em função da previsão de uma demanda mais limitada, as vendas nesse nicho continuam a superar consistentemente a reposição desde o início de 2023.
Entre as empresas que se destacam, o banco menciona que a Direcional (DIRR3) e a Cury (CURY3) mantiveram, no primeiro trimestre de 2026 (1T26), níveis elevados de vendas. Por sua vez, a Tenda (TEND3) apresentou um expressivo crescimento no lucro e um avanço operacional significativo.
Enquanto isso, a MRV (MRVE3) mostrou sinais de recuperação gradual, com um retorno à geração de caixa, apesar de registrar prejuízo no período. Já empresas como Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3), que estão mais expostas ao mercado de média e alta renda, vêm ampliando sua atuação no segmento econômico para sustentar seus volumes de vendas.
Crédito Imobiliário: Poupança Reage, Mas Financiamento Segue Fraco
Em relação ao financiamento, o BB-BI também destaca que a poupança SBPE registrou uma captação líquida de R$ 500 milhões em abril, marcando o primeiro resultado positivo do ano de 2026. O saldo total chegou a R$ 753,8 bilhões, atingindo o maior nível nominal do ano.
No entanto, em termos reais, esse saldo ainda apresenta uma redução de 4% em um período de 12 meses. As contratações realizadas por meio da SBPE continuam em declínio, com quedas de 14,2% na construção e 16,7% na aquisição de imóveis.
Adicionalmente, o FGTS se mantém como uma fonte relevante de funding, com uma arrecadação recorde de R$ 217,3 bilhões nos últimos 12 meses e um crescimento de 5,8% nas contratações imobiliárias dentro deste período.
Fonte: www.moneytimes.com.br

