Impacto da Alta do Petróleo na Inflação Brasileira
A recente elevação dos preços do petróleo no mercado internacional está projetando um impacto significativo e amplo sobre a inflação no Brasil, que vai além do que se observa apenas nos combustíveis. Segundo um relatório do Itaú BBA divulgado na quinta-feira, dia 22, o aumento nos preços da commodity já está se refletindo nos índices de inflação e poderá levar o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa no processo de cortes na taxa Selic.
Estimativa de Aumento do IPCA
O Itaú estima que um aumento de 10% nos preços do petróleo pode resultar em uma elevação do IPCA entre 0,5 e 0,7 ponto percentual, levando em conta tanto os efeitos diretos quanto os indiretos sobre a economia.
Na prática, os efeitos do aumento do preço do petróleo não se restringem apenas à gasolina e ao diesel. O banco destaca que o impacto se espalha por diversas cadeias produtivas, afetando custos associados ao transporte, logística, embalagens, energia e insumos industriais.
Os economistas Julia Gottlieb, Luciana Rabelo e Mario Mesquita, no documento, afirmam: “O canal indireto reflete os custos ao longo das cadeias produtivas: transporte, logística, energia, embalagens e insumos industriais.”
O relatório ressalta que, embora os efeitos indiretos sejam mais desafiadores de medir, eles têm potencial para ser mais persistentes e impactantes na inflação ao longo do tempo.
Aumento do Cenário do IPCA em 1,1 Ponto Percentual
O banco Itaú informa que seu cenário-base para a inflação em 2026, que atualmente está em 5,2%, já inclui uma previsão de petróleo médio a US$ 85 por barril e um câmbio cotado em R$ 5,15.
De acordo com os cálculos apresentados, a recente alta da commodity elevou em cerca de 1,1 ponto percentual o cenário de IPCA para o próximo ano. Este aumento se dá, sendo aproximadamente 0,5 ponto devido aos efeitos diretos nos combustíveis e 0,6 ponto resultado de efeitos indiretos sobre a economia.
As simulações realizadas pelo banco indicam que esse impacto indireto pode variar entre 0,75 e 1,25 ponto percentual. Essa variação depende do comportamento do dólar e da intensidade do repasse de custos para os preços ao consumidor.
O Itaú também destaca que a transferência de custos tende a ser mais pronunciada em tempos de economia em expansão, permitindo que as empresas repassem os custos de forma mais eficiente.
O Papel do Diesel como Vetor de Pressão
O estudo do Itaú revela que o diesel é responsável por aproximadamente um terço do impacto indireto que o aumento do petróleo exerce sobre a inflação, principalmente devido ao seu efeito sobre os fretes e no transporte de mercadorias.
Além disso, o banco observa que os Índices Gerais de Preços (IGPs) já demonstram sinais de uma rápida transmissão do aumento dos preços do petróleo para os custos industriais e bens comercializáveis. Esse fenômeno pode acelerar ainda mais o repasse dos impactos ao IPCA nos meses subsequentes.
O Itaú conclui que a situação reforça um “balanço de riscos altista” para a inflação no Brasil e sugere que o Banco Central deve adotar uma postura de maior prudência em relação à política monetária.
Fonte: www.moneytimes.com.br

