Freio no Processo de Oferta Pública da Copasa
O governo do estado de Minas Gerais suspendeu, sem explicações claras, o processo de oferta pública de ações da Copasa no exato momento em que o mercado aguardava a reveleção do sócio estratégico que participaria da operação. Segundo Gustavo Trota, especialista e sócio da Valor Investimentos, essa decisão vai além de um simples atraso de agenda.
Repercussão do Atraso
Trota afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC: “O que ocorreu hoje é mais grave do que um mero ajuste de cronograma. A Copasa frustrou o anúncio do sócio de referência que o mercado esperava para esta manhã e, com isso, reiniciou todo o processo, exigindo a construção de um novo prospecto”.
Contexto da Decisão
A avaliação da situação se complica ao considerar o contexto. Equatorial e um consórcio com sócios da Aegea já haviam apresentado suas propostas até a última segunda-feira (25). Havia uma real competição, com duas operações em andamento. Contudo, o governo de Minas Gerais, atuando como acionista vendedor, decidiu interromper a iniciativa por meio de um ofício.
Justificativa e Implicações
O fato relevante enviado pela Copasa menciona apenas “fatores supervenientes” como justificativa para as mudanças. Essa expressão, de cunho jurídico, sugere a aparição de novas circunstâncias ou alterações de natureza política, regulatória, de mercado ou estrutural. O comunicado não oferece mais detalhes.
Trota observa que, apesar da falta de informações, é possível realizar uma análise do ocorrido. Ele explica: “Retroceder ao dia do anúncio, com propostas competitivas em mãos, normalmente indica o surgimento inesperado de questões relacionadas ao nível de preço ou governança”. Ele també menciona: “O mercado exige essa explicação de forma imediata, e hoje estamos vendo isso refletido no preço das ações”.
Impacto no Mercado
Após a divulgação do comunicado, as ações da Copasa enfrentaram uma queda de até 7% na Bolsa. Este movimento representa anos de expectativas acumuladas, já que as ações chegaram a quase triplicar desde o início da discussão sobre a privatização em abril de 2025, até a máxima histórica observada neste mês.
Cenários para a Copasa
Analistas do mercado já mapearam as expectativas de valor da companhia em função de desfechos distintos. Com a privatização em andamento e a empresa apresentando eficiência operacional, o valor justo estimado das ações pode se aproximar de R$ 80. No entanto, caso a Copasa permaneça como uma empresa estatal, a projeção pode cair para cerca de R$ 30 por ação.
Trota explicou que o que movimenta o mercado atualmente é a expectativa sobre a rapidez da evolução desse processo. Afirmou: “O tempo é um fator crucial; quanto mais demorado, pior. Em um ano eleitoral, cada semana que passa tem sua relevância”.
Contexto da Oferta
É importante destacar que a oferta da Copasa representa uma distribuição secundária de ações. Isso significa que a companhia não está emitindo novos papéis; a venda está sendo realizada pelo Estado de Minas Gerais, acionista controlador, que busca reduzir sua participação em um processo de desestatização. Os recursos gerados com a venda serão direcionados ao governo estadual e não ao caixa da empresa.
Motivações e Estrutura da Operação
A operação é, sem dúvida, guiada por motivos fiscais. Minas Gerais possui uma dívida de R$ 177 bilhões com a União, e a venda da Copasa representa uma parte do Propag, um programa federal que visa a renegociação de dívidas estaduais. Os R$ 9 bilhões esperados com esta operação serviriam para abater esse passivo, com exigências obrigatórias em áreas como educação, segurança e infraestrutura.
A estrutura inicial da operação contava com a venda de 30% da empresa ao sócio de referência e mais 15% ao mercado. O Estado de Minas Gerais ficaria com cerca de 5% na forma de uma golden share, um mecanismo que oferece poder de veto em decisões específicas.
Paralisação e Próximos Passos
Trota foi claro ao comentar sobre a incomum suspensão do processo. Ao ser questionado se esse tipo de retrocesso é uma prática comum, ele respondeu: “Esse tipo de situação não é habitual, especialmente no dia em que se esperava a confirmação do investidor de referência”.
De acordo com as mudanças impostas pelo acionista vendedor, o Comitê de Coordenação e Governança de Estatais deverá se pronunciar sobre as alterações antes de novos passos serem dados. Assim, somente após a aprovação, o prospecto será republicado e um novo cronograma será apresentado. Os mesmos grupos, Equatorial e o consórcio Aegea, continuam como potenciais candidatos para atuar como sócio de referência na nova fase do processo.
Fonte: timesbrasil.com.br


