Os Novos Confrontos dos Gigantes na Busca por Proteínas e Bem-Estar

Os Novos Confrontos dos Gigantes na Busca por Proteínas e Bem-Estar

by Fernanda Lima
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O mercado saudável, que antes era considerado um nicho, transformou-se em uma área de competição estratégica entre as marcas do varejo alimentar. Esse fenômeno é impulsionado por consumidores cada vez mais atentos à saúde, à praticidade e à funcionalidade. O crescimento é evidente no setor supermercadista, que teve um faturamento de R$ 1,145 trilhão em 2025, correspondente a 9,02% do PIB nacional, de acordo com o ranking da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS).

A mudança no comportamento dos consumidores é refletida em dados concretos de consumo. A pesquisa revela que 53% dos brasileiros diminuíram a ingestão de açúcar, 49% aumentaram o consumo de proteína e 45% passaram a incluir mais frutas e legumes em sua dieta.

Os efeitos dessa mudança já são visíveis nas prateleiras dos supermercados: um terço do faturamento gerado por refrigerantes no Brasil provém das versões sem açúcar. Além disso, categorias associadas à praticidade e saúde, como frutas congeladas, apresentaram um crescimento de 48,9% em volume entre janeiro e março de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Proteína se torna prioridade da indústria

A crescente demanda por produtos ricos em proteína é um dos principais reflexos dessa mudança no consumo. Inicialmente, essa categoria era focada em marcas especializadas em suplementação, mas agora atrai também empresas tradicionais do setor alimentício, que veem nesse novo movimento uma oportunidade para crescer em um mercado com alto valor agregado e consumo recorrente.

No evento, a Aurora anunciou oficialmente sua entrada no segmento com a linha “AuroPro Whey”, a qual aposta em bebidas lácteas que contêm até 15 gramas de proteína em cada embalagem. Em uma entrevista exclusiva, Ricardo Chueiri, diretor de Mercado e Consumo da empresa, afirmou que a decisão de ampliar a oferta ocorreu após anos de observação das mudanças nos hábitos alimentares dos consumidores.

“Identificamos essa tendência há muito tempo”, declarou o executivo. “Os consumidores estão buscando uma alimentação mais saudável, que contenha menos produtos processados e mais proteínas naturais.”

Conforme Chueiri, a estratégia da empresa é utilizar sua robusta rede de distribuição, presente em mais de 120 mil pontos de venda no país, para acelerar sua entrada em uma categoria que, segundo ele, cresce cerca de 20% ao ano.

Saúde se torna um ecossistema de consumo

A expansão do mercado saudável tem levado grandes marcas a ampliar suas atuações além da suplementação tradicional, explorando produtos que combinam proteína, conveniência, indulgência e experiência de consumo. Durante a feira do setor, executivos enfatizaram que a disputa pelo consumidor do segmento wellness passou a abarcar diferentes momentos do dia, desde o café da manhã até o pós-treino.

A empresa apresentou novas linhas funcionais e uma colaboração com a Hershey’s, que combinou bebidas proteicas e saborosas em uma única proposta. Andréia Alvares, gerente de Marketing da companhia, destacou que o crescimento dessa categoria acompanha uma mudança estrutural no comportamento dos consumidores.

“A proteína se tornou uma realidade, e o público busca produtos que unam saudabilidade, praticidade e sabor. O consumidor de proteína quer inovações, um maior paladar e maior conveniência”, afirmou Andréia.

De acordo com Juliana Morato, gerente de comunicação e atendimento do grupo, o crescimento da categoria está ligado à incorporação da proteína na rotina não só dos que frequentam academias, mas de consumidores em geral.

“Acabamos desenvolvendo soluções para diversos perfis de consumo, inclusive produtos para pessoas acima de 50 anos, diabéticos e consumidores que buscam produtos para emagrecimento”, declarou Morato. Para conquistar o público mais jovem, a Piracanjuba estabeleceu colaborações com marcas como Milky Moo, Cacau Show, Netflix e Rock in Rio.

Na Danone, o avanço da alimentação funcional é visto como reflexo de uma transformação mais ampla entre os consumidores. Marcelo Bronze, vice-presidente de Marketing da companhia, ressaltou que o crescimento do mercado saudável vai além da mera busca por desempenho físico.

“Hoje, o consumidor é mais informado, criterioso e busca produtos que ofereçam benefícios reais, respaldados por evidências científicas e que se integrem à sua rotina”, afirmou Bronze. A companhia avalia que o mercado brasileiro ainda tem espaço significativo para crescimento, impulsionado por práticas que promovem saúde, qualidade de vida e longevidade.

O crescimento das academias impulsiona o consumo wellness

A expansão do mercado saudável está diretamente ligada ao rápido crescimento do setor fitness no Brasil, que se firmou como um dos principais motores da demanda por produtos funcionais, proteicos e voltados à saúde preventiva.

Essa mudança comportamental é evidenciada pelo aumento no número de academias, fortalecimento da cultura de bem-estar e pela consolidação do wellness como parte da rotina de consumo dos brasileiros.

O Brasil figura como o segundo país com o maior número de academias no mundo, superado apenas pelos Estados Unidos. De acordo com dados coletados pela IHRSA (International Health Racquet & Sportsclub Association), existem mais de 30 mil academias no país, embora a taxa de penetração ainda esteja abaixo de 5% da população – um número muito inferior aos mais de 20% observados em mercados maduros, como os países nórdicos e os EUA.

Conforme Nelson Lins, fundador da Selfit Academias e da Face Doctor, o crescimento desse setor reflete uma transformação cultural mais profunda, impulsionada pela busca por saúde preventiva, longevidade e qualidade de vida.

“Atualmente, é comum que médicos recomendem treinos para promoção da saúde e longevidade”, enfatizou Lins. Além disso, segundo o empresário, a preocupação com o autocuidado não se restringe mais apenas às classes mais abastadas, mas está atingindo consumidores de diversas classes sociais. “A consciência do público evoluiu em todas as classes, A, B, C e D”, completou.

Para as empresas do setor alimentício, esse crescimento ajuda a explicar por que produtos anteriormente associados exclusivamente à suplementação esportiva passaram a conquistar um espaço central no varejo tradicional. Assim, a alimentação funcional não atende mais somente atletas ou frequentadores assíduos de academias, mas também consumidores que buscam energia, bem-estar, envelhecimento saudável e uma rotina equilibrada.

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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