A possível reabertura do Estreito de Ormuz e seu impacto nos mercados globais
A reabertura do Estreito de Ormuz pode atenuar parte da tensão observada recentemente nos mercados globais. Contudo, especialistas destacam que os efeitos positivos para os investidores não devem ocorrer de forma imediata.
Cautela do mercado diante da crise
O mercado ainda se movimenta com cautela em relação às incertezas quanto ao impacto da crise nos preços da energia e na economia global. O Estreito de Ormuz é visto como uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, sendo responsável pelo transporte de aproximadamente um quinto do petróleo consumido mundialmente.
O estreito é delimitado pelas costas do Irã e de Omã. Antes do atual conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã, os persas haviam apenas ameaçado fechar essa passagem, sem, no entanto, concretizar tal ação.
Percepção de fragilidade geopolítica
Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, afirma que o principal efeito da crise é a alteração da percepção do mercado em relação à estabilidade do estreito. Segundo ele, os analistas e investidores agora veem o Estreito de Ormuz como uma via muito mais frágil do que se imaginava anteriormente. Com isso, o risco geopolítico precisa ser levado em conta no preço do petróleo.
De acordo com Pascowitch, essa nova percepção diminui a probabilidade de que o preço do barril de petróleo retorne rapidamente aos níveis que eram observados antes do aumento das tensões. Com os preços da energia em alta, a inflação global tende a permanecer pressionada, especialmente nos Estados Unidos.
Impactos da inflação nos juros
O especialista afirma que o aumento nos preços do petróleo eleva a inflação americana, o que pode aumentar o risco de que o Banco Central dos EUA não reduz os juros ou, em um cenário mais adverso, precise até aumentar as taxas de juros. Neste cenário, ativos considerados mais arriscados podem sofrer maior pressão devido ao cenário de juros mais elevados.
Os juros altos nos Estados Unidos tornam os títulos públicos mais atrativos, levando investidores a realocar seus recursos para aplicações que são vistas como mais seguras. Esse movimento, por sua vez, tende a afastar recursos das bolsas globais, impactando particularmente ações de tecnologia e reduzindo o interesse em criptomoedas.
Entusiasmo em meio a tensões geopolíticas
Apesar das incertezas, as bolsas americanas permanecem próximas de máximas históricas, sustentadas principalmente pelo entusiasmo em torno do avanço da inteligência artificial e pelas empresas de chips, como a Nvidia. Pascowitch observa que, mesmo diante de riscos geopolíticos, a narrativa poderosa sobre inteligência artificial faz com que essas ações continuem atraindo investidores, embora também estejam suscetíveis a variações em função do aumento dos preços do petróleo, da inflação e dos juros.
Possíveis consequências de uma normalização no Estreito de Ormuz
Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, menciona que, caso ocorra uma normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, é provável que isso provoque uma descompressão gradual nos preços do petróleo, beneficiando ativos que estão ligados ao crescimento econômico e reduzindo, assim, parte da aversão ao risco que tem sido observada nas últimas semanas.
Em decorrência desse cenário, as ações de empresas do setor petrolífero podem perder força, enquanto ações de bolsas globais e ativos mais sensíveis ao crescimento econômico podem ganhar maior destaque. Além disso, o real pode perder parte da valorização recente, uma vez que a moeda brasileira foi favorecida pelo impacto das commodities na economia nacional e por sua popularidade entre investidores internacionais.
Fontes enfatiza que esse processo de normalização deve ser gradual. Isso se deve ao fato de que parte dos impactos já foi incorporada aos preços. Ademais, o mercado continua a monitorar os efeitos da crise sobre a inflação e a política monetária.
Compreensão do risco no mercado
A redução do risco não implica que ele tenha sido totalmente eliminado. De acordo com Fontes, os preços dos ativos podem demorar a voltar ao que eram, mas o mercado tende a antecipar essas movimentações e começa a aliviar as pressões sobre os preços dos ativos.
Resenha do Dinheiro
O programa “Resenha do Dinheiro”, realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, tem como apresentadores Thiago Godoy, conhecido como “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, e Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb. A proposta é oferecer uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas relacionados a educação financeira e investimentos.
O programa aborda semanalmente os principais tópicos da economia em um formato que traz a informalidade de uma conversa entre amigos, mas sem deixar de lado a análise crítica dos temas. A “Resenha do Dinheiro” vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube, e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


