Desempenho do Ibovespa
O Ibovespa (BOV) encerrou o pregão desta quinta-feira, 28 de maio, com uma queda de 0,39%, atingindo 175.063 pontos. Essa retração foi impulsionada principalmente pelas ações de empresas de grande peso nos setores financeiro, de consumo e de petróleo, como Itaú Unibanco (BOV), Ambev (BOV) e Petrobras (BOV | BOV | NYSE). O volume financeiro registrado foi de R$15,5 bilhões, o que representa uma cifra inferior à média móvel dos últimos 50 pregões, que foi de R$21,3 bilhões. Esse cenário reflete uma postura mais cautelosa dos investidores, que se mostraram preocupados diante das incertezas tanto externas quanto da agenda doméstica.
Comparação com Wall Street
O desempenho da bolsa brasileira contrastou com o de Wall Street, onde os índices Dow Jones (DOWI), S&P 500 (SPI) e Nasdaq Composite (NASDAQI) fecharam em alta. Essa valorização se deu após o surgimento de notícias a respeito de um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã, que visaria a extensão do cessar-fogo e o reestabelecimento das negociações sobre questões nucleares. No mercado futuro, o contrato do Ibovespa (BMF | BMF) também operou sob pressão ao longo do dia, refletindo a realização em ações de blue chips e uma redução do apetite por risco no cenário local.
Fatores Locais e Externos
Na quinta-feira, 28 de maio, o mercado brasileiro foi fortemente impactado tanto por fatores locais quanto internacionais. No cenário nacional, uma desaceleração significativa do mercado de trabalho foi identificada após o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) informar que houve apenas uma geração líquida de 85.888 vagas em abril, resultado bem abaixo da expectativa de 211,1 mil postos. Essa notícia intensificou as especulações sobre um possível corte na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) já na reunião de junho, levando os vértices da curva de juros futuros (BMF) a recuarem até 5 pontos-base. O índice de desemprego, medido pelo IBGE, caiu para 5,8%, superando as previsões. No entanto, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, reiterou um discurso rigoroso em relação à inflação, enfatizando que um eventual ajustamento na Selic não indica uma postura mais flexível da instituição.
Desenvolvimentos no Exterior
Internacionalmente, os investidores estavam atentos à possível negociação entre os Estados Unidos e o Irã sobre o cessar-fogo e o restabelecimento dos diálogos nucleares, embora fontes na região do Oriente Médio tenham levantado dúvidas quanto ao avanço desse acordo. O preço do petróleo Brent (CCOM) subiu para além de US$93 por barril, acentuando preocupações inflacionárias globais. Nos Estados Unidos, os dados referentes ao Produto Interno Bruto (PIB) e ao núcleo do Índice de Preços ao Consumidor Pessoal (PCE) indicaram uma desaceleração gradual da economia norte-americana, enquanto os operadores reduziram suas apostas sobre futuros aumentos nas taxas de juros pelo Federal Reserve. Na China, a fraqueza observada no minério de ferro voltou a ser um foco, após o contrato em Dalian registrar uma leve queda, o que pressionou algumas mineradoras e siderúrgicas listadas na bolsa brasileira.
Destaques do Pregão
Durante o pregão de quinta-feira, 28 de maio, as ações que mais se valorizaram no Ibovespa foram da Copasa (BOV), que apresentou uma alta após ajustes na oferta de ações do governo de Minas Gerais, bem como de empresas do setor de serviços públicos e exportação. Por outro lado, as maiores baixas foram observadas nas ações da Azzas (BOV), que, pertencente ao segmento de moda e varejo premium, registrou uma queda de 3,87%. O Magazine Luiza (BOV), um dos principais nomes do varejo digital e eletrônico no Brasil, viu suas ações desvalorizarem-se em 3,79%, enquanto a rede atacadista Assaí (BOV) teve uma perda de 2,92% no mesmo período.
Desempenho Corporativo
Dentre os principais responsáveis pela desvalorização do índice, destacaram-se Itaú Unibanco (BOV), considerado o maior banco privado do Brasil, Ambev (BOV), um gigante no setor de bebidas com marcas conhecidas como Skol, Brahma e Stella Artois, e a Petrobras (BOV | BOV | NYSE), que ainda assim sentiu pressão mesmo após anunciar um novo reajuste no preço da gasolina. No que tange ao fluxo de negociações, as ações da Petrobras, Vale (BOV | NYSE) e Itaú figuraram entre as mais negociadas do dia, concentrando uma parte significativa da liquidez do mercado. Um destaque negativo adicional foi a Raízen (BOV), que viu suas ações despencarem 19,05% após divulgar informações sobre uma ampla reestruturação financeira envolvendo a conversão de dívidas em participação acionária.
Mercado de Juros Futuros
O mercado de juros futuros na B3 apresentou movimentos de queda ao longo da quinta-feira, 28 de maio, refletindo por um lado a surpresa gerada pelos dados do CAGED e, por outro lado, o aumento das expectativas com relação a um corte na Selic na reunião de junho do Copom. As curvas de contratos mais curtos na taxa DI futuro (BMF) mostraram recuos mais acentuados, em função da percepção de desaceleração da atividade econômica no Brasil. Por sua vez, os vértices intermediários e longos também fecharam em baixa, embora de forma mais moderada, o que indica que os participantes do mercado ainda permanecem cautelosos diante do contexto fiscal e inflacionário estrutural.
Expectativas do Mercado
A avaliação das opções na B3 começou a indicar uma probabilidade de 82,5% de redução de 25 pontos-base na próxima reunião do Banco Central. Além disso, o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional demonstrou uma demanda robusta, com a venda de 13,7 milhões de LTNs e a colocação total das NTN-Fs que foram ofertadas. Por fim, o dólar futuro (BMF | BMF) apresentou uma queda de 0,57%, situando-se a R$5,035, enquanto o índice Dólar DXY (CCOM) recuou para 99,96 pontos, ajudando a aliviar parte da pressão sobre os ativos locais.
Fonte: br.-.com


