Americanas (AMER3) encerra operação deficitária e CEO revela nova etapa de reestruturação

Americanas (AMER3) encerra operação deficitária e CEO revela nova etapa de reestruturação

by Ricardo Almeida
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Introdução

O letreiro vermelho e branco com o nome “Lojas Americanas” faz parte do cotidiano de muitos brasileiros, seja dentro de shoppings, onde é um destino habitual antes de assistir a um filme, ou em lojas situadas em ruas movimentadas. A empresa, que se propôs a oferecer um sortimento diversificado de produtos, viu-se forçada a mudar seu rumo quando uma fraude contábil a levou a entrar em um processo de recuperação judicial (RJ), gerando preocupações acerca de sua possível falência.

Reestruturação e resultados financeiros

Três anos após o episódio, a Americanas (AMER3) não encerrou suas atividades e está colhendo os resultados de sua reestruturação, enquanto aguarda a autorização da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro para completar sua saída do processo de recuperação. A empresa trabalha arduamente para reconectar-se com os consumidores, implementando estratégias que integram o ambiente digital e físico, ao mesmo tempo em que prioriza o controle de custos e a rentabilidade.

Em entrevista ao Money Times, o CEO da companhia, Fernando Soares, destacou o desempenho das vendas e o crescimento das receitas no primeiro trimestre deste ano (1T26). A receita líquida no período apresentou um aumento de 20,2%, totalizando R$ 3,08 bilhões, conforme o balanço divulgado.

A empresa ainda mencionou um avanço de 20% na receita bruta consolidada, impulsionado por um recorde de vendas durante o período da Páscoa e um crescimento de 23,3% do Ebitda ajustado conforme o IFRS-16.

“Esse resultado nos deixou bastante orgulhosos e confiantes nas estratégias que estamos implementando. E por que isso é tão relevante? Porque esses números são o reflexo da estratégia que estamos desenvolvendo há algum tempo, com o cliente no centro de nossas ações”, comentou o executivo.

Desempenho financeiro

O balanço mais recente revelou um prejuízo líquido de R$ 329 milhões nos primeiros três meses de 2026, resultado que demonstra uma redução em relação ao prejuízo de R$ 496 milhões registrado no mesmo período de 2025. O contexto atual é de taxa de juros elevada, que impacta as despesas financeiras, além do aumento do endividamento e diminuição da renda disponível dos consumidores da Americanas. Segundo Soares, a resposta é um olhar atento ao interior da empresa, entendendo como sustentar a nova fase da reestruturação.

Uma nova Americanas?

A Americanas segue em um caminho que visa cada vez mais afastar os resquícios do escândalo ocorrido em 2023. Para isso, conforme o CEO, a estratégia é fundamentada em: colocar o cliente no centro das operações, melhor aproveitamento de dados, fortalecimento do programa de fidelidade Cliente A, adequação do sortimento de produtos, integração entre as lojas físicas e o digital, e maior disciplina financeira.

O cliente da Americanas, segundo o executivo, nunca deixou de consumir. Mesmo com a recuperação judicial sendo amplamente divulgada na mídia e nas redes sociais, ele afirma que a crise não afastou os consumidores da varejista.

Com essa estratégia, a empresa visa utilizar suas lojas, marca e equipe como três ativos principais para recuperar a companhia e prepará-la para celebrar seus 100 anos em 2029, conforme o planejado por Soares. “Estamos utilizando o potencial dessas três forças para reerguer a companhia, incorporando disciplina e buscando modernidade e eficiência. Algumas decisões tomadas no passado, que pareciam adequadas na época, infelizmente, levaram a Americanas a uma trajetória complexa”, refletiu o CEO.

O papel do digital

A estratégia digital da Americanas se tornou um dos pilares da disciplina financeira que a empresa persegue no contexto da sua reestruturação. Thiago Abate, vice-presidente de Consumer & Growth da varejista, compartilhou com o Money Times sobre a mudança na abordagem digital, que deixou de focar em um número elevado de sellers (vendedores) no marketplace. O foco agora está no modelo O2O (Online-to-Offline), que incentiva compras via digital com retirada nas lojas.

“Quando tínhamos 400 mil sellers, a operação se tornava complexa e havia um alto custo envolvido. Com essa nova disciplina, além de acelerar os canais e melhorar a oferta para o cliente, também aprimoramos muito a nossa margem”, observou Abate.

O executivo ainda complementou que, no passado, o digital da Americanas tinha um desempenho muito maior em vendas, mas acarretava prejuízos. “O modelo atual é mais enxuto, complementa as lojas e é rentável”, afirmou. O CEO, Fernando Soares, reforçou que a operação digital agora é projetada para servir à loja, que, por sua vez, atende ao consumidor. Um exemplo é o lançamento de um sistema que permite a reserva de ovos de Páscoa para retirada nas lojas ou entrega em domicílio, uma iniciativa que obteve sucesso.

Omnicanalidade

A Americanas vem aprofundando sua estratégia de omnicanalidade, que consiste na integração de todos os canais de contato da empresa, segundo o CEO, que apontou que a operação anterior tinha uma cultura de separação entre o marketplace e as lojas físicas, perdendo oportunidades de sinergia entre os canais — como a estratégia mencionada para os ovos de Páscoa.

Thiago Abate reiterou que, há cerca de uma década, poderia fazer sentido uma estratégia que não integrasse os canais, fazendo com que as operações funcionassem quase como empresas distintas. No entanto, os tempos mudaram. O executivo ressaltou que os clientes encontram hoje opções de compra que vão desde o site, loja física e aplicativo próprio, até plataformas de entrega como iFood. A Americanas também planeja se aventurar no Rappi e permitir compras via WhatsApp, confirmando essa integração.

“Faz parte da nossa missão oferecer conveniência ao cliente. O que antes apresentava uma jornada quebrada agora se torna uma experiência unificada, sem competição interna por receitas. A receita é da empresa, e começamos a compreender o cliente como um todo”, concluiu o executivo.

Cenário macroeconômico

O varejo enfrenta um cenário prolongado de taxa básica de juros (Selic) elevada, atualmente fixada em 14,50% ao ano. A Americanas indica que tem realizado esforços internos, uma vez que não há controle sobre o contexto macroeconômico. O CEO afirmou que a empresa busca maneiras de auxiliar os consumidores a continuar com suas compras, considerando aspectos como sortimento, tamanhos das ofertas, embalagem, frequência das promoções, programas de fidelidade e opções de crédito.

Em relação à dívida, o CFO da Americanas, Sebastien Durchon, relatou que a empresa possui uma dívida líquida controlada. Embora tenha herdado uma debênture no plano de recuperação judicial de R$ 1,8 bilhão, a companhia ainda mantém uma posição de caixa significativa de R$ 1,7 bilhão, o que resulta em uma dívida líquida de R$ 350 milhões.

“Essa dívida líquida é onerada pelo CDI. Se o CDI diminuir, isso nos beneficia. Contudo, não se trata de um nível de dívida insustentável, e, comparando com outras empresas do varejo, estamos em uma posição bem mais favorável”, destacou o CFO.

Resultados do 1T26

O desempenho operacional, medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, foi de R$ 15 milhões, em contraste com o resultado negativo de R$ 26 milhões do ano anterior. A empresa também informou que a operação digital começou a crescer novamente, utilizando o modelo O2O, integrado às plataformas de entrega.

Durante o período da Páscoa, a Americanas reportou um aumento de 21% nas vendas de ovos de chocolate e atraiu mais de 100 milhões de consumidores para suas lojas, site e aplicativo durante a campanha. No varejo físico, as vendas nas mesmas lojas cresceram 22% no trimestre, enquanto 83% das unidades conseguiram terminar o período com lucros, conforme relata a companhia.

Além disso, a empresa revelou uma melhora nas operações digitais, que deixaram de ser um peso financeiro após cortes de custos e ganhos de eficiência. O O2O teve um crescimento de 56% em relação ao ano anterior, impulsionado pelo aumento das entregas rápidas e retiradas em loja, facilitadas por parcerias com plataformas como o iFood.

No que se refere a recomendações de análise de mercado, a Americanas não conta com cobertura de grandes bancos e casas de análise desde o escândalo de fraude. Entretanto, a companhia tem como objetivo retomar esse relacionamento ao longo do tempo, conforme os resultados de suas estratégias se revelem positivos em seus balanços financeiros.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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