Reabertura do Estreito de Ormuz
O presidente Donald Trump anunciou que o estratégico Estreito de Ormuz foi reaberto de acordo com um acordo estabelecido no domingo, 14 de outubro, com o Irã. No entanto, profissionais do setor de transporte marítimo expressam ceticismo quanto a essa afirmação.
Movimentação no Estreito
Na segunda-feira, 15 de outubro, Trump publicou em suas redes sociais que "navios estão começando a se movimentar, muitos carregados com petróleo, para fora do Estreito de Ormuz". No entanto, especialistas que acompanham o tráfego de navios afirmam que a situação é mais complexa do que parece. A falta de clareza em relação aos termos do acordo e outros riscos ainda mantêm o fluxo de tráfego através desse ponto crítico em níveis reduzidos, o que pode persistir por semanas ou até meses.
Falta de Garantias Claras
Jakob Larsen, diretor de segurança do Conselho Marítimo Internacional e do Báltico (BIMCO), destacou em um comunicado que as declarações tanto dos EUA quanto do Irã são vagarosas e não fornecem informações suficientes sobre aspectos essenciais, como cronogramas e rotas seguras. "Devido à falta de detalhes e a um histórico de garantias excessivamente otimistas, acreditamos que a situação de segurança para a indústria naval continua instável e que, no momento, ainda consideramos que é muito arriscado para os navios iniciarem a travessia", afirmou Larsen. Ele acrescentou que os armadores devem realizar avaliações de risco detalhadas e pediu que todas as partes priorizem a segurança dos profissionais do setor.
Tráfego de Navios Durante Conflitos
Vale ressaltar que alguns navios já estavam realizando a travessia do estreito, mesmo durante o período de conflito intenso. Natasha Kaneva, chefe de estratégia global de commodities do JPMorgan, mencionou em um relatório recente que, apesar das restrições e da queda acentuada no tráfego comercial, volumes significativos de petróleo bruto e derivados ainda parecem estar transitando pela área.
Reação do Mercado
A expectativa em torno da possibilidade de reabertura do estreito provocou uma queda nos contratos futuros de petróleo, que atingiram o menor nível em três meses na segunda-feira, 15 de outubro. Contudo, a Kpler, empresa responsável pelo monitoramento de navios, indicou que seus dados não mostram movimentação significativa entre os 220 petroleiros e quase 500 navios que permanecem no Golfo Pérsico.
Tempo para Normalização
Matt Smith, analista-chefe de petróleo da Kpler, informou que, dado que o acordo só deve ser oficialmente assinado na sexta-feira, 20 de outubro, o tráfego normal no estreito pode levar de três a quatro meses para ser restabelecido. A maioria dos operadores tem demonstrado preferência em observar se outros navios realizarão a travessia antes de se sentirem confortáveis para também atravessar. O mesmo se aplica aos seguradores marítimos, que ainda não estão dispostos a garantir a passagem de navios pelo estreito.
Dilema do Seguro
A falta de seguro pode tornar os armadores ainda mais hesitantes em realizar a travessia, gerando um impasse. Smith descreveu essa situação como um "dilema do ovo e da galinha". As principais seguradoras marítimas, até o momento, não indicam em seus sites que estão novamente oferecendo cobertura para embarcações em situações de ataque. Uma seguradora, a Skuld, confirmou que suas limitações de cobertura permanecem inalteradas.
Necessidade de Garantias
Larsen, da BIMCO, enfatiza que as companhias de navegação precisam de garantias sobre a existência de rotas seguras, livres de minas. Trump declarou na segunda-feira que esforços nesse sentido já estão em andamento, afirmando que "eles estão fazendo uma pequena busca por algumas minas que já encontraram". Durante uma reunião com o presidente francês Emmanuel Macron na cúpula do G7, Trump afirmou que até sexta-feira, 20 de outubro, a passagem estaria completamente liberada.
Questões Pendentes
Contudo, Larsen alertou que a indústria de navegação precisa de mais informações sobre questões como o espaçamento seguro entre navios e a proteção naval. Ele ressaltou que os navios ainda presos no Golfo Pérsico estarão prontos para partir assim que for seguro fazê-lo: "O próximo passo é assegurar aos armadores que a travessia do Estreito de Ormuz não é apenas permitida, mas também segura".
Matt Eagan, Maisie Linford e Donald Judd, da CNN, contribuíram para esta reportagem.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


