ApexBrasil e a Sobretaxa Americana
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) contratou um escritório de advocacia nos Estados Unidos com o objetivo de auxiliar os setores produtivos do Brasil que podem ser impactados pela sobretaxa de 25% proposta pelo governo de Donald Trump.
Segundo Mariele Christ, gerente de indústria e serviços da ApexBrasil, a estrutura jurídica internacional está atualmente consolidando os diferentes posicionamentos das indústrias brasileiras que podem ser prejudicadas pelo aumento tarifário. “O nosso objetivo é sensibilizar diversos stakeholders e atores do ecossistema norte-americano”, declarou Christ à CNN nesta quarta-feira (17), durante o maior evento de tecnologia da Europa, conhecido como VivaTech.
Participação do Brasil nas Audiências Públicas
A ação da Apex busca moldar a participação do Brasil em audiências públicas que estão programadas para ocorrer nos Estados Unidos até o dia 15 de julho. O intuito dessas audiências é formalizar as defesas técnicas e ainda buscar apoio do empresariado local que adquire produtos brasileiros.
O gatilho para essa mobilização foi o anúncio de que o Brasil foi incluído formalmente na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos, um mecanismo que o governo norte-americano utiliza para retaliar parceiros comerciais com base em “práticas desleais”.
Implicações da Sobretaxa
A USTR (Representação Comercial dos Estados Unidos) propôs a sobretaxa de 25%, que pode restringir cerca de 21% do valor total das exportações brasileiras para o mercado americano, totalizando aproximadamente US$ 11 bilhões. Os produtos mais ameaçados incluem manufaturados de alto valor agregado, como calçados, plásticos, artigos de couro e maquinários agrícolas.
Christ enfatiza que os Estados Unidos são um parceiro comercial fundamental para o Brasil, sendo o principal destino para os bens manufaturados brasileiros. Isso aumenta o impacto das tarifas em setores como o de calçados e móveis.
“Estamos buscando mitigar esses impactos através de nosso escritório em Miami, que serve como nosso braço internacional nos Estados Unidos, permitindo que possamos representar esses setores e sensibilizar o empresariado local norte-americano”, afirmou a gerente, observando que a dependência do mercado americano pode variar entre 20% a 50%, dependendo do setor industrial.
Intensificação dos Trabalhos da ApexBrasil
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, comunicou à CNN que a agência tem intensificado suas atividades habituais em função das atuais circunstâncias, visando apoiar empresas e entidades privadas na compreensão da complexidade das novas medidas restritivas.
Nas últimas semanas, a Apex promoveu atividades internas junto a empresas brasileiras parceiras que exportam para os Estados Unidos, com o objetivo de detalhar os impactos e prazos legais para manifestação.
“O aumento de tarifas não é bom nem para as empresas brasileiras, nem para as norte-americanas”, ressaltou Müller.
O presidente da agência explicou ainda que o processo legal norte-americano oferece duas oportunidades de defesa: a apresentação de documentação escrita e a possibilidade de inscrição para participar das audiências públicas.
A ApexBrasil tem atuado no suporte técnico e na elaboração de documentos para os setores que desejam se manifestar. Müller esclareceu, no entanto, que a interlocução oficial e a representação do Estado brasileiro cabem ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e ao governo federal, enquanto a agência assume o papel de suporte em inteligência comercial.
Diversificação de Mercados
Em paralelo aos desafios enfrentados nos Estados Unidos, a ApexBrasil está acelerando um plano robusto para diversificação de mercados, com o intuito de reduzir a exposição da indústria brasileira ao mercado norte-americano.
Conforme os dados apresentados por Laudemir Müller, esse esforço já gerou resultados significativos: das duas mil empresas exportadoras que têm os Estados Unidos como um dos principais destinos, 72% conseguiram abrir novas frentes internacionais e estão exportando para mercados que antes não acessavam.
Mariele Christ destacou que o Sudeste Asiático e a Europa emergem como as principais rotas alternativas para exportação de produtos manufaturados.
A gerente também ressaltou que a entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia cria um horizonte de oportunidades tarifárias que podem absorver o fluxo comercial brasileiro que atualmente enfrenta riscos no mercado norte-americano.
Como parte da estratégia de endurecimento contra o protecionismo promovido pelo governo Trump, a ApexBrasil expandiu sua presença física nos Estados Unidos, com a recente abertura de um novo escritório em Washington, a capital do país.
A nova estrutura se junta às já existentes, como a unidade de Miami, e tem como foco o combate direto às sobretaxas e o monitoramento das políticas de comércio exterior da Casa Branca.
A instalação na capital norte-americana tem como objetivo estreitar o diálogo técnico e político no centro das decisões regulatórias, fortalecendo assim o suporte legal e institucional às empresas brasileiras durante o período das consultas públicas, que se encerrará em julho.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

