Avanços nas Negociações de Paz
O progresso nas discussões sobre a paz envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos resultou em uma diminuição da tensão nos mercados globais. Nos últimos dias, essa situação também provocou uma queda significativa nos preços do petróleo. Contudo, especialistas destacam que os benefícios diretos dessa melhora na inflação brasileira podem demorar a se consolidar.
Reação do Mercado
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o economista e sócio da Boa Brasil Capital, Marcelo Bassani, destacou que o mercado financeiro está respondendo de maneira otimista em relação ao acordo em trâmite, apesar de ainda haver questões pendentes relacionadas a Israel. Segundo ele, os investidores começaram a precificar um ambiente de redução dos conflitos no Oriente Médio.
“Observamos que o mercado está precificando adequadamente todo esse contexto de encerramento das hostilidades”, declarou Bassani. Ele também ressaltou que a diminuição do preço do petróleo Brent, que é a referência internacional utilizada pela Petrobras, é um reflexo da expectativa de uma normalização progressiva da oferta global desse recurso.
Expectativas para o Preço do Petróleo
De acordo com o economista, há espaço para novas reduções nos preços do petróleo. Ele elucidou que a alta acentuada observada durante o conflito foi provocada por um choque na oferta, devido às restrições impostas no estreito de Ormuz, que é uma rota estratégica para o transporte de petróleo na região. Com a gradual retomada do fluxo, o mercado começou a prever um retorno dos preços a níveis similares aos observados antes do início da guerra.
“Estamos testemunhando a queda dos preços já nos primeiros dias”, afirmou Bassani. Ele também mencionou que, embora a total normalização da cadeia de produção e distribuição do petróleo possa levar meses, os investidores tendem a reagir antes que os efeitos concretos sejam visíveis na economia real.
Desafios para a Inflação Brasileira
Apesar da melhora no cenário internacional, o economista considera improvável que haja uma redução significativa nas projeções de inflação no Brasil, pelo menos até 2026. Bassani lembrou que, de acordo com o relatório Focus divulgado na última segunda-feira (22), houve a 15ª revisão consecutiva para cima das expectativas de inflação, que agora se situam em 5,33%, superando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
O economista destacou que a diminuição dos preços do petróleo não se traduz imediatamente nos preços internos, pois uma parte significativa do diesel consumido no Brasil é importada. Além disso, os efeitos acumulados resultantes dos meses de conflito continuam a pressionar os custos de transporte, alimentos e serviços. “A expectativa é que a inflação possa desacelerar a médio prazo, mas a situação imediata apresenta dificuldades”, enfatizou.
Perspectivas para os Juros
Bassani também apontou que as previsões para a taxa de juros permanecem prejudicadas. Conforme o relatório Focus, a previsão para a taxa Selic ao final do ano subiu para 14%, marcando a terceira semana consecutiva de alta. Para ele, essa situação diminui as possibilidades de cortes significativos nas taxas de juros nos próximos meses.
A Bolsa Brasileira e o Acordo de Paz
Sobre a Bolsa de Valores brasileira, Bassani evitou identificar vencedores claros caso o acordo de paz seja efetivado. Ele observou que a trajetória das taxas de juros nos Estados Unidos continua a ser um fator crucial para o fluxo de capital em direção aos mercados emergentes. No entanto, ele avaliou que empresas vinculadas ao setor de commodities podem apresentar uma sensibilidade positiva maior em relação a um eventual movimento de recuperação do mercado acionário brasileiro.
Fonte: timesbrasil.com.br


