"Emenda Master": Negociações de Vorcaro com os senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner focavam FGC, mercado de carbono e crédito consignado - Times Brasil

“Emenda Master”: Negociações de Vorcaro com os senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner focavam FGC, mercado de carbono e crédito consignado – Times Brasil

by Fernanda Lima
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A Polícia Federal relatou que as negociações entre Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima, ex-sócios do Banco Master, com senadores envolveram diversos projetos pertinentes ao grupo, incluindo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), crédito consignado, mercado de carbono e transição energética.

As comunicações e movimentações mencionadas pela PF referem-se, especificamente, aos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA), que é o líder do governo Lula no Senado. A investigação investiga possíveis pagamentos de vantagens ilícitas em troca de ações políticas que favorecessem interesses privados no Congresso Nacional e em outras instâncias da administração pública.

A análise das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) confirma a relação estabelecida pela Polícia Federal entre as tratativas e os temas como FGC, crédito consignado, mercado de carbono e transição energética. A Operação Compliance Zero está investigando suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de bens e existência de uma organização criminosa com conexões entre gestores e operadores ligados ao Banco Master.

FGC e “Emenda Master”

No que se refere ao senador Ciro Nogueira, a PF menciona uma proposta conhecida como “Emenda Master”, que foi apresentada em 2024. Essa emenda tinha como objetivo aumentar o limite de cobertura do FGC por depositante, passando de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

De acordo com a investigação, a proposta foi elaborada pela equipe de assessores do Banco Master, posteriormente enviada a Vorcaro, e entregue em mãos a Ciro Nogueira em um envelope. A Polícia Federal afirma que a emenda que foi apresentada pelo senador reproduzia fielmente o texto preparado pelo banco.

A ampliação da cobertura do FGC era vista como uma estratégia crucial para o Banco Master, visto que o banco utilizava a garantia desse fundo para a captação de recursos no mercado financeiro. Contudo, a proposta não obteve a aprovação necessária.

A PF ainda aponta que representantes do banco registraram que a aprovação da medida poderia “sextuplicar” os negócios do Master e ocasionar uma “hecatombe” no mercado financeiro.

Carbono e transição energética

A investigação também destaca movimentações relacionadas ao Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten) e ao mercado de crédito de carbono.

A Polícia Federal informa que Vorcaro teria solicitado a retirada de envelopes da residência do senador Ciro Nogueira. Os documentos retirados teriam sido submetidos a uma revisão e, posteriormente, foram enviados a um funcionário ligado ao parlamentar.

A decisão do STF observou que os projetos mencionados na investigação referiam-se tanto ao que instituiu o Paten quanto à criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa.

Os investigadores acreditam que a cautela de Vorcaro em evitar que os documentos fossem ligados ao senador ou ao Banco Master sugere que a movimentação envolvia mais do que a interação normal entre representantes políticos e membros da iniciativa privada.

Consignado e Jaques Wagner

Referente a Jaques Wagner, a Polícia Federal aponta três áreas de potencial atuação parlamentar que podem ter beneficiado os interesses do Banco Master: crédito consignado, limite de cobertura do FGC e o acompanhamento da tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

No aspecto do crédito consignado, a investigação menciona uma emenda apresentada por Wagner à Medida Provisória 1.106/2022, que posteriormente foi convertida na Lei 14.431/2022. Esta legislação abordava a ampliação da margem consignável e facilitava o acesso a empréstimos para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de outros programas federais de transferência de renda.

A Polícia Federal argumenta que a atuação do senador nessas questões ocorreu em um “contexto temporal próximo ao início das relações contratuais” entre o Banco Master e a BN Financeira, empresa vinculada à família de Wagner.

A defesa de Wagner refuta essa interpretação. Em nota oficial, o senador declarou que nunca atuou para favorecer o Banco Master e que sua emenda tinha um intuito “estritamente social e protetivo ao consumidor”, ao sugerir limites para juros e medidas de proteção ao consumidor.

BRB também entra no radar

A investigação também engloba a tentativa de venda do Banco Master ao BRB. Segundo a Polícia Federal, Wagner acompanhou atentamente uma operação considerada estratégica para o futuro da instituição sob a direção de Daniel Vorcaro.

Entretanto, essa transação foi eventualmente negada pelo Banco Central.

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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