Mercado de Soja e Milho
O mercado de soja e milho entrou em uma nova fase nas últimas semanas. Com a diminuição das tensões no Oriente Médio e a retirada do prêmio de risco relacionado ao petróleo, os investidores agora voltam suas atenções para o clima nos Estados Unidos, que se tornou o principal fator que influencia a formação dos preços até o fim do verão no Hemisfério Norte.
A Importância do Clima no Mercado Norte-Americano
Segundo Jean Miranda, analista de commodities do BTG Pactual, os meses de junho, julho e agosto são tradicionalmente conhecidos como o período do “mercado climático” nos Estados Unidos, quando praticamente todas as outras variáveis perdem relevância em comparação às condições das lavouras no país.
“O que importa nesse momento é o clima nas regiões produtoras dos Estados Unidos. O mercado acompanha chuva, temperatura e as condições do Corn Belt praticamente todos os dias”, afirmou Miranda durante sua participação no Radar das Commodities.
Correção nos Preços dos Grãos
O novo foco do mercado surge após uma considerável correção nos preços dos grãos em Chicago. O milho acumulou uma queda próxima de 10%, enquanto a soja também registrou um recuo quase na mesma intensidade.
Parte desse movimento foi decorrente da redução das preocupações relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Miranda destaca que a retomada gradual do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e o avanço nas negociações diplomáticas foram fatores que contribuíram para a retirada do prêmio geopolítico dos preços do Brent.
Impacto do Petróleo nos Grãos
A queda do preço do petróleo também diminuiu a sustentação que vinha sendo oferecida aos grãos por meio dos biocombustíveis. Nos Estados Unidos, o milho é utilizado na produção de etanol, enquanto a soja serve como matéria-prima para a produção de biodiesel.
“Quando o petróleo sobe, os biocombustíveis se tornam mais competitivos e isso favorece a demanda por grãos. Com a queda do Brent, essa correlação perdeu força”, explicou Miranda, indicando a ligação entre as variações de preços no setor energético e o mercado de grãos.
Atuação dos Fundos Especulativos
Além da descompressão geopolítica, os fundos especulativos também desempenharam um papel significativo na recente correção dos preços. Ao longo de 2026, investidores financeiros ampliaram suas posições compradas em soja e milho, impulsionados pela expectativa de recuperação das commodities após três anos consecutivos de quedas.
Com os avanços nas negociações de paz no Oriente Médio, parte desses investidores optou por liquidar suas posições, intensificando assim o movimento de baixa.
El Niño e Suas Implicações para o Mercado
Possíveis Efeitos do El Niño
Após o período crítico da safra norte-americana, o mercado deve redirecionar suas atenções para a possibilidade de um fenômeno de El Niño forte ou muito forte no final de 2026.
Segundo Miranda, esse fenômeno pode causar atrasos no plantio, perdas de produtividade e quebras de safra em regiões produtoras importantes.
No Brasil, os impactos podem começar pela soja. Atrasos nas chuvas podem postergar a semeadura da oleaginosa e comprometer a janela ideal para o milho safrinha em 2027.
“O impacto negativo tende a ser maior no milho safrinha, que depende do calendário da soja”, afirmou, ressaltando a interdependência entre as culturas.
Preços de Fertilizantes e Desafios para Produtores
Outro ponto de atenção permanece sendo o mercado de fertilizantes. Os preços dos fertilizantes nitrogenados, que aumentaram consideravelmente devido ao conflito no Oriente Médio, já retornaram a níveis anteriores. Em contrapartida, os preços dos fosfatados permanecem elevados.
Segundo o analista, os custos mais altos podem levar os produtores a reduzir suas aplicações ou a reavaliar as decisões de plantio, o que poderia afetar a produtividade e reduzir a oferta global de grãos.
No contexto brasileiro, o desafio primordial continua sendo a rentabilidade. “As margens seguem bastante apertadas. Uma eventual recuperação dos preços em 2027 pode ajudar a recompor a rentabilidade do setor”, concluiu Miranda, sinalizando a necessidade de estratégias para melhorar a situação econômica dos produtores.
Fonte: www.moneytimes.com.br

