Firjan se posiciona contra renovação de cotas de importação
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) manifestou sua oposição à decisão do governo federal de renovar as cotas de importação para veículos eletrificados desmontados e semidesmontados, conhecidos como CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down). A medida foi aprovada pelo Gecex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) e favorece particularmente o modelo sustentado pela BYD, intensificando a pressão da indústria nacional sobre as autoridades governamentais.
Preocupação com a indústria local
Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (26), a Firjan expressou sua "profunda preocupação" com a decisão do Gecex. A entidade argumenta que a renovação das cotas pode representar um obstáculo para as políticas industriais que estão sendo promovidas pelo programa Nova Indústria Brasil (NIB), lançado pelo próprio governo federal com o objetivo de estimular a produção local, além de fomentar a inovação e o desenvolvimento tecnológico no país.
Manifestação de outras entidades
A nota da Firjan integra um movimento mais amplo de entidades industriais que se opõem à decisão do Gecex. Anteriormente, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) já haviam criticado a retomada das cotas, argumentando que o governo alterou, de maneira inesperada, regras que haviam sido acordadas com o setor e que serviram de base para planos de investimento no Brasil.
Impacto na indústria automotiva fluminense
No caso específico da Firjan, a crítica voltada para a decisão está especialmente relacionada ao impacto que isso poderá ter sobre a indústria automotiva do estado do Rio de Janeiro. Esse setor é fundamental para a economia local, gerando cerca de 11 mil empregos diretos apenas na fabricação e manutenção de veículos e caminhões. Ao longo da cadeia produtiva, o número total de postos de trabalho é de aproximadamente 24 mil.
A Firjan também ressaltou a importância do Cluster Automotivo do Sul Fluminense, que é considerado o segundo maior polo industrial automotivo do Brasil. Esse grupo reúne 28 empresas, incluindo cinco montadoras.
Consequências das importações
A entidade frisou que o aumento das importações nos últimos anos já tem impactado diretamente as indústrias do setor automotivo que investem, operam e empregam cidadãos no Brasil. De acordo com a Firjan, a renovação das cotas representa um movimento contrário ao que está sendo adotado por grandes mercados, como os Estados Unidos, a União Europeia e o Canadá, que implementaram barreiras tarifárias mais altas para proteger suas cadeias industriais.
Decisão do Gecex
A deliberação do Gecex foi realizada na terça-feira (23). O colegiado decidiu manter o cronograma de elevação tarifária para veículos eletrificados que são importados, mas reestabeleceu cotas com alíquota zero para CKD e SKD por um período de seis meses. Apesar de a tarifa cheia ter sido preservada, uma nova janela de benefício fiscal foi reaberta especificamente para os kits importados, uma medida que a indústria nacional buscava barrar.
Crítica ao modelo de desenvolvimento
Para as entidades industriais, a questão central não reside apenas na transição energética, mas na estratégia de desenvolvimento que o Brasil pretende adotar. A crítica é que os benefícios para a importação, quando prolongados, diminuem os incentivos à produção local, à nacionalização da cadeia produtiva e à criação de empregos qualificados.
Compromisso com a competitividade
A Firjan declarou que continuará a atuar em defesa da competitividade das empresas e do desenvolvimento econômico da indústria fluminense. A federação expressou preocupação com a possibilidade de que a renovação das cotas impacte negativamente os investimentos programados pelo setor no Brasil, a geração de empregos e a implementação de novas tecnologias no país.
Fonte: timesbrasil.com.br


