Detenção e Investigação
Detido no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, em outubro de 2023, Ygor Fokin Saviolli é apontado pela Polícia Federal como o coordenador logístico de um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante a sua detenção, foram apreendidos seu celular e outros dispositivos eletrônicos. A perícia realizada por autoridades americanas revelou a existência de vídeos, imagens e comprovantes de transferências em espécie, que indicam operações ligadas à facção criminosa. O material foi analisado pelo Homeland Security Investigations (HSI), que posteriormente compartilhou as evidências com a Polícia Federal do Brasil.
Origem da Operação Exchange
A investigação, que teve início há três anos, resultou na Operação Exchange, deflagrada na sexta-feira, 3 de novembro de 2023. Esta operação tem como foco o braço financeiro do PCC e mira nos primeiros brasileiros que foram sancionados pelos Estados Unidos por suposta ligação com a facção.
Detalhes sobre Ygor Fokin e Victor Shimada
Conforme informações da Polícia Federal, Ygor Fokin divide a liderança do esquema de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas com Victor Henrique de Oliveira Shimada, o qual foi sancionado pelo Tesouro dos EUA na última quarta-feira, 1º de novembro, por supostamente branquear e ocultar parte dos ativos do PCC no exterior. Vale ressaltar que Shimada encontra-se foragido.
Mandados e Sequestro de Bens
Ao todo, a Operação Exchange executou 13 mandados de busca e apreensão, bem como 11 mandados de prisão temporária, todos expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo. As ações ocorreram em endereços localizados em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Além disso, foi determinado judicialmente o sequestro de bens, valores e criptoativos relacionados aos investigados, que podem chegar a R$ 10,4 bilhões.
Prendimentos e Novas Revelações
Na manhã da mesma sexta-feira, os agentes da Polícia Federal prenderam Stella Stefanie Nunes, que, assim como Victor Henrique de Oliveira Shimada, foi sancionada pelo governo dos Estados Unidos devido a supostas ligações com o PCC.
A análise detalhada do celular de Ygor Fokin, primeiramente realizada pelos investigadores americanos e, subsequentemente, pelos agentes da Polícia Federal brasileira, confirmou a existência de um volume significativo de mensagens, registros e arquivos de mídia que se relacionam com a venda de substâncias entorpecentes, especialmente o haxixe.
Movimentações Irregulares
De acordo com a Polícia Federal, o material coletado também revelou movimentações frequentes de dinheiro em espécie, um controle informal de valores, investimentos em criptoativos e mecanismos de compensação financeira. Os envolvidos utilizavam uma linguagem cifrada para se referir a entorpecentes, como o termo “iPhone”, e discutiam sobre o recolhimento de dinheiro em espécie, câmbio, criptoativos e logística internacional.
Empresas Envolvidas
Durante as investigações, os agentes da Polícia Federal identificaram que Ygor Fokin e Victor Shimada utilizavam empresas como Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda., além de Hi Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda., para movimentar, ocultar e dissimular recursos de origem ilícita, especialmente oriundos do tráfico de drogas.
Caracterização de Victor Shimada
Investigadores da Polícia Federal caracterizam Victor Henrique de Oliveira Shimada como um “grande lavador de dinheiro” e uma figura amplamente conhecida no mercado norte-americano. Ele é suspeito de operar uma rede complexa e estruturada que auxilia na logística de branqueamento e ocultação patrimonial do PCC.
Os Alvos da Operação Exchange
Os principais alvos da Operação Exchange, juntamente com suas funções no esquema, segundo informações da Polícia Federal, são:
Victor Henrique de Oliveira Shimada: Líder do esquema, coordenador logístico e responsável pelo controle financeiro do grupo.
Ygor Fokin Saviolli: Compartilha a liderança do esquema, coordena logística e controle financeiro, atuando na distribuição de substâncias entorpecentes.
Paulo Roberto Macedo (conhecido como “Urso”): Operador financeiro encarregado de receber, guardar, transportar e repassar grandes quantias em dinheiro, tanto em moeda nacional quanto estrangeira.
Gabriel Innocente: Negociador de substâncias entorpecentes, principalmente haxixe, que intermedeia os pagamentos relacionados a essas transações.
Amauri Henrique de Oliveira: Responsável por apoio operacional e logístico, além do transporte e recolhimento de dinheiro em espécie.
Anderson Gonçalves Amaral: Identificado como interposta pessoa e sócio-administrador da empresa Hi Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda., que se destaca como a principal empresa utilizada para movimentar valores de origem ilícita.
Jefferson Costa de Britis: Contador das principais empresas envolvidas na movimentação de recursos de origem ilícita, atuando em seu nome por meio de procuração.
Leandro de Proença: Operador financeiro encarregado de realizar transações financeiras suspeitas de alto valor diretamente com Victor Henrique de Oliveira Shimada.
Carlos Henrique Costa Almeida: Operador financeiro responsável por intermediar pedidos de remessas de alto valor, também diretamente com Victor Henrique de Oliveira Shimada.
Romany Cutolo Bonente (conhecido como “Roma”): Operador financeiro que intermedia pagamentos diretamente com Shimada.
João Gilberto Codognotto (conhecido como “Giba”): Responsável por intermediar remessas de alto valor com Shimada.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira: Apoio operacional e logístico, além do transporte e recolhimento de dinheiro em espécie. Segundo a investigação, é filha de Amauri Henrique de Oliveira e também atua como secretária de Shimada.
- Diego Lameiro Diz: Operador financeiro que oferece suporte nas atividades de lavagem de dinheiro, criando empresas de fachada nos Estados Unidos e no Brasil, atuando principalmente nos setores de alimentação e comércio de alho.
Fonte: www.moneytimes.com.br


