A cidade mais populosa do mundo está afundando; descubra o porquê.

Jacarta: A megacidade em questão

Por décadas, Jacarta tem representado o sonho urbano do Sudeste Asiático, tendo crescido rapidamente e atraído moradores de toda a região, tornando-se o motor econômico da Indonésia. Contudo, um levantamento realizado pelas Nações Unidas (ONU), no relatório intitulado World Urbanization Prospects 2025, transforma o mapa das megacidades e coloca a capital indonésia em uma posição tanto impressionante quanto preocupante.

De acordo com o relatório, Jacarta é atualmente a cidade mais populosa do mundo, com aproximadamente 42 milhões de habitantes em sua região urbana contínua, superando cidades como Daca e Tóquio. No entanto, essa conquista demográfica vem acompanhada de um paradoxo: a maior cidade do mundo está, literalmente, afundando.

Crescimento acelerado de Jacarta

O estudo da ONU revisou a metodologia tradicional usada para a contagem da população urbana, revelando que a urbanização mundial está ocorrendo em um ritmo muito mais acelerado do que os dados oficiais indicam. Ao considerar áreas urbanas integradas, em vez de apenas limites administrativos, Jacarta é elevada à primeira posição global.

Esses dados ajudam a explicar por que a cidade parece estar constantemente no limite: enfrenta problemas de trânsito crônico, pressão sobre os serviços públicos, ocupação desordenada e uma crescente dependência de recursos naturais que o solo já não consegue suportar.

Uma capital que está afundando, literalmente

Ao contrário de outras megacidades que “afundam” apenas sob problemas sociais, Jacarta afunda de fato. O fenômeno é tecnicamente conhecido como subsidência. Dados do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas, mencionados pela Revista Wired, indicam que a extração excessiva de água subterrânea, o peso das construções e a compactação natural dos sedimentos apresentam taxas anuais de afundamento que, em algumas áreas, podem atingir vários decímetros.

Entre 1982 e 2011, a cidade registrou uma média de afundamento de 7,5 centímetros por ano, de acordo com o estudo intitulado Land subsidence of Jakarta (Indonesia) and its relation with urban development. Em regiões do norte, o afundamento é mais acentuado, fazendo com que Jacarta seja considerada uma das cidades com as maiores taxas de afundamento já documentadas.

Adicionalmente, estima-se que cerca de 40% da cidade se encontra abaixo do nível do mar.

Inundações são comuns em Jacarta

Para os residentes da capital indonésia, a crise de afundamento deixou de ser uma projeção científica, tornando-se uma realidade cotidiana. Como cidade costeira, Jacarta enfrenta inundações que se tornaram cada vez mais frequentes. A elevação do nível do mar, as mudanças climáticas e episódios de chuvas intensas transformaram eventos que antes eram esporádicos em ameaças recorrentes à infraestrutura, à saúde pública e à qualidade de vida.

O solo mais baixo dificulta a drenagem, intensificando as inundações e obrigando os habitantes a conviver com água contaminada, resíduos e doenças.

Nos bairros do norte, que estão ligados à Bacia de Jacarta e à região de Cikarang, a ameaça do avanço do mar é constante. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Bandung projetam que, em até 30 anos, 95% do norte da cidade pode estar submerso se não houver intervenções significativas.

Por que Jacarta está afundando?

A origem do problema se relaciona ao saneamento deficiente. A falta de uma rede de água potável ampla e confiável força milhões de moradores a dependerem de poços artesianos, o que acelera a retirada de água dos aquíferos e agrava o desequilíbrio geológico.

Segundo o estudo, o problema é um coquetel complexo formado por fatores naturais e humanos:

  • Urbanização rápida e desordenada: a explosão populacional pressionou o solo e os recursos hídricos, sem um planejamento adequado.
  • Extração excessiva de água subterrânea: aproximadamente 60% da população depende de poços artesianos, que retiram “apoio” do solo e contribuem para o afundamento.
  • Fatores geológicos naturais: Jacarta está localizada próximo ao encontro das placas tectônicas Indo-Australiana e Eurasiática, o que dificulta a estabilidade do terreno.
  • Sedimentos pouco consolidados: o solo é composto por materiais jovens e frágeis, que se compactam facilmente sob o peso das construções.

A solução radical: mudar a capital

Diante desse cenário alarmante, o governo da Indonésia decidiu tomar uma medida drástica: o país está oficialmente planejando a construção de Nusantara, a nova capital que será erguida no meio da floresta tropical na ilha de Bornéu.

O projeto foi aprovado pelo presidente Joko Widodo e simboliza a intentona de redistribuir o crescimento econômico do país, que, conforme o Banco Mundial, pode crescer mais de 5% ao ano entre 2024 e 2026.

A proposta visa aliviar a pressão demográfica e econômica sobre Jacarta, além de tentar redistribuir o crescimento econômico da nação. Nusantara, no entanto, ainda está em fase inicial de construção e só deve estar completamente operante na década de 2040. Até aquele momento, Jacarta continuará a ser o coração econômico da Indonésia.

Entre outras soluções, está em andamento o projeto do chamado Muro Marinho Gigante, que visa limitar o avanço do oceano, coupled with urban river restoration programs to improve drainage.

Investimentos também estão sendo realizados na expansão do metrô e de sistemas de trens leves, com o objetivo de reduzir congestionamentos, poluição e pressão urbana.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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